7 Princípios para olharmos para os professores com olhos de verDe uma forma geral, será mais produtivo olharmos para os docentes, para o seu trabalho e para a sua missão

7 Princípios para olharmos para os professores com olhos de ver

7 Princípios para olharmos para os professores com olhos de ver

De uma forma geral, será mais produtivo olharmos para os docentes, para o seu trabalho e para a sua missão, refletindo sobre estes princípios:

1 – A educação começa na família e depois segue no sistema de ensino

O maior sinal de que uma sociedade está doente, é começar a desrespeitar quem garante o futuro dessa mesma sociedade. E a educação é a base e a rampa de lançamento do futuro de uma nação que se preze. A educação começa na família e depois segue no sistema de ensino…

2 – Desrespeitar é, por exemplo, não desmontar ideias falsas.

Há dias, em Fátima, centenas de docentes (professores e educadores de infância,…) participaram com uma entrega poderosa, numa ação de formação que dinamizei. No fim de uma semana de trabalho, ainda conseguiram motivação e espaço no cérebro para evoluir. É que, porque há muita gente (e gentinha) que se esquece: Ser docente não é pêra doce! Já vão longe (espero eu!) os mitos das “progressões fáceis”. Já dormem as falsidades sobre as “férias gigantes”. Já estão esquecidas as comparações marotas com as “Finlândias”, até porque na Finlândia, o importante é o apoio aos docentes.

3 – O desgaste, o (mau) stress e as injustiças, existem.

Muitas profissões sofrem deste desgaste, no entanto, a carreira docente tem particularidades. Em Fátima, por exemplo, os docentes observavam-me com atenção, mesmo estando cansados. Escutavam-me com desejo, mesmo havendo uma certa desilusão com o rumo do país. Interrogavam-se com fervor, mesmo não havendo comunicação social para fazer eco daquele esforço. O desenvolvimento pessoal, a formação, a busca pela actualização, é feito, muitas vezes, na sombra. A meio da sessão, recebemos um telefonema. Era o Presidente da República! Pois não era. Ninguém telefonou.

4 – Eu fui a Fátima, amanhã estarei em Setúbal e segunda-feira, ainda nem sei.

Esta instabilidade de horários e locais, faz-me empatizar com os melhores professores. Aqueles que também viajam e chegam a lugares novos quase todos os anos, mantendo a maioria das vezes o espírito positivo, porque pensam no melhor para os seus alunos (que não têm culpa). Também eu faço Palestras e (trans) Formações em salas quentes, salas frias, longe de casa, muito longe de casa, muito cedo, muito tarde,…e faço com entrega…porque penso nos melhores. Porque o mundo está numa mudança abrupta e constante.

5 – Um educador deve estar consciente dessas mudanças, e deve estar atento a métodos mais eficazes, mais atuais.

As minhas sessões nem sempre acabam com “beijinhos e abraços”. O meu trabalho não é (apenas) motivar. Procuro agitar e dar caminhos. Procuro tocar nas feridas. As feridas existem. O cérebro humano está em constante mudança, por isso a formação é fundamental. Por vezes, sou mal interpretado. Outras vezes acham que sou “demasiado duro”. Não faz mal. Porque a maioria entende que o meu objetivo é nobre, sempre focado nos alunos e nas melhores práticas…se um docente é dos que (apenas) diz que faz (mas não faz) o natural é ele sofrer nas minhas sessões. Pretendo que eles saiam mais fortes. Mais próximos de fazerem o que sabem que tem que ser feito. E a psicologia pode doer. Tentamos ir pela positiva, mas pode doer. Mas é nessa luta que os melhores se colocam. Acertar, falhar, tentar, acertar, falhar…

6 –  É fundamental darmos estabilidade.

Um docente com estabilidade, fica mais aberto para ouvir. Mais capaz de escutar. Mais próximo de limar as arestas da sua ação pedagógica. Claramente, um dos maiores desafios: a estabilidade do docente. Felizmente, vejo cada vez mais equipas de psicólogos e afins, como uma equipa excelente em Sines, por exemplo. Ou no AE Cego do Maio, na Póvoa de Varzim. Ou os profissionais do “Afirma-te” em Idanha-a-Nova. E os docentes, os pais e os alunos precisam deste esforço de todos.

7 – A esperança é a última a morrer

No fundo, eu sei que um dia as condições podem melhorar. Terão os sindicatos que melhorar também. E a classe política terá que ser mais capaz. Entretanto, alguns professores vão desistir. Outros vão adoecer. Outros vão ter um esgotamento. Outros serão perseguidos por uma turma vítima da ausência dos pais.

Mas a maioria seguirá. Sem precisar de boa imprensa, ou de um telefonema de um famoso. Mesmo com a desilusão de estarmos num país onde o tal pilar, a tal base, é tantas vezes alvo de ingratidão. Seguirá empatizando comigo, quando tento que melhorem. Seguirá buscando o seu equilíbrio, com ou sem apoio da equipa de psicologia. Seguirá buscando a estabilidade interna, no que pode controlar.

A intensidade do amor não é sempre igual.

Como a intensidade da fé também não é sempre constante. Lembrei-me disto em Fátima…

Não são constantes, mais isso não significa algum erro. É mesmo assim. Nem o sol tem sempre a mesma radiância. Agora, tem que existir amor, isso tem. E o sol não foi um sonho.E os melhores docentes lá seguirão, tentando ter uma maior quantidade de momentos onde são capazes de persistir, capazes de melhorar práticas, capazes de enfrentar injustiças, exercitando o amor à escola, aos alunos, mas, principalmente, o amor a si mesmos.

 

Imagem de Pexels por Pixabay 

 

Gosto de iniciativas “sem tretas” e com alma. Como a Up to Kids, por exemplo.

A criação do Mundo Brilhante permite-me visitar escolas de todo o país e provocar os diferentes públicos para poderem melhorar. Agitamos. Queremos deixar marcas.

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