Se o arrependimento matasse – 7 arrependimentos (menos) mortais

Dizem que se ele matasse nada seria igual. É vê-lo de mãos dadas com o “amargo de boca”. Nunca tem relógio, por isso, ou chega em cima da hora ou passados minutos. Outras vezes demora dias a chegar. Há até casos registados em que ele demorou anos a chegar! Se a felicidade fosse um lugar (não é, mas falarei sobre isso em breve) poderíamos dizer que chegava lá (à felicidade) quem não o sentisse na hora de morrer.

Senhoras e senhores, apresento o “Arrependimento”!

Sete arrependimentos (pouco) mortais:

  1. Logo pela manhã, vê-a experimentar umas calças largueironas (serão corsários?!)“Ficam-te muito bem!” A afirmação já saiu. Instintivamente. Ligeira. Breve. Esta tríade só pode levar a ele. Ao arrependimento.
  2. Está a acabar de jantar. Os miúdos perguntam se podem ir ver televisão. A ideia parece excelente. Assim, acaba de comer tranquilo, põe a conversa em dia com calma. Até namora um bocado. Os minutos de silêncio são interrompidos pelos ruídos incómodos de uma guerra pelo telecomando. Acaba por se levantar e mandar os miúdos para o quarto. Para a próxima, não vai dizer que podem ir ver televisão, sem antes deixar claro algumas regras. Ou para a próxima, vai exigir que fiquem na mesa até todos terminarem.
  3. No parque, as crianças estão todas a subir pela aranha. O seu filho hesita. Tinha dormido mal, estava cansado e não lhe pareceu uma aventura digna para essa manhã.
    “És um totó! Não vês os outros a brincar?!” Os olhos dele ficam cobertos com as lágrimas próprias de quem sentiu. Próprias de quem tem sentimentos. Próprias de quem não é totó. Sempre que passa no parque e vê a aranha, lembra-se das palavras que não devia ter dito. E pensa: – “Fui um totó!”
  4. A água sai do chuveiro com força. A temperatura é a ideal. Está tudo bem, até que repara num pato amarelo abandonado num canto da banheira. Se o comprou, porque resolveu dizer logo “não” quando o seu filho lhe pediu na véspera se podia brincar um pouco na banheira? Agora sempre que vê o pato, lembra-se das vezes que criticou os pais que compravam brinquedos para depois os arrumarem no armário.
  5.  A viagem de carro segue tranquila. Pelo menos com a tranquilidade possível para quem viaja em família. Aquele colega de trabalho resolve ligar para o seu telemóvel. Atende, faz conversa de circunstância e depois diz: – “Este tipo é mesmo chato…” Joga a seleção e os amigos reúnem-se lá em sua casa. Entra o tal amigo. O seu filho olha para ele, olha para si, volta a olhar para ele, e diz: – “O meu pai acha que és um chato!” Talvez tenha sido a vingança por não o ter deixado brincar um pouco no banho. A verdade é: arrependeu-se do comentário.
  6. Sempre que há um casamento, lembra-se do casamento do seu primo. Tinha recebido um extra naquele mês, o seu primo até tinha “a mania”, por isso justificava-se : sapatos novos para toda a família! Nem foi preciso muito tempo para o arrependimento surgir como uma bolha. Como uma equipa de bolhas. No seu pé e nos pés de toda a sua família.
  7. Assim que dá luz verde para o seu filho trazer os amigos para dormir lá em vossa casa, lembra-se logo da ultima vez. Dois é bom, três já é difícil, quatro é impossível!

E de arrependimento em arrependimento lá vamos andando.
Uns serão incontornáveis.
Outros farão crescer.
E fica a questão: na hora de morrer terá sido feliz quem não tem arrependimentos ?
Ou será que precisamos deles para sermos felizes?

imagem@picssr

Gosto de iniciativas “sem tretas” e com alma. Como a Up to Kids, por exemplo.

A criação do Mundo Brilhante permite-me visitar escolas de todo o país e provocar os diferentes públicos para poderem melhorar. Agitamos. Queremos deixar marcas.

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