Sete coisas que podemos aprender com o “Toy Story 4”

Sete coisas que podemos aprender com o “Toy Story 4”

Sete coisas que podemos aprender com o “Toy Story 4

Ponto Prévio

Não precisávamos de um filme de animação, para nos dizer que os bonecos ganham vida na ausência das pessoas, certo? Isto já todos sabíamos! Tenho esperança…

Introdução

Adoentada, naquelas “viroses” que teimamos em não entender, Maria ficou em casa com o pai. Como não somos muito dados a agir de acordo com as regras, ir ao cinema foi o programa perfeito. Lá fomos. E agora estou aqui com o desafio de escrever sobre o filme, sem ser desmancha-prazeres (sim, falo do risco dos chamados spoilers!).

Não sou, de maneira nenhuma, especialista nestes filmes, mas tenho a ideia da psicologia sempre cravada na cabeça, e olho o mundo assim. Quase, quase sempre assim. Por vezes é bom, noutras alturas, parece-me uma maldição. Porque há muitas coisas que sei, mas não sei…porque (ainda) não consigo aplicar. Mas tenho esperança.

Olhava para o filme, enquanto ia tirando estas notas mentais, intituladas Sete coisas que podemos aprender com o “Toy Story 4″.

Sete coisas que podemos aprender com o “Toy Story 4”

1 – Parece que os bonecos (pelo menos os que têm electrónica) podem, em determinados momentos, agir como se estivessem avariados.

E connosco devia ser igual. Agir como se os nossos erros fossem uma vantagem. Temos muitos defeitos. Não quer dizer que não possamos corrigir alguns. Não digo que não haja área para o desenvolvimento, é verdade que há. Mas devíamos também saber usar os nossos defeitos a nosso favor. Estar sempre a esconder as falhas pode ser aterrador. Em algumas alturas, quando a vida pega partidas, devíamos expor as nossas falhas, agitando as coisas.

2- No filme, os bonecos sabem quando parar.

Eles pressentem que vai entrar um humano, e param. E nós? Quantas vezes é que paramos? Andamos, pensamos, andamos, pensamos e…paramos pouco. Saber quando parar é fundamental. Saibamos nós parar quando se está a aproximar um momento de tensão, um desafio, ou simplesmente, um momento onde devemos estar descansados para usufruir.

3- Os bonecos podem dar as suas voltas, mas têm de ficar até ao fim com os seus donos.

Eles existem com esse propósito. E qual é o nosso propósito? Quer como espécie, quer como indivíduos, qual é o nosso propósito? Qual é o nosso propósito como pais? Eles têm que ficar com os seus donos até ao dia em que estes já não os queiram mais. Até ao dia do esquecimento. Saibamos sair de cena, quando não somos desejados. Saibamos também adaptar o nosso propósito, às características dos tempos. Mais conhecimento, mais desenvolvimento, mais aceitação dos defeitos, melhor propósito.

4 – A importância dos brinquedos para as crianças.

A Maria estava interessada no filme, e a minha cabeça dava voltas nas cenas. Há anos, tinha a irmã mais velha da Maria acabado de nascer, eu tinha escrito para o trabalho de sensibilização que faço nas escolas, uma história com o nome dela. “As aventuras da Yolita na Terra da Montanha Lilás”. Com essa história, ajudo os Educadores de Infância e os Professores (primeiro ciclo) a desenvolverem a criatividade. Uma das missões que o Monstro dá à Yolita é: “Mostra-me um boneco de madeira a falar!”. E ela consegue! Como? Pegou numa colher de pau, colocou uns olhos, um cabelo com pedaços de lã, criando um fantoche. Depois, era só imitar um ventríloquo, e pronto, o boneco falava. Tantos anos depois, ali na tela, ali no enredo do filme, vemos algo muito semelhante.

toy story 4

A importância dos brinquedos para as crianças, é uma temática muito importante. É fundamental brincar, saber brincar, é fundamental que os educadores saibam o valor da brincadeira. E quando a brincadeira ainda tem momentos onde a criatividade é a protagonista, então ainda melhor.

5 – Não somos, nem temos que ser, todos iguais.

Por vezes, sentimo-nos lixo. Ou porque o dia foi mau, ou porque estamos mais pesados, ou porque a unha partiu, ou porque a semana foi má. Sentimo-nos lixo. Pode ser também por cauda da aparência. Ou pode ser por causa das circunstâncias. E às vezes somos mesmo lixo. Pronto, “lixo”. Comparamo-nos com os outros, compararmo-nos com uma imagem idealizada dos outros, pode ser o problema. Se sou lixo, terei o meu valor na mesma. O desafio da Escola Inclusiva está aí. Não somos, nem temos que ser, todos iguais. É sempre bom relembrar isso.

6 – Sermos gratos ajuda a ter um norte. Perdoar, também. Agradecer é igualmente poderoso.

Estar perdido é um conceito muito relativo. Há algumas coisas comprovadas pela ciência, nomeadamente pela psicologia positiva, capazes de ajudar a clarificar se temos, ou não temos, um rumo. Sermos gratos ajuda a ter um norte. Perdoar, também. Agradecer é igualmente poderoso. Darmos a nossa caixa de som a quem mais precisa, tem agradecimento e gratidão. Saibamos faze-lo. Tem também uma forma de perdão.

7 – Ouvir a voz interior.

Há um boneco que usa muito este procedimento. Dedico sempre partes das minhas sessões de formação com educadores, a relembrar esta técnica. Ouvir. Escutar. Depois, interpretar. Não se trata de irmos pela auto-ajuda barata, nem pelas conversas motivacionais da treta. Trata-se de escutarmos a nossa consciência, para podermos agir o melhor possível no mundo. No fim, quando tivermos que fazer a escolha entre partir ou ficar, será mais fácil, caso a voz interior seja ética, estimulante e audaz.

Final

Os bonecos estão destinados a ser a fonte da felicidade para os seus donos. Naqueles minutos no cinema, também eu acedi a uma forma de felicidade, vendo a Maria contente, sem febre, inventando coisas.

A felicidade verdadeira pode até ser uma utopia (embora eu não acredite). Com tantos erros, com tanta pressa, com a ausência de propósito, com a tecnologia a bater na criatividade, com os dias de lixo, com o estarmos perdido e sem voz interior, fica difícil. Quais são os nossos brinquedos? Como adultos, onde vamos buscar a energia? Onde vamos buscar a felicidade?

Eu não sei. Mas vou tentando…tempo de qualidade com a família, filmes na minha cabeça, esperança, e, fundamentalmente, pegar no lixo e fazer um brinquedo. A nova e melhorada versão do “se a vida te der limões,…”

Gosto de iniciativas “sem tretas” e com alma. Como a Up to Kids, por exemplo.

A criação do Mundo Brilhante permite-me visitar escolas de todo o país e provocar os diferentes públicos para poderem melhorar. Agitamos. Queremos deixar marcas.

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