À mãe com depressão pós-férias

Poema (?) para uma mãe com depressão pós-férias

Sei que está a ir. Não tenhas pena.

Já só resta um pouco desse ouro, eu sei. Não tenhas pena.

Já só há a lembrança desse chocolate.

És linda na mesma.

Já só resta um pouco dele. Desse tom de verão. Esse que está a partir. Não tenhas pena.

Lembra-te que és uma deusa tipo Calipso ou Circe, e, ao mesmo tempo, uma mulher como Penélope.

O verão, as férias, foram como aqueles jovens fortes, vigorosos, em tronco nu, aquelas barrigas definidas em abdominais insuflados. O fim das férias, chega como um companheiro sedutor, capaz de fazer uso de recursos emocionais.

Há que perder o tom, para dar valor. Há que envelhecer, para dar profundidade à caminhada.

Sei que está a ir. Já não assenta da mesma forma aquele trapito de verão.

És linda na mesma. Não tenhas pena.

És a mãe organizada, organizadora, gestora de orçamentos. Mas lembra-te: és a mãe sonhadora, empática, contadora de histórias, e, sobretudo, és a mãe capaz de não chorar sobre o bronze derramado.

A cor está a ir, mas os teus filhos nem notam, eles só reparam no brilho dos teus olhos. E esse brilho, será sempre um farol a indicar o caminho para a criatividade e para a segurança emocional dessas crianças.

Por isso, já sabes: não tenhas pena.

Com empatia, criatividade e emoção está tudo bem.

A porta da escola ficou para trás, ele lá dentro com uma lágrima, tu cá fora com duas.

Pega nesse quase choro, coloca-o no peito mas não, não voltes para trás.

Não tenhas pena. Está tudo bem. És linda.

Se achares que não, se sentires desilusão, pensa que em breve, quando menos esperares, já está aí, novamente, o tão desejado verão.

Gosto de iniciativas “sem tretas” e com alma. Como a Up to Kids, por exemplo.

A criação do Mundo Brilhante permite-me visitar escolas de todo o país e provocar os diferentes públicos para poderem melhorar. Agitamos. Queremos deixar marcas.

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