Divorciados mas não separados

Divorciados mas não separados

Divorciados mas não separados

De facto deixámos de viver na mesma casa. Não partilhamos a nossa vida pessoal um com o outro desde que tomámos a decisão de nos divorciarmos.

Nunca poderemos dizer que da nossa relação restou pouco já que ela durou uma grande parte das nossas vidas, do nosso crescimento, das nossas experiências.

Para além disso, o mais importante – dos dias melhores da nossa vida nasceram os nossos filhos.

Além da existência real destes, ainda pequenos seres, ficará para sempre a memória conjunta do dia em que soubemos que iam nascer. Dos momentos em que festejámos e partilhámos com os mais próximos o grande mistério das suas vidas.

Eles não nos permitem uma separação efectiva, nem forçada nem imaginada, menos ainda desejada.

Contrariar ou negar um tempo passado com esta qualidade é o mesmo que fugir de si próprio. Fugir da sua própria vida, passado, presente e obviamente futuro…

Quando tomámos a decisão de nos divorciarmos, toda a dor sentida nos fez, eventualmente, rever os momentos maravilhosos que vivemos.  E também pôr em questão tudo o que aparentemente desaprendemos ao longo do tempo. Em vez de um rumo naturalmente esperado de evolução como um todo, sentimos que deixámos de controlar o que juntos planeámos.

Por muita dor, mágoa e arrependimento que possam ficar, ainda nos resta a possibilidade de seguirmos o rumo da parentalidade que ambos sonhámos viver. É verdade que com algumas diferenças substanciais do modelo que tínhamos interiorizado, mas a possibilidade existe!

O caminho não será tão linear, não será tão amparado; mas com amor, equilíbrio, respeito e altruísmo é um caminho possível e com tendência a evidenciar-se como positivo.

O que é ser pai hoje? Qual é o papel da mãe nos dias que correm?

E ser filho? O que é ser filho neste mundo louco em que corremos atrás da felicidade e da perfeição!?

Conseguir olhar para um filho como aquele ser que nos é colocado no trajeto de vida para encaminharmos, protegermos e prepararmos para um caminho que será só seu.

Olharmos para um filho com a responsabilidade de o vermos como um ser independente de nós. Um ser que sente por si, que vive uma experiência de vida que não deve ser a nossa, mas sim a dele.

Percebermos a importância de partilhar decisões com a pessoa com quem decidimos gerar esta vida. Trabalharmos diariamente as competências pessoais que nos permitam não nos separarmos de quem connosco partilha um papel, um lugar, uma missão que o coloca no mesmo lugar do pódio.

Partilhar para sempre o 1º prémio, sem lugar a disputas, a bem daqueles de quem nunca nos divorciaremos – os filhos!

imagem@franzoni.adv

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