Quando os pais se divorciam

Como fica a criança quando os pais se divorciam?

Quando os pais se divorciam…

Como fica a criança, quando os pais se divorciam?

Os pais são o melhor do mundo para as crianças, é como se fossem assim uma entidade superior comparando com todas as outras.  Mas, quando o pai e mãe se separaram, como fica a criança? Qual é o seu lugar?

Ora, por entre uma discussão e um fazer de malas, uma criança muitas vezes sente-se apenas sozinha. Quando, de repente, uma criança é confrontada com a separação dos pais, pode acontecer que reaja de várias formas, sendo que, não raras as vezes, reagem com indiferença, raiva ou tristeza. Isto é, ou a criança reage com uma aparente indiferença, como quem diz “não tenho nada a ver com a vossa vida, não quero saber”, ou reage com uma revolta canalizada para os progenitores, como quem diz “vocês são culpados de todos os males e é uma injustiça”. Ou em alternativa, a criança reage cheia de efeitos especiais, com choro e uma tristeza profunda, como o quem diz “se se separarem a minha vida acaba e nunca mais vou ser feliz!”.

Perante tudo isto, nem o pai, nem a mãe se devem sentir fragilizados e voltar atrás numa decisão tão importante e tão pensada como um divórcio. Sim, porque quem se divorcia, não o faz de ânimo leve, habitualmente é uma decisão pensada e repensada.

Os pais enquanto pais e enquanto indivíduos

Nunca os pais devem evitar uma separação apenas com a ideia de que é melhor para as crianças. Pois, um pai e uma mãe com uma má relação entre si, serão seguramente piores pais, do que, um pai e uma mãe que, com sensatez e cuidado, decidem divorciar-se, tornando-se assim, mais felizes cada um deles a nível pessoal e, por consequência, melhores pais.

Os pais são tão melhores, quanto mais tempo tiverem para si e mais felizes forem, enquanto pessoas. Apesar de quando nasce um filho, os pais sentirem que aquele filho pode representar todo o mundo para eles, nunca se devem esquecer da sua individualidade e de cuidarem de si, isto, se querem ser bons pais.

Desta forma, o que devem fazer os pais com as reacções dos filhos ao divórcio?

Devem ser capazes de aceitar e suportar a reacção da criança, isto é, é natural que a criança se zangue, ou fique triste com uma separação dos pais. Esse assunto nunca deve passar a tabu, e deve ser falado com a criança de forma a que os pais a ajudem a ligar tudo dentro dela. Se a criança tiver necessidade de chorar ou temporariamente ficar triste, devemos permitir-lhe que o faça e que expresse tudo aquilo que está a sentir relativamente à nova situação familiar.

Ora, assim sendo, o essencial numa separação é que a criança nunca se sinta culpada e que nenhum dos pais, ou avós, sejam culpados pela separação. Isto é, o divórcio dos pais só acontece porque os dois pais em conjunto tomaram essa decisão que nada tem a ver com o comportamento ou postura de algum dos filhos.

Onde está a culpa quando os pais se divorciam?

É ainda essencial, que os pais não se culpem mutuamente. Não são raras as vezes, em que o pai ou a mãe culpam o outro progenitor da separação e o fazem deliberadamente para obter uma simpatia superior dos filhos, ou a compaixão da outra figura paterna. Também nos cruzamos várias vezes, com situações em que os pais culpam os avós pelo desfecho da relação. Mesmo que efectivamente exista um culpado, o essencial é que os pais percebam que para a criança ambos são figuras de referência e como tal, todas as crianças têm o direito a uma figura parental positiva. Assim, mesmo que o pai ou a mãe tenham um conjunto de características que o outro progenitor reprova, a criança tem direito à protecção da imagem dos pais. A criança não pode ser colocada num conflito de lealdades, como quem para estar com a mãe não pode gostar do pai e para estar com pai tem de deixar de gostar da mãe.

Um pai e uma mãe com sensatez, devem permitir que a criança goste e pratique o amor para com o outro progenitor. O mesmo deve acontecer perante os avós.

O pais devem reagir em conformidade com a protecção da criança, assumir a decisão em conjunto, sem culpas para ninguém. Se comunicarem a decisão com firmeza, com a certeza de que convictamente sabem que esta decisão é o melhor para todos e com afecto, mesmo que haja um período inicial difícil, as crianças irão aceitar. As crianças irão adaptar-se e compreender todos os lados da decisão dos pais e destas novas circunstâncias.

Por Cátia Lopo e Sara Almeida Psicólogas Clínicas

A Escola do Sentir, promove o desenvolvimento emocional e social do indivíduo.

No mundo infantil, a Escola do Sentir prima e anseia por uma educação holística, focada na criança/adolescente, alicerçada numa intervenção com pais e numa forte vertente de intervenção social e comunitária.

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