O que posso fazer para que uma separação não seja uma tragédia?

O que posso fazer para que uma separação não seja uma tragédia?

O que posso fazer para que uma separação não seja uma tragédia?

A separação ou divórcio é o capítulo final de uma relação amorosa ou casamento que deixou de fazer sentido. E se a história é repleta de episódios de agressividade e desrespeito pelo outro, adivinha-se que o final não será feliz.

Em relações tóxicas, a separação é, muitas vezes, o prolongamento ou até o ponto alto do conflito, infelizmente, com enormes repercussões no bem-estar dos filhos. Imagine uma cena de um filme de terror, onde os pais se desafiam e se duelam, em que os filhos estão entre ambos a levar com balas que, intencionalmente, disparam um ao outro. É o que, metaforicamente, acontece em muitas separações.

A história pode mesmo configurar-se numa tragédia melodramática quando uma das partes não está recetiva ou não aceita o final da relação. Nestes casos há um foco exacerbado nos pontos negativos do(a) companheiro(a), como alavanca facilitadora da separação.

O problema é que, quanto mais nos focamos no negativo mais a raiva e o ódio crescem de forma irracional.

Partindo do princípio de que todo o comportamento pressupõe uma intenção positiva, os ataques ao outro e a (eventual) necessidade de vingança têm como principal ganho a idealização de que sairão vencedores da situação de conflito, numa tentativa de valorização e de proteção do Ego.

Mas, na guerra entre progenitores não há vencedores nem vencidos. Há pessoas que sofrem e que vão continuar a sofrer, contaminando a família alargada, amigos e, principalmente, os filhos.

Sendo os pais os principais modelos educativos, o esquema que as crianças vão interiorizar do que é uma relação amorosa é de um estado de permanente conflito e dor. Se esta construção negativa não for “remodelada”, muito provavelmente serão adultos que fogem dos compromissos relacionais e quem veem a vida a dois como algo doloroso e a evitar.

Por processos de identificação, em adultos tendem a replicar os comportamentos dos seus pais, especialmente os do mesmo sexo, alimentando um ciclo de relacionamento familiar disfuncional.

O que posso fazer para que uma separação não seja uma tragédia?

(faça exatamente o contrário se quiser que seja uma tragédia e se gosta de sofrer! )

  • Pare de justificar a si próprio que precisa de manter a relação, por muito má que seja, por causa dos filhos.

Acredite, após o (normal) luto pela perda da estrutura familiar que tinham os seus filhos vão-lhe agradecer. As crianças têm uma capacidade de adaptação incrível e apesar de ser comum quererem ver os pais juntos, quando perceberem como a qualidade de vida de todos melhora com a separação dos pais, vão aprender a sentir-se bem, especialmente se sentirem que continuam a ser muito amados por ambos.

  • Enfrente o que o(a) agarra a algo que não faz sentido – o MEDO!

Medo do que os outros vão dizer, medo do desconhecido, medo de sair de um castelo idealizado do que é uma família (que se está claramente a desmurar), medo de não conseguir, medo de ficar sozinho(a), medo da reação do conjugue. Enquanto o seu diálogo interior for dominado pelo medo vai arranjar mil e uma desculpas (lógicas) para se manter na sua zona de conforto (mesmo sendo penosa e dolorosa).
Reveja os seus objetivos e contra-argumente com os seus medos pelas evidências do que procura para si vs o que tem e o que não quer. Olhe à sua volta… vê as crianças de pais que se separam sem tragédias infelizes? Não lhe parece que se ao sentir-se mais tranquilo(a) e mais feliz os seus filhos também vivem mais felizes?

  • Pare de jogar o perigoso jogo da disputa e acusação

A vida não é um jogo de tabuleiro que arruma e volta a jogar quando lhe apetecer! Cada jogada que fizer tem consequências, na sua vida e na vida dos seus filhos, que não são recuperáveis.
Se é daquelas pessoas que “não gosta de perder, nem a feijões” provavelmente vai querer sair da relação com uma sensação de vitória. Vai complicar até o mais simples, vai disputar a guarda dos filhos, os bens e tudo mais de forma estupidamente mesquinha. O seu objetivo é mostrar ao outro (habitualmente quem procura a separação) que vai sair a perder, mas lamento informar que nestes casos todos perdem.

Não há ganhos sem perdas: qualidade de vida, tranquilidade, bem-estar, saúde…
A satisfação da pseudo-vitória (da vingança) é efémera. Já o impacto que a perda tem em si fica para toda a vida.

  • Pare de manipular os seus filhos contra o outro progenitor.

Imagine que alguém lhe vem falar mal do seu filho(a). Pense como se sentiria… É assim que as crianças se sentem quando alguém fala mal de alguém que amam!
É fácil e muito tentador falar mal de quem já o(a) magoou (mais que não seja pela crença que alivia). Mas essa mágoa foi dirigida a si ou foi direcionada aos seus filhos? Neste último caso a situação pode ganhar outros contornos – muitos pais prolongam a relação que tinham entre si com as crianças, agridem, exigem, culpam, manipulam. Aqui é importante uma atitude atenta e outro tipo de intervenção.

Há pais que, habilmente, manipulam os filhos através da vitimização, de cedência às suas vontades e caprichos, ou até pela compra de presentes caros, numa tentativa de menosprezar o outro progenitor e procurando a cumplicidade dos filhos como ganho secundário. Tenha presente que, as crianças aprendem bem rápido e vão construindo a sua personalidade, também, em torno da manipulação, agindo dessa forma com ambos!

A relação entre pais e filhos não pode ter nada a ver com a relação disfuncional entre os pais.

Se ama, incondicionalmente, os seus filhos separe as situações: a relação entre pais e filhos não pode ter nada a ver com a relação disfuncional entre os pais. Tenha presente que, aquela pessoa de quem se está a separar agora é alguém que já amou, ao ponto de um dia pensarem em partilharem os vossos dias e gerarem uma nova vida – o seu filho. Foque-se no que tem a ganhar em vez do que vai perder, ou pior, do que acha que o outro vai ganhar. Quando a separação é tranquila, todos saem a ganhar, especialmente as crianças.

Compreender o ser humano, perceber os seus comportamentos e sentimentos é algo que me fascina, quase tanto como perceber as mudanças que vão ocorrendo pela intervenção psicológica.

É, para mim, um privilégio poder ser facilitadora dessa mudança e do conhecimento próprio.

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