Estas são as minhas mãos, e estão a ficar mais velhas

Ultimamente tenho notado que já tenho mãos de “senhora”.

Vejo-as expostas, a provocar-me, paradas no computador enquanto escrevo ou no volante enquanto conduzo, velhas e cheias de rugas.

Fico a pensar: “Quando é que isto aconteceu? Foi uma coisa gradual ou de um dia para o outro? Como é que eu não reparei até agora?” Olho para as minhas mãos e tento perceber.

Não as adoro. Não parecem minhas. Mas não as odeio.

Penso no que estas mãos já fizeram.
Estas são as mãos que abraçaram inúmeras chávenas de chá e café à procura de calor e conforto para a alma.
Estas são as mãos que limparam tudo o que se possa imaginar, de rabos a lágrimas, e limparam este raio desta casa de cima a baixo milhares de vezes para passados poucos minutos estar tudo de pantanas, outra vez.
São as mãos que seguraram vários copos de vinho à procura de paz, conforto, e especialmente de um momento de descanso.
São as mãos que lutaram desesperadamente por coisas que eu sabia já ter perdido: antigas paixões, a minha infância, a minha mãe. São as mãos que por vezes acenaram tarde demais e que gesticulavam no ar enquanto eu tentava encontrar as palavras que não me saiam.

São as minhas mãos, e estão a ficar mais velhas. Como eu.

E é só isto. Este é que é o verdadeiro elefante  no meio da sala, mas que só reparamos nele quando perdemos alguém que acreditávamos que estaria sempre connosco.
Estamos a ficar mais velhas. Eu e as minhas mãos. Com mais rugas e com veias salientes mas mais experientes e mais seguras, espero eu.
É assustador, a velocidade que a vida corre. Agora, parece-me que se fecharmos os olhos por um segundo que seja, corremos o risco de abri-los vinte anos depois.
Eu tenho dado o meu melhor para aproveitar cada momento da minha vida. Dos meus filhos, dos meus pais, do que me rodeia. E por isso é que fiquei tão surpreendida quando olhei para as minhas mãos.

Porque o que eu vi foram as mãos da minha mãe…

Por  Liz Petrone em Scary Mommy, traduzido e adaptado por Up To Kids®

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