abandono emocional

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Filhos abandonados dentro da própria casa

Encontrar filhos abandonados emocionalmente pelas famílias é uma dura realidade

Hoje em dia, a tecnologia e as redes sociais fazem parte do nosso quotidiano. As comunicações pessoais à distancia tiveram uma grande evolução nas últimas décadas. No meu tempo só existia telefone fixo com fio e cabines telefónicas na rua (não existia telemóvel ou internet), e a comunicação escrita era feita por carta.

Na minha infância e adolescência, passei muitas horas a brincar e a conversar na rua com amigos e em casa com a família. Quando alguém estava presencialmente com outra pessoa havia muito pouca distração. Tínhamos de investir no relacionamento “ao vivo”, demonstrar sentimentos, conquistar a simpatia dos outros. Hoje em dia estima-se que uma pessoa passe, aproximadamente, de três a quatro horas por dia on-line o que reduz muito sua convivência física com amigos e familiares.

Estamos a esquecer-nos de como amar

Fico impressionada quando vejo o desenvolvimento de formas de demonstrar emoções on-line (emojis, “a sentir-se” memos, etc. Será que isso não é reflexo da dificuldade de expressarmos as nossas emoções pessoalmente? Estamos a tornar-nos ótimos no marketing emocional externo, mas esquecemo-nos de como manifestar o afeto. Como ser carinhosos, como olhar nos olhos e dar atenção a quem está à nossa frente.

Será que não é medo de nos expormos, de revelarmos as nossas fraquezas? Digo isto, porque apesar da internet ser um meio real de conhecimento pessoal e um local onde se pode comunicar/dialogar, há um fator limitante que tendência esta experiência a ser uma ilusão: eu mostro apenas o que quero que vejam. Já no convívio direto os meus gestos, a minha entoação de voz, a linguagem corporal, a resposta imediata frente aos estímulos e minhas atitudes reais tornam-me muito mais vulnerável a ser realmente conhecida tal como sou.

Consequências da ausência dos pais

Claro que essa desconexão dos relacionamentos concretos é um problema. E torna-se muito mais grave (e com fortes repercussões) quando a conexão enfraquecida é o laço familiar os filhos, quer sejam crianças ou adolescentes. A criança nasce completamente dependente da atenção dos pais. À medida que vai crescendo, vai aprendendo a ter autonomia e tornando-se mais independente.

No entanto, a atenção real dos pais é indispensável para o saudável desenvolvimento emocional dos filhos. Vários estudos mostram que as consequências da ausência dos pais são graves e podem causar agressividade, tristeza, desenvolvimento de tiques e inclusivamente pode refletir-se na vida social e no desempenho escolar.

Presentes e ausentes ao mesmo tempo

Muitos pais estão presentes e ausentes ao mesmo tempo, ou seja, estão presentes fisicamente, mas estão constantemente on-line . A criança sente-se ignorada emocionalmente. Os pais passam muito tempo ligados a outras distracções, nomeadamente, Telemóvel, Ipad, notebook, TV…  Corpo presente, mente e atenção noutro lugar, com outro foco. Esta falta de atenção gera o sentimento de não se ser importante. De não se ser suficientemente amado para ter a atenção da mãe e do pai. Os filhos precisam de sentir que há envolvimento dos pais, que sentem o prazer da sua companhia, que se estão a divertir quando brincam ou fazem uma actividade em conjunto. O contacto físico e o carinho representam estabilidade e segurança para que os nossos filhos aprendam o que é um relacionamento afetivo.

Degraus do amadurecimento humano

Sabemos que a vida passa a correr, e por isso mesmo é preciso que o tempo designado para estar com os filhos seja de grande qualidade. São preferíveis trinta minutos de exclusividade do que o dia todo ao lado deles, mas constantemente nas redes sociais. Um dos grandes degraus do amadurecimento humano é aprender a dar importância ao que é importante. Eu sei que os teus filhos e a tua família são importantes para ti, por isso assume a tua posição e está presente. Presente de verdade, por inteiro e entregue aos teus filhos. Vais ver que te vais surpreender com a resposta deles quando te entregares por completo. Encontrar filhos abandonados emocionalmente pelas famílias é uma dura realidade. Não queiras fazer parte dessa estatística.

 

Por Roberta Castro, revista Canção Nova, adaptado por Up To Kids®

 

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