larguem as mães

larguem as mães

Larguem as mães!

No outro dia, estava com a Luísa num centro comercial, uma senhora de uns 60 anos veio ter comigo e disse-me: “não me leve a mal….” (pronto, ela aí vem) “mas não devia estar a pegá-la ao colo assim. Ela é muito pequenina, faz-lhe muito mal às costas.” Sorri e agradeci. Acredito veementemente que a intenção era excelente, mas é chato. É chato ter sempre alguém que nos chama a atenção para o que – hipoteticamente – estamos a fazer mal, é chato termos de estar sempre a pôr em causa o que fazemos e como fazemos, é chato ter o mundo sempre a validar o nosso papel de mãe. Acho que o facto de sermos mães (jovens?) parece dar aos outros legitimidade para opinarem. Parece que quando há bebés e crianças ao barulho, as pessoas se esquecem do que é socialmente aceitável. Duvido que se eu estivesse somente sozinha a comer um bife com batatas e arroz, alguém me fosse dizer “não me leve a mal, mas sabe que é redundante estar a comer na mesma refeição arroz e batatas, ambos hidratos“. Ou caso estivesse de saltos altos finos “não me leve a mal, mas seria menos mau usar cunha e compensado, porque assim reduz muito a estabilidade do contacto do pé com o solo e altera a posição do joelho, da anca e da coluna lombar, o que a médio prazo lhe vai fazer muito mal à sua saúde.” Quando temos uma criança na barriga, nos braços, no carrinho ou no canguru, ficam com um sentimento de pertença qualquer (já alguém dizia “as crianças são do mundo“…) e acham que podem e devem aconselhar, questionar, sugerir, comentar TUDO o que lhes diz respeito.
– é menino? /é menina?/ mas tem cara de menino, não tem?/ ah é tão bonito, parece mesmo uma menina!/ agora tem de ir ao menino. /um casalinho, que bom, fica já despachada! /assim TEM de ir ao terceiro… /ainda vai à menina.- mama?/ não mama?/ porque já não mama, se não é indiscrição (é, é indiscrição!)?/ tão gordinho!/ tão magrinha!/ tão pequenina!

– anda no carrinho?/ e gosta?/ anda sempre ao colo? habitua-se mal/ cuidado com as perninhas/ coitadinho fica todo amassado / ele assim fica moído / ele assim no carrinho não vê a rua, vire-o para a frente / ele consegue ir no carro contra a marcha?

– que menino tão feio, a fazer birra/ tão bem comportadinho, espere pelos 4 anos, são os piores/ ele tem de ouvir “não” / olhe que assim fique mimado

– oh tadinho, essas modernices das comidas saudáveis / eles têm de provar de tudo / eles não podem comer isso com essa idade / olhe que se vai engasgar, o meu sobrinho…

– está a transpirar muito, tadinha, veja se se constipa / está muito frio aqui, cuidado que ele está a apanhar vento na cabecinha / eles têm de ter uma camada de roupa a mais que nós / eles têm exactamente o mesmo calor e frio que nós temos

 

enfim, tudo o que envolva o sono, transporte, hábitos, brinquedos, saúde, sapatos, televisão e novas tecnologias, horários, sol, passeio, comida, etc, etc, etc.
Larguem as mães!

2 thoughts on “Larguem as mães!
  1. Concordo plenamente com a Inês Clímaco. Há sempre coisas a aprender, seja o primeiro, segundo ou terceiro/quarto filho. E depois, é natural que pessoas mais velhas, gostem de dialogar com as jovens mães. Faz parte de nossa condição de mulher…. Daqui a vinte ou trinta anos, a jovem mãe aqui mencionada poderá já ser avó e, provavelmente, terá uma reacção semelhante à das pessoas que ela, noutra época, achou um bocadinho “metediças”

  2. Inês Clímaco diz:

    “Larguem as mães”, penso que muito do que aqui está escrito foi levado ao exagero! As mães e eu também o sou, deverão ter a humildade de assumir que não sabemos tudo e, se formos mães de primeira viagem, o mais correcto é apoiarmo-nos na experiência das pessoas que já passaram pelas minhas situações. Todas as mães querem ser super mães, mas a verdade é que não há super mães. Todas erramos, mas o importante é termos disponibilidade e humildade em estarmos abertas a aprender e meditar sobre os conselhos que nos dão, pois acredito que, agindo desta forma, estamos a melhorar o nosso papel de mãe.

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