Les adultes terribles

A propósito deste fenómeno das redes sociais e dos grupos de autoajuda parental.

Temas que, como todos nós sabemos, dão pano para mangas. Cada um tem a sua forma de estar na vida e, para alguns, isso é perfeitamente inaceitável! Surgem, nestes grupos, um sem número de pedidos de ajuda, perguntas que nos trazem imensas oportunidades de aprender, teorias parvas para uns e muito-à-frente para outros, trocam-se fraldas ao vivo, mostram-se macro zooms das irritações dérmicas das crianças e por aí fora. Mas aprende-se imenso! Seria perfeito se não surgissem os chamados “Les Adultes Terribles”.

“Les Adultes Terribles”, são aqueles adultos que não gostam de “perder” nem a feijões. Tudo o que fazem, dizem ou escolhem é o mais, maior e melhor de todos os tempos. Dei por mim a aconselhar um médico. Limitei-me a partilhar a minha experiência, que claro que foi boa, porque senão não valia a pena contá-la. Nos comentários a seguir, “lincharam” completamente o “meu” médico. ASSASSINO! Não, não foi isso, mas não atendeu o telefone quando alguém precisava dele. Poderia estar a atender uma urgência de outra criança, ou quem sabe uma urgência familiar. Egoísta! Claro que depois disso, li vários comentários sobre outros médicos, sugeridos por outras pessoas, uns também foram logo ali executados em praça pública. Ahhh! Depois chegaram os comentários do “melhor médico do mundo!” e “melhor do que este, em Portugal, não há!” e ainda há quem tenha usado um trunfo mais forte: porque o meu é chefe de não-sei-quê e manda postas de pescada não sei para onde.

Acabei por perceber que aquilo afinal era uma competição… entre pessoas adultas e idóneas. NOT!

Pobres dos que ali estão com boa vontade. Também me cruzo muitas vezes, nestes grupos, com pessoas que adoram dizer coisas que sabem que vai dar discussão da grossa, tipo: “Alguém aqui tem pachorra para as mãezinhas que vêm para aqui dizer que têm empregadas domésticas?” OU Partilham um vídeo de uma mãe qualquer a dar de mamar a dois filhos ao mesmo tempo sendo que um deles já está quase no 2ºciclo. E ficam ali à espera até que alguém diga qualquer coisa. Não vale responder porque tudo o que se disser poderá ser usado contra nós – Nem coraçõezinhos amorosos, nem caras de cagaço! Esqueçam, aquilo é uma ratoeira. Sim, há pessoas que se alimentam disto. Passam a vida nas páginas de jornais e revistas a dizer mal de tudo, a achincalhar e a ser só do contra porque vivem disso. Tão coitadas… Têm um lado bom, sabem de TUDO. Porque leem TUDO. Mas só têm ar na cabeça.

Também ando a “estudar” umas aves raras, que aprenderam a construir uns textos lindos de morrer e que, ao mínimo deslize de alguém que não gramam, fazem avisos automáticos e irritantes que fariam rir plateias se saíssem para o mundo em formato de filme! “Ó Mãe, acho que todas as outras utilizadoras concordam que a mãe está a sair um bocadinho das conformidades do nosso grupo. Estamos todas aqui pelas mesmas – boas – razões: Partilhar e ajudar o próximo, sem ofensas, nem discursos acusadores. Certo?” ou então irónicas, “Só você é que tem razão, querida!”. Parecem estar constantemente à espera de um deslize e, normalmente, têm as armas todas apontadas a uma pequena listinha de ódio de estimação. Dão sempre uma no cravo e outra na ferradura e tentam sempre incluir-se, porque fica bem no filme: “Todas nós já tivemos momentos maus. Mas todas nós soubemos admitir que os tivemos”… e ficam ali a aguardar um pedido de desculpas e likes, “montes da likes”. Costumam ter uma legiãozinha (felizmente pequena, apesar de serem sempre os que mais participam), que adoram falar imenso sobre nada, e explorar o tema… passam lá o dia. Tipo pocilga!

Quanto aos administradores destes grupos, já vi de tudo: os que deixam andar e não se querem chatear – criaram o grupo, mas acreditam que agora se gere sozinho; os que são os verdadeiros líderes e conseguem de forma imparcial gerir um grupo (dentro do possível). Parecem águias, estão atentos a todos os comentários, e quando têm de chamar a atenção de um qualquer infrator fazem-no com educação, e muitas vezes por MP; e os que controlam tudo no grupo e que embirram com a maior parte que lá escreve. Independentemente de terem 100 ou 10 000 seguidores, apanham-se com a chave da retrete, e tendem a tornar-se uns pequenos ditadores dentro daquele espaço que consideram SEU. Tal como as crianças mimadas numa guerra de irmãos dizem “sai do meu quarto“, quando confrontados, soltam um “sai do meu grupo“, super mimado e detentor de quem TEM A CHAVE!

Pior do que os Terrible 2’s, ou a idade do armário, são mesmo estas birras dos “Les adults terribles”.

Criam-se perfis, amizades e histórias completamente “ao lado”. Vomitam-se as raivas e as frustrações para… Esperem! Pára tudo! Para quê mesmo?! Boa pergunta… Comecei por falar de grupos de autoajuda parental?

Hmm, auto-ajuda parental, neste caso, poderia ter um significado completamente diferente.

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