A minha filha tem fúrias.

A minha filha tem fúrias. E agora?

A minha filha tem fúrias

Faço esta pergunta como mãe e ainda estou à procura de respostas.

A minha filha tem 4 anos, é um amor, carinhosa e preocupada mas também tem fúrias. Há alturas em que passa para o lado de lá da força e nessas alturas vai tudo à frente.

Há uma tendência de os pais ficarem incrédulos porque não foi assim que educaram os filhos. Ou porque simplesmente foram crianças tão diferentes deles.

Cresci a ouvir dizer que nunca tinha feito uma birra e, bem, digamos que não somos minimamente iguais.

Conheço a minha filha como ninguém mas isso não significa que saiba tudo sobre ela ou que consiga perceber tudo o que está a sentir.

Tento, é esse o meu papel, e tento também orientá-la dentro da raiva e fúria que está a sentir, a frustração que transmite no seu comportamento.

Tento que perceba que pode comunicar de outra maneira.

Uma das estratégias que encontrei foi pedir-lhe que me tente explicar o que está a sentir usando palavras. Sei que isto, para quem está fora de si, dá vontade de chutar o balde e mandar o outro para um certo lugar. E às vezes não resulta. Noutras resulta e ela vai verbalizando e eu vou tentando ajudar a falar, a exprimir, a explicar.

Mas há alturas em que nem ela sabe já o que a deixou assim e, por isso, esta estratégia não resulta.

Já fiz este mundo e o outro e tento seguir o meu instinto no momento.

É cansativo, suga-me a alma e muitas vezes acabo derrotada e a chorar por dentro (até que posso chorar para fora), mas procuro fazê-la perceber que não é assim que se resolvem conflitos ou se manifesta tristeza ou raiva. Não deveria ser.

Já li que as crianças só têm maturidade emocional por volta dos 5 anos e estou a contar os dias para lá chegar, para provar a teoria, sabendo à partida como todas as crianças são diferentes e como os timings variam de umas para outras.

Quero que sinta que se pode exprimir. Mas que entenda que nesse processo não pode magoar os outros, verbal ou fisicamente – e não se pode magoar a si.

Este processo de não desistir dela e de não a deixar por sua conta dá-lhe a segurança de sentir que, apesar de às vezes errar, não está sozinha.

Porque não está e canso-me de lho dizer.

Às vezes termina a pedir-me desculpa e a dizer “vamos voltar a ser amigas”.

Explico-lhe que nunca deixei nem deixarei de ser sua amiga porque ela age de maneira errada comigo. Porque sou sua mãe e estou aqui para a ajudar. Mas faço questão de dizer que para as outras pessoas isto pode não ser válido, porque quero que compreenda que não se pode fazer tudo aos amigos. Há coisas que simplesmente não têm perdão e não podemos esperar que nos aceitem depois de errarmos. Podemos desejá-lo, trabalhar para isso, mas não exigir isso dos outros.

Porque este amor incondicional pertence aos pais. E nós somos os primeiros a terem de ser tratados como tal.

Se desse lado também há dias cinzentos, muita força. Às vezes temos de atravessar a tempestade de mãos dadas para conseguirmos chegar juntos até ao arco-íris.

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