Às vezes basta estar presente

Às vezes basta estar presente

A felicidade da minha filha de quase quatro anos é algo “fácil” de alcançar. Basta a perspetiva de uma ida à praia, de um passeio de barco, de irmos visitar a bisavó, de iniciarmos a leitura de um livro novo antes de deitar, de contar os dias para os quatro anos para poder ter um passe para usar no metro…

Tento que a felicidade lhe surja devido aos sentimentos que tem quando está a fazer alguma coisa ou na presença de alguém.

Tento que valorize os abraços tanto quanto uma ida ao teatro.

Tento que goste de estar com as pessoas, mesmo que não haja grandes planos de saída de casa.

Gosto que venha brincar comigo para a cozinha quando preparo o jantar e, para isso, venha carregada com a artilharia de brinquedos para ficarmos bem rodeadas as duas enquanto conversamos.

Gosto que fique feliz quando me digo orgulhosa de uma sua conquista.

Quando me vê chegar à escola. Quando vê que o lanche é maçã, que era mesmo o que lhe estava a apetecer.

Quando consegue subir sozinha para o baloiço e baloiçar sem ajuda, ainda que não consiga chegar ao chão e me vê aplaudir e ficar feliz também.

Tento que se lembre que acordar de manhã junto a quem gosta dela, a abraça e a beija é suficiente.

Que entenda que nada lhe falta e, por isso, é sortuda.

Que é bom conversar, verbalizar o que sente, mas que não quero que se preocupe com o que não tem de se preocupar: para ser adulta estou cá eu.

Orgulho-me de a ver feliz a correr na relva, a subir às árvores, a comer um pedaço de pão. A encontrar um amigo no jardim e a fazer conversa. A oferecer os seus brinquedos e a combinar brincadeiras sem ser preciso incentivar.

A lembrar-se da prima quando lhe dou algo do Frozen e me pergunta se não posso comprar igual para ela, porque ela gosta mesmo muito da Elsa.

Que as pessoas que nos encontram no caminho para a escola sorriam ao vê-la cantar, alegre, logo pela manhã e lhe digam que esperam que ela continue bem disposta e feliz.

Porque ela é.

Com as pequenas e com as grandes coisas.

Espero continuar a ter um papel activo para que não se esqueça da importância das primeiras e a aprender a relativizar as segundas.

A felicidade está no que fazemos com o que temos, o que somos, o que a vida nos dá.

Às vezes bastava que nos lembrássemos de dar a mão a quem está ao nosso lado.

Porque tantas, tantas vezes, a felicidade é apenas estar lá.

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