Medos na infância – o que podemos fazer para ajudar

Medo da trovoada, do escuro, dos monstros, de dormir sozinho…
Os medos podem manifestar-se por diversos motivos e sob diversas formas na vida de uma criança, e o papel dos pais, ou cuidadores, é fundamental para ultrapassá-los, evitando que se tornem traumas mais dificeis de superar.

O termo “trauma” deriva do grego e a sua tradução literal é “ferimento”.

Para lidar com os medos de uma criança o primeiro passo é oferecer segurança.
Acima de tudo deve respeitar-se a situação, nunca substimando o medo, pois o mesmo poderá ser um alerta sobre algo que tenha acontecido.

O que é que, perante uma criança que sofreu um trauma ou desenvolveu algum medo, podemos fazer? Como remediar? O que fazer primeiro?
Todo o esforço, por menor que seja, no sentido de proteger o desenvolvimento infantil, terá o seu efeito. Devemos, portanto, focar-nos em ajudar a criança, tentando ultrapassar o “ferimento” através dos meios que estiverem ao nosso alcance.

Em crianças muito pequenas podemos pensar, por exemplo, nas massagens, preferencialmente com um óleo adequado pois, através do toque e do calor das mãos, transmitimos cuidado e relembramos o corpo do seu ritmo metabólico.

Um brinquedo de conforto (também conhecido por doudou ou «ó-ó») será um pequeno amigo para o bebé, que nele encontra uma referência, algo que permanece com ele. Novamente, passa pelo conforto físico e pelo ritmo, por ser algo que está sempre lá, trazendo descanso.

Também uma swaddle, para embrulhar o bebé de poucos meses, poderá ajudá-lo a sentir-se apaziguado e seguro, além de o manter quentinho. O calor do corpo (não em excesso, obviamente) é importante para que a criança se sinta confortável, se sinta bem com o seu corpo, num momento em que possivelmente há uma debilidade que, sem grandes surpresas, passa pelo sistema metabólico. Quanto mais suaves e macias  forem as roupas, mais conforto poderão trazer à criança. Tudo o que possa contribuir para um conforto físico (seja o da pele ou o do meio envolvente), será benéfico para ajudar a ultrapassar o trauma.

Até aos 3, 4 anos, poderemos optar por manter a criança perto de nós, num porta-bebés. É sabido que um pano ou mochila ergonómica tem um valor inestimável no que toca à confiança que se vai gerando ao longo do tempo na criança transportada, graças ao contacto muito próximo que se cria, revelando cuidado por parte do utilizador do porta-bebés.

Para crianças mais crescidas há outros recursos igualmente importantes, como pintura, desenho, música e dança, enquanto meios de expressão e de cura – nomeadamente quando as crianças não conseguem falar sobre as suas experiências. Brincar é uma ferramenta vital para qualquer criança, pois  é na brincadeira que geralmente se reflecte o seu estado anímico. Assim, é imprescindível observar a criança enquanto brinca. Fornecer-lhe brinquedos que tenham qualidade, quer ao nível pedagógico como sensorial, para trabalhar os vários sentidos (tato, audição, visão) e o movimento. Quanto mais naturais forem os materiais dos brinquedos, mais próximos se encontram da própria natureza da criança.

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Se a atuação dos pais não for suficiente e os temores se tornarem excessivos, passando de um medo natural para uma fobia permanente, causando alterações físicas e psiquicas, inclusivamente, a atuação dos pais deve ser complementada por uma ajuda mais especializada e profissional.

Em resumo, nunca devemos negligenciar o medo de uma criança. A compreensão e a conversa serão, sem dúvida, otimas ferramentas para o ultrapassar. Além disso, todo o cuidado que possamos oferecer-lhes, seja através do toque, do calor físico e anímico de um porta-bebés, da roupa confortável que os envolve e/ou brinquedos que lhes dão alegria, valerá a pena. Porque o mais importante é trazer de volta a merecida alegria à criança.

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