Mudança de escola

Com o início do novo ano letivo decidimos mudar os miúdos de escola. Seguimos o nosso coração e a nossa cabeça, eles precisavam de mais, não mudar era continuar a ignorar o óbvio.

Sabíamos que ia ser muito difícil para eles, a mudança de escola exige muito de qualquer um e querer que as crianças lidem com a mudança e com os sentimentos inerentes à mesma de ânimo leve é ser muito ingénuo.

Eu não fui completamente ingénua, fui talvez otimista demais. Estava preparada para a dificuldade, para choros e birras, para as emoções e para a insegurança, não estava era preparada para estas duas últimas semanas.

Foram duas semanas com birras demoníacas e se esperam que vos diga que já acabou, não, não acabou.

Passo os dias a repetir a mim mesma que vai correr tudo bem e que eles se vão adaptar à escola nova. Procuro dentro de mim a paciência que não tenho, invento a calma que acho que é precisa, a mãe que grita está escondida algures numa gruta para não piorar as birras e rezo a todos os santinhos em que não acredito, para que se faça luz e que isto melhore antes que eu fique completamente maluca. E juro que já não falta muito.

Toda a minha energia física e mental tem sido sugada para esta adaptação. São os choros desesperados das manhãs, são as birras do final do dia que mais parecem saídas de um filme de terror e eu sinto-me uma malabarista que em vez de bolas nas mãos, tem birras que vai fazendo girar no ar, para que nenhuma caia no chão e rebente como uma bomba atómica.

O meu cérebro está esgotado, não consegue juntar duas palavras sem enorme esforço, sinto dores no corpo como se tivesse sido atropelada por um camião, mas mesmo assim eu continuo a repetir sem parar que vai correr tudo bem, que os miúdos se vão adaptar e aproveitar ao máximo a nova escola.

Já estarei maluca?

LER TAMBÉM…

Adaptação na escola

Mudar. É bom ou mau?

A Escola é parte integrante da vida das crianças

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.