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No Carnaval podes ser quem quiseres!

Passadas as festividades de Natal este é o “feriado” mais aguardado pelas nossas crianças. Afinal, a vida são dois dias e o Carnaval são três.

Lembro-me de ser pequenina e ficar maravilhada com os fatos que a minha mãe me fazia para usar no desfile da escola: na altura não havia tantas opções para compra e, convenhamos, eram bastante caras. Vivia aqueles momentos como se fosse um sonho, podia ser a bailarina mais aplaudida, a dama antiga mais elegante e andar vestida assim durante um dia inteiro (logo eu, que sempre adorei usar os sapatos de salto alto da minha avó quando os meus pés não enchiam nem um terço do sapato, ou adorava mergulhar nas pinturas dela com a minha prima e usar aqueles batons de cores vivas sempre que tinha oportunidade…).

Durante a adolescência passei a odiar os Carnaval, pelo que ele significava (não, não foi a redução das férias de uma semana para três dias ?): bombinhas de mau cheiro, balões de água mandados com toda a força contra as minhas costas ou peito, de maneira a que até perdia o ar. Porque o Carnaval não era nada daquilo e, convenhamos, eu levava a mal.

Depois de ser mãe voltei a deliciar-me com os disfarces, com as possibilidades infinitas que existem hoje em dia. A verdade é que muitos miúdos usam já os fatos dos seus super heróis, princesas ou piratas preferidos sem ser em dias especialmente designados para tal, mas o Carnaval continua a ser aquele momento em que podem ser aquilo que sonharem. Fatos mais ou menos elaborados, mais ou menos caros, o que importa é o sorriso no rosto dos miúdos. São as purpurinas nas bochechas, os tutus nos rabos de fralda, aquele disfarce de girafa ou de capuchinho vermelho.

As mães de meninas “sofrem” um pouco mais com a pirosice, é verdade, mas também têm mais oferta. E um dia (ou três) não são dias.

O importante é darmos asas às nossas crianças para voarem. Se quiserem voar, porque também há casos de miúdos que não ligam ou não gostam mesmo desta tradição.

Respeitar, não impor, combinar dentro do razoável. E isso é válido para o Carnaval como para o resto do ano.

Cá por casa o fato (que vai ser o mesmo do ano anterior, trazido pela avó paterna especialmente de Espanha) foi conversado atempadamente para gerir alguma contrariedade com tempo, mas não foi preciso. A única coisa que a minha filha pediu foi para pintar as unhas, coisa que nunca lhe é autorizada nos restantes dias. Vai acontecer (a mãe “chata” já comprou um verniz próprio para crianças, à base de água) e isso sim tem sido para ela motivo de verdadeira antecipação.

Porque, sejamos sinceros, muitas vezes a exigência dos nossos filhos é criada pelos adultos à sua volta. Queremos corresponder, queremos que eles se sintam incluídos, queremos que eles sejam felizes. E na maior parte dos momentos esquecemos o mais importante: eles não precisam de muito para o ser.

Dêem uma coroa de cartolina com purpurinas coladas, uma camisola do clube do coração ou uma espada feita em esferovite a uma criança e ela tratará de construir o mundo perfeito à sua volta.

Eles têm dentro deles a maior das qualidades, os seus sonhos não têm limites, assim como a sua imaginação.

Que nestes dias possam ser ainda mais felizes dando largas ao mundo de fantasia onde ainda podem viver.

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