O (nosso) amor

O nosso amor tem espaço para a novidade mas não se importa nada com a mesmice das rotinas.

Surpreende todos os dias porque cresce, aconteça o que acontecer.

É repleto de beijos e abraços, mas sei que nem sempre procurarás o meu colo.

Guardo todos os nossos momentos numa memória que extravasa o disco rígido a que chamamos cérebro porque haverá alturas em que as memórias serão aquilo que nos apaziguará as saudades.

Sinto saudades tuas por mais absurdo que seja e faço-te saber disso.

Não sinto ciúmes e sei que sentes amor por outras pessoas e isso é bom (tão bom!).

Aproveito, mesmo que ensonada, quando é a mim que chamas porque sou eu quem tem a oportunidade de te abraçar a meio da noite e sussurrar-te ao ouvido como és amada.

Zangamo-nos e eu ralho, mas depressa volta tudo ao devido sítio. Não guardamos rancores, só guardamos o que é bom e que nos faz bem.

Limpo as tuas lágrimas e evito que vejas as minhas.

Às vezes surpreendes-me com carinhos que não foram pedidos e esses são os que sabem melhor.

Ensino-te o que sei e deixo-me aprender contigo.

Conversamos e conversamos e conversamos.

Dançamos juntas e cantamos sem música de fundo. (Enquanto não te sentes ridícula a fazê-lo. Comigo).

Conheço todos os teus amigos e eles conhecem-me, como devia ser em todas as relações. Dou-te espaço para que a nossa não interfira na vossa.

Faço-te rir e o teu sentido de humor enche-me o peito.

Passeamos e conhecemos sítios novos.

Não nos cansamos uma da outra.

Tenho orgulho em ti e isso deixa-me sentir também um pouco de orgulho por seres minha filha.

Conhecemos os gestos uma da outra.

Conversamos sem palavras.

Contrario-te. Faço-te crescer. Digo muitas vezes sim mas também digo não.

Porque nunca te vou dar tudo aquilo que queres mas tudo farei para te dar tudo aquilo de que precisas.

É este o nosso amor.

imagem@weheartit

O M do seu nome passou a significar também M de Mariana, o nome da filha de quase três anos, e M de mãe, este sim verdadeiramente maiúsculo.
Guionista

Sonhava ser escritora mas, aos onze anos, uma professora de língua portuguesa garantiu-lhe que ninguém em Portugal jamais poderia considerá-lo uma profissão digna desse nome

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