O preço de ter um filho

O preço de ter um filho

Nós, mulheres, somos fantásticas! Somos seres incríveis e imbatíveis, numa constante luta pela felicidade! Somos capazes de tudo! Somos tudo o que precisamos ser, somos a excelência do ser humano… Somos Fantásticas!
Esta bajulação gratuita do ser magnifico que é a mulher tem uma razão…
Desde pequenas que nos “atiram” bebés para as mãos… e nós gostamos! Está na nossa natureza, a maternidade!
Quando casamos ou nos juntamos começa a pressão. “Para quando um bebé?“. O que muita gente não sabe ou não pensa, é qual o preço de ter um filho.
Há muitas mulheres cujo sonho de ser mãe lhes corre nas veias! Mas a vida tem esta forma cruel de nos pôr constantemente à prova e, muitas vezes, quanto mais se anseia ser mãe, mais dificuldades se tem em engravidar ou levar uma gravidez até ao fim. Há mulheres que fazem tudo para realizarem o sonho de ser mãe!
Os tratamentos de fertilidade não são de todo fáceis… São fisicamente agressivos e psicologicamente violentos. São medicações com efeitos adversos horríveis e para muitas insuportáveis… São exames e análises constantes, são injeções, são testes negativos atrás de testes negativos! As semanas transformam-se em meses, e os meses em anos, e os anos em frustração e depressões!
Quando estes tratamentos (pelos quais ninguém deveria ter que passar) acabam, a luta continua! Perdas gestacionais, o pânico que algo corra mal, gravidezes instáveis…
Há gravidezes muito diferentes daquela que tive! Há gravidezes dolorosas e até assustadoras. Há problemas de peso, descolamentos de placentas, perdas de sangue, ritmos cardíacos instáveis do bebé, há infeções, diabetes, dores ciáticas, dores lombares, dores de cabeça insuportáveis, há perda de liquido amniótico, roturas de bolsas… um sem fim de coisas que correm mal e contra as quais nós mulheres lutamos com unhas e dentes.

Um dia, muitas vezes antes do que era suposto, o bebé nasce!

Contrações insuportáveis, dores de parto, epidurais pelas costas adentro, fazer força que nunca sonhámos ter, pontos e mais pontos, sete camadas de pele cozidas, e horas depois do bebé nascer, a mãe levanta-se e vai dar de mamar! Mamilos feridos, caroços no peito, febre, mastites… Vamos para casa. Toda uma casa para limpar e arrumar, receber visitas, o bebé a chorar, acordar milhões de vezes à noite mesmo só para ver se ele está a respirar. Olhar no espelho e não reconhecer aquela mulher…

Um turbilhão de hormonas descontroladas em nós, o corpo que nunca mais será o mesmo, sentirmo-nos tristes, felizes, deprimidas, alegres, sozinhas e completas tudo isto ao mesmo tempo.
Ser mãe é nunca mais sermos a primeira em nada!

Quando temos um bebé, podemos entrar numa sala cheia de gente e a maior parte nem repara que ali estamos, é dar o ultimo pedaço de chocolate, é dar a refeição aos filhos e só depois pensamos em nós… É prescindir para sempre de pequenos prazeres da vida como um banho demorado, ou um copo de vinho no silêncio de Blues à noite! É trocar o saxofone pelas musicas do panda, é ir comprar roupa e voltar cheia de sacos mas sem nada para nós, e com tudo para eles…

Ser mãe, é vê-los crescer, e um dia a voar para as suas vidas sem olhar para trás e ficarmos de colos vazios!
O preço de ter um filho é caro! Muito caro! É mudarmos tudo aquilo que somos… Ter um filho é para muitos um processo longo, demorado e doloroso…

E o mais incrível em nós mulheres…. É que, depois de sermos mães, passaríamos por tudo novamente.
Sem pensar duas vezes… está no nosso ser… a maternidade, o altruísmo!
Ter um filho tem um preço caro, mas que é impagável! É o nosso esforço derradeiro, para termos o melhor que a vida tem para nos dar!

Para todas as mulheres que têm/tiveram dificuldades em engravidar e/ou gravidezes e partos complicados só vos posso dizer uma coisa:
VOCÊS SÃO GRANDES!
Do tamanho do mundo!

imagem@Donagiraffa

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6 thoughts on “O preço de ter um filho
  1. Tanta coragem, tanto altruísmo, e nem sequer uma palavra de reconhecimento para o homem que esta ao vosso lado de cada vez que o teste da negativo. que vai dar o biberão às 3 da manhã para vos deixar descansar, que deixa de existir pois se o bebé esta em primeiro, o pai esta em ultimo, bem atrás de vocês, mulheres.

    E os comentários: “os homens só sabem se queixar, até parece que foram eles que o carregaram 9 meses!” ou “porra, tanto tempo sem ter um filho! não sabes fazer um filho à tua mulher?”.

    Não se esqueçam que se vocês tem o privilégio de carregar esse ser no vosso ventre 9 meses, nos só o conhecemos de verdade no dia do nascimento. nos construímos pouco a pouco a relação que vocês já têm desde o dia que vocês sabem que estão gravidas. E nos não temos as vossas hormonas em igual percentagem, o que faz com que vocês suportem bem mais facilemente que nos o cansaço, a frustração, a insegurança.

    os homens ganham peso como vocês (mas não o perdemos no dia do nascimento), estamos la para vos dar apoio nas vossas depressões pos-parto, muitas vezes sem sequer saber o que estamos a fazer.

    Tudo isto para dizer que nos estamos ao vosso lado e merecemos que a nossa participação seja reconhecida.

    1. Caro César,
      Tem toda a razão, em tudo que diz! Nós nem sempre vos damos o devido valor!

      Mas também é verdade que nem todos os companheiros são assim!
      Bem haja a todos os homens que se aguentam por estar em último, por um longo período de tempo, e apesar das contantes reclamações de nós mulheres , continuam lá, firmes (sabe Deus como), para nos apoiar, numa etapa tão importante da vida a 2.

    2. Filipa Ferreira diz:

      César,
      Merecem o reconhecimento sim. E eu sempre mencionei o GRANDE Sr. Pai da Criança que tenho ao melu lado. Mas tem toda a razão… Focamo-nos muito mais na mãe e menos no Pai que muitas vezes não merece ficar na sombra.
      Terei isso em conta e tentarei compensar. Prometo. Fica prometido um post dedicado a si, e a tantos pais que o merecem.
      Obrigada,
      Filipa Ferreira
      Autora de Sei Lá Eu Ser Mãe

  2. Susana Martins diz:

    Como eu me revejo neste texto…. Parte dele parece ter sido escrito por mim…. Sei bem o que é a dor, a incerteza, a depressão de anos e anos de tratamentos, de exames evasivos e dolorosos, de injeções, de dia e hora marcada para ter aquela relação sexual, a tal, que era a única oportunidade num mês inteiro, e de viver desilusões mês após mês sempre que a menstruação resolvia chegar… Foram três aos e meio de luta…. Mas finalmente chegou a minha oportunidade… E daqui a meados de 12 semanas o meu sonho concretiza-se… Desejo a todas que tenham força e principalmente que não desistam…não baixem os braços…

  3. renata Chaleira diz:

    Uma gravidez que dura anos ou perder variis filhos sem rosto. Forte carinho para todas as mulheres e homens que passam por isso.

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