Estilos de parentalidade

O que diz a ciência sobre o seu estilo parental – Prós e Contras

De Pais Tigre a Pais Apegados, O que diz a ciência sobre o seu estilo parental – Prós e Contras

Qual é a melhor forma de criar os filhos?

Esta é uma questão que tem permitido a publicação de inúmeros livros e criado uma verdadeira corrida entre autores para inventar o próximo nome peculiar para os diversos estilos de parentalidade existentes.

Diana Baumrind, uma psicóloga clínica e de desenvolvimento, conhecida pela sua pesquisa sobre estilos de parentalidade, distinguiu quatro principais tipologias parentais:

Pais Autoritários
São a autoridade em pessoa. Impõem regras aos filhos e quando dizem “salta”, os filhos respondem: “Quantas vezes?”

Pais permissivos
Não criam grandes expectativas, não definem normas e não pedem muito dos filhos.

Pais negligentes
Não se preocupam com os filhos e não fazem questão de ser parte ativa da vida deles;

Pais rigorosos ou Pais com Autoridade
São pais extremamente exigentes ao mesmo tempo que são altamente responsivos.

Segundo Rebecca English, professora de educação na Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, estas tipologias dividem-se em vários estilos, já tão bem conhecidos até pelos próprio pais e mães, são eles:.

  1. Pais Tigre, que são vistos como aqueles que forçam seus filhos a ter sucesso de acordo seus próprios termos;
  2. Pais Helicóptero, aqueles que assumem todos os aspectos da vida da criança;
  3. Pais Escavadora, que eliminam os obstáculos para tornar a vida dos filhos mais fácil;
  4. Pais Ar livre, que permitem às crianças uma grande dose de liberdade;
  5. Pais Apegados, que são relaxados, mas estabelecem limites em consonância com as necessidades e o caráter da criança.

Verifique então qual a sua abordagem parental, e quais os prós e contras de cada uma, segundo as pesquisas realizadas:

1. PAIS TIGRE

pais-tigre

Tipo de pai: Esperas obediência e excelência em tudo e exiges filhos que não desiludam.

Quem atribuiu este nome? 
Amy Chua, no seu livro “Battle Hymn of the Tiger Mother” (Hino de Batalha da Mãe Tigre, em tradução livre), de 2011. Chua descreve os pais tigres, muitas vezes vistos em famílias chinesas, como superiores aos pais ocidentais. Os pais chineses são sinónimos de força e não se inibem de insultar os filhos enquanto crianças. Estes pais acreditam que os filhos têm uma divida para com eles, e esperam ser recompensados com obediência e com um percurso que os deixe orgulhosos.

Por quê optar por este estilo: Os pais tigres são, como Chua explica, fruto da herança cultural e social oriental. Assim, quando exigem uma hora de prática de piano, faz parte de seu contexto cultural que a criança responda em conformidade. Os pais ocidentais têm dificuldade em emular os anos de cultura que levam a esse comportamento.
Há, também, pais seguidores desta abordagem, porque querem que seus filhos sejam bem sucedidos e acreditam que este é o método. Talvez tenham uma profunda insegurança sobre o futuro. Estes pais são mais propensos a ser autoritários.

Prós: Um filho de Pais Tigre pode vir a tornar-se mais produtivo, motivado e responsável..

Contras: As crianças podem vir a ter dificuldades na vida prática do dia-a-dia ou em situações que demandem novas configurações sociais, revelando um baixo poder de adaptabilidade, o que pode levar à depressão, ansiedade e habilidades sociais diminutas. Mas, novamente, é algo que varia de cultura para cultura.

2. PAIS HELICÓPTERO

Pais Helicoptero

Tipo de pai: Intervéns sempre que podes para evitar problemas aos teus filhos; estás muito envolvido na educação dos filhos e contactas frequentemente os seus professores e educadores; não consegues parar de vigiar os teus filhos na adolescência.

Quem atribuiu este nome?  O psicólogo Foster Cline e o consultor de educação Jim Fay cunharam a frase em 1990 no seu livro “Parenting with Love and Logic” (Criando filhos com amor e lógica). Descreveram os pais helicóptero como sendo confusos sobre a diferença entre dar amor e salvar as crianças de si mesmas. Outro nome para este tipo de criação é “overparenting”, termo que denota um exagero no cuidado com os filhos.

Por quê optar por este estilo: Estes pais são susceptíveis a recear do futuro dos seus filhos, talvez como os pais tigres.  Podem não confiar na capacidade dos filhos para enfrentar o mundo. Ao estarem por perto, acreditam que podem proteger os filhos de tudo.
Estes pais são, provavelmente, uma mistura das tipologias autoritária e permissiva, mas há pouca pesquisa sobre o estilo.

Prós: Os pais podem ser superprotetores, o que pode salvar as crianças ou adolescentes de problemas que eles não iriam prever.

Contras: As crianças podem ser pouco resilientes e autónomas, o que pode afetá-las até a idade adulta. Crianças com este tipo de pais podem desenvolver uma incapacidade de controlar seu comportamento.

3. PAIS ESCAVADORA

Pais escavadora

Tipo de pai: Removes eficazmente todos os obstáculos do caminho dos teus filhos. Talvez já tenhas incomodado o diretor da escola para conseguir um professor diferente ou subornado o treinador para conseguir um lugar na equipa de futebol para a criança.

Quem atribuiu este nome? Tudo indica que foi um termo atribuído pelo ex-professor do ensino médio David McCullough, que em 2015, publicou o livro, “You Are Not Special” (Não és especial), no qual implora aos pais para recuarem e deixarem seus filhos falharem. O livro foi baseado num discurso de formatura de 2012 que fez a estudantes do ensino médio.

Por quê optar por este estilo: Se acha o seu filho excepcional ou bom demais para falhar talvez se tenha identificado com este estilo parental. Em termos de tipologia, há alguns aspectos do autoritarismo à mistura uma vez que estes pais exigem sucesso (afinal, já facilitaram bastante o processo eliminando os obstáculos que apareceram). No entanto,são também bastante permissivos.

Pesquisa: Não há nenhuma evidência empírica para esta abordagem. No entanto, há uma série de artigos dedicados ao tema.
Assim, os prós e contras são, provavelmente, semelhantes aos dos pais helicóptero. Estes pais podem ajudar as crianças a sentir-se seguras e protegidas. Mas também podem fomentar um sentimento de “direito” às coisas ou de narcisismo nos seus filhos.

4. PAIS AR LIVRE

Pais ar livre

Tipo de pai: Acreditas que o teu papel é confiar nos teus filhos. Ensinas-lhes o necessário para se manterem seguros e depois recuas.

Quem atribuiu este nome? O termo ficou famoso num caso contra Lenore Skenazy, ex-colunista que escreveu sobre ter deixado o seu filho de nove anos de idade andar de metro em Nova York sozinho. A experiência levou-a ser rotulada como “pior mãe dos EUA o que a levou a escrever um livro sobre a luta contra a percepção de que o mundo está a ficar cada vez mais perigoso. Esta abordagem pretende que as crianças experimentem uma infância idêntica à que os pais experimentaram na década de 1970/1980.

Por quê optar por este estilo:  Psicólogos e especialistas sugerem que este estilo é uma reação contra a criação de filhos com aversão ao risco. Pode ser que Skenazy esteja certa e estejamos excessivamente preocupados sobre tudo, desde os germes até aos seres humanos. Enquanto Skenazy cita respostas de pais (e legisladores) que pensam que a abordagem é negligente, este tipo de abordagem provavelmente está mais alinhada com a tipologia autoritária, na qual os pais acreditam em ensinar as crianças a cuidar de si mesmas.

Prós: As crianças aprendem a usar sua liberdade, a ser autónomas e responsáveis. Também podem ser mais capazes de lidar com erros, ser mais resistentes e determinadas. Pode criar adultos mais felizes.

Contras: Os problemas neste tipo de abordagem estão principalmente relacionados com os aspectos legais. Nalguns estados americanos, por exemplo, é ilegal deixar os filhos sozinhos ou sem supervisão por determinado período de tempo. No Brasil, a Constituição diz que os pais têm o dever de assistir, educar e criar os seus filhos. Uma interpretação mais rigorosa pode impedir uma criação mais “solta”.

5. PAIS APEGADOS

Pais apegados

Tipo de pai: Acreditas que o apego de uma criança aos pais desenvolve todas as conexões subsequentes que uma pessoa experimenta. Ligações emocionais e físicas fortes com, pelo menos, um dos pais são essenciais para o desenvolvimento pessoal da criança.

Quem atribuiu este nome? A filosofia baseia-se no trabalho realizado pelos psicólogos John Bowlby e Mary Ainsworth sobre a teoria do apego.

A teoria do apego sugere que as crianças que desenvolvem laços mais fortes com os pais/educadores nos primeiros anos de vida, terão relacionamentos mais felizes e saudáveis enquanto adultos. O termo foi, em seguida, popularizado por um livro chamado de “Baby Bible” (Bíblia do Bebé), escrito pela família Sears, em 1993.

Por quê optar por este estilo: Porque os pais querem que seus filhos sejam positivos sobre si mesmos e nas suas relações pessoais à medida que amadurecem. A abordagem está associada à tipologia da autoridade. Estes pais tentam equilibrar a empatia com expectativas elevadas, criando uma associação que possa obter melhores resultados.

Prós: Oferece um refúgio seguro de amor e respeito que constrói os relacionamentos da criança e onde a criança pode experimentar com segurança o mundo.

Contras: Pode ser confundida com a paternidade permissiva. Também está associado, com o excesso de paternidade. Alguns especialistas sugerem que é um nome para mães que não conseguem cortar os laços com seus filhos, como costumamos chamar, mães galinhas!

 

Publicado originalmente em The conversation, traduzido e adaptado por Up To Kids®

imagem@wisie.com

2 thoughts on “O que diz a ciência sobre o seu estilo parental – Prós e Contras
  1. Gostei de ler o artigo e de saber que existem tantos tipos de pais. Nós fomos uns pais ao ar livre (pudemos fazer isso porque isso foi noutra época) e, muito francamente, acho que resultou a 100%. Hoje os nossos três filhos (que já têm as suas próprias famílias e filhos) são pessoas bem resolvidas e sabem / conseguem e sempre conseguiram resolver os seus problemas e assuntos. É claro que quando eram crianças ou muito jovens, havia uma certa intervenção da nossa parte quanto achávamos que eles, por si sós, não conseguiam resolver determinado assunto mas a nossa intervenção era mais no sentido de lhes proporcionar uma orientação e não de os substituirmos completamente. A liberdade com responsabilização é importante. Foi isso que aconteceu na nossa família e, francamente, acho que resulta muito bem. Tudo depende dos feitios e educações que cada um pretende dar.

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