Alergia alimentar e a falta de sentido da normalidade

A alergia alimentar do meu filho

Passaram-se quase quatro anos desde que foi diagnosticada a alergia alimentar ao meu filho, a qual, pelos motivos óbvios, trouxe restrições de ordem variada às nossas vidas.

Eu que não sou nada atreita a balanços tenho estado particularmente introspetiva nos últimos meses. Ao início, não percebi bem do que me encontrava a padecer, mas hoje sei-o perfeitamente: sinto falta de um certo sentido da normalidade nas nossas vidas. Poderão dizer que a questão da “normalidade” é muito relativa e eu concordo. Mas, a verdade é que somos portugueses! A alimentação tem um peso enorme na nossa cultura. Tudo nas nossas vidas gira em torno de uma mesa (ou duas) de comida! E eu, nos últimos anos, não tenho feito nada mais do que, “qual salmão”, nadar contra uma forte corrente.

A título de exemplo, em Novembro o meu filho fez anos e comecei a procurar espaços para sua festa de aniversário. Tinha um espaço cultural de uma autarquia debaixo de olho. O programa incluía teatro e depois um pequeno lanche. Eu expus a situação da alergia alimentar e ficaram de me apresentar uma solução. Esta não demorou, é um facto. Mas qual era?

“Todos os meninos comem o nosso lanche, com excepção do aniversariante, que terá de trazer o seu de casa”.

Como é que alguém acha razoável propor isto a uma mãe? Esta já é a realidade dele TODOS OS DIAS! O menino que leva marmita para as festas de aniversários dos amiguinhos (e para todo o lado, na realidade). Escusado será dizer que a conversa ficou por ali.

Acabámos por fazer a festa num espaço ainda melhor, com a presença de todos os meninos e com a alimentação 100% adaptada. Tudo feito em casa, claro.

Neste momento, esta é a nossa normalidade. Há-que aceitá-la.

imagem@szz

RECEITAS PARA APLV

Leite de Arroz e amêndoa (Robot de cozinha)

Pães de Leite de Aveia

Bolo de Chocolate | APLV

 

3 thoughts on “Alergia alimentar e a falta de sentido da normalidade
  1. Marlene Pequenão diz:

    Olá Teresa,
    Obrigada pela sua partilha!
    Concordo em absoluto com tudo o que diz! Aliás, se ler as minhas outras crónicas verá que partilho do seu espírito, relativamente a este assunto. 🙂
    Marlene

  2. De quem passa por isso desde 2010, quando para os médicos e enfermeiros tudo o que eram sintomas era normal para um bebé, com o diagnostico feito por mim (confirmado posteriormente num teste alimentar, quando lá encontrámos uma alergologista competente), com outra filha alérgica nascida em 2012. E quando entretanto a lista de alergias já cresceu para uma data de outros alimentos (mas nenhum tão mau como o leite), entre as alergias de uma e da outra, o que faz com só possamos comer fora onde sabemos que é seguro, quanto mais não seja para evitar aqueles 15 min a explicar o que não pode ter e porque (e fazer isto noutros países com a barreira da língua para além de não fazerem ideia que há pessoas com alergia ao leite, ainda mais divertido). E quando por muito que se explique, a maior parte dos familiares e amigos continuam a oferecer-lhes alimentos que elas não podem comer (o que vale é que elas com 3 e 5 anos recusam sempre e explicam que não podem), para além de levarmos quase sempre e/ou cozinharmos a nossa própria comida, diferente da dos outros, quando vamos a casa de alguém e até lá ficamos vários dias.
    Essa passa a ser a normalidade, andar sempre com lanches seguros no carro, levar um saco grande com comida para cozinhar onde quer que se vá, só fazer férias em locais onde se possa cozinhar e normalmente de carro, para poder levar as natas de soja que só há cá, os leites de soja que elas gostam e algumas refeições até se ir ao supermercado local (e na primeira vez há tantos rótulos para ler…). No entanto viajamos imenso, já fomos a muitos países, ficamos em apartamentos ou acampamos – ocasionalmente cozinhamos com o fogão de montanha e/ou forno portátil na varanda ou mesmo casa de banho do quarto 🙂
    É certo que alguém na festa se vai queixar que os bolos não sabem à mesma coisa, mas isso é um problema dessas pessoas (os nossos não levam leite nem ovos, mas não é por isso que deixamos de fazer as nossas sobremesas, bolos e biscoitos). Para nós são boas sobremesas, mesmo que não levem leite, ovo, certas maçãs, kiwis, morangos, nozes, ananás, bananas… E é muito mais divertido para elas ajudarem a fazê-las. Ainda ontem fizemos bolo rei, biscoitos de natal e chocolates com avelãs torradas no meio, hoje em dia na internet há receitas para tudo e com algum improviso fica ainda melhor.
    Bem melhor que ser normal é ser original e saudável 😉

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