deitar-os-meus-filho

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Odeio deitar os meus filhos

Eu amo de morte os meus filhos. Pronto, já disse. Amo-os mais do que a própria vida, e não imagino a minha vida sem eles.

No entanto…

Há uma coisa que não amo: ir deitá-los. Odeio deitar os meus filhos.

Uma amiga minha adora deitar os filhos. Fica ansiosa por aconchega-los na cama todos os dias. (Nem sei porque é que ainda sou amiga dela. Ela faz-me sentir mal comigo própria.)

Serei uma má mãe porque a partir da 19h controlo as horas como um falcão, até ao ponto de sentir o coração a saltar-me do peito de ansiedade por antecipação?

Desde o momento em que acordo de manhã, até à hora em que vou deitar os meus filhos, eu trabalho que nem uma moura. Faço de serviço de despertar, cozinheira particular, controladora de tempo, limpo de rabos, árbitro, motorista, terapeuta, senhora de limpeza, vendedora de roupas, comerciante, directora de actividades, líder de circo, sargento zero, guardanapo tamanho humano, consultora de moda, enfermeira, companheira de brincadeiras, alpinista profissional (figurativamente, não literalmente) mulher de todos os ofícios e mestre em NENHUM.

Espero um prémio por realizar todos estes afazeres sem qualquer agradecimento? Não. Eu só quero uma pausa de 15 minutos. Uma pausa mesmo. Não daquelas que me fecho na casa de banho e finjo que estou com uma dor de barriga (que não estou) enquanto eles batem à porta como se não houvesse amanha e a perguntam repetidamente o que estou a fazer porque estou a demorar uma eternidade (Not! passou 1 minuto), e porque é que não podem assistir.

Eu sei que muitas mãe me estão a julgar e a pensar que sou uma mãe desnaturada porque em vez de ler mais um livro antes de deitar os meus filhos, preferia sentar-me às escuras na sala com um copo de vinho na mão a tentar perceber, o que raio aconteceu ao meu dia… outra vez.

A rotina da hora de ir para a cama em minha casa é a seguinte: leio pelo menos 3 livros para cada um dos meus filhos (escolhem sempre as histórias mais longas), supervisiono o processo de escovagem dos dentes (onde nunca há espaço para todos em simultâneo no lavatório e cospem sempre ao mesmo tempo, dando origem a discussão) e escolto pessoalmente cada um dos meus filhos para os seus quartos separados, enquanto acalmo as birras e explico que a hora de ir para a cama não é negociável. Esta é uma batalha que nunca ganham.

Porque é que tenho de reviver diariamente esta sequência de acontecimentos que não é agradável? Não podemos aprender com o que aconteceu no dia anterior e simplesmente concordar que todos beneficiamos se fizermos uma auto-reflexão real relativamente ao comportamento antes da hora de ir dormir?

Quando já estão nos seus quartos eu tenho de “tirar” os pesadelos e monstros dos seus pensamentos (uma série intensa de acontecimentos que envolve eu convence-los de que tenho um qualquer poder mágico para fazer desaparecer os medos de cada um). Depois vou entalar-lhes os lençóis para ficarem bem apertados, dou-lhes mais de 27 abraços e beijinhos, segredo-lhes o quanto gosto deles ao ouvido, e depois tento sair à francesa, de costas pé ante pé, na esperança que este tenha sido o último contacto da noite. Mas incrivelmente, mal ponho um pé fora do quarto, as minhas duas filhas, como um relógio, têm uma epifania: “Mãe, esqueci-me de contar uma coisa muito importante!

E começa; é um ping pong em que eu sou a bola e ando de quarto em quarto, enquanto me imagino a saltar de um precipício enquanto grito: “DURMAM JAAAAÁ!”

A sério, estou farta e cansada. Apetece-me gritar. Preciso de gritar. Não o faço, claro, depois finalmente adormecem.

Nas duas horas seguintes antes de me ir deitar faço os lanches para o dia a seguir, certifico-me de que as calças de neve estão penduradas para não irem húmidas para a escola (que nunca estão), assino circulares de permissões para tudo, e tento beber a quantidade certa de vinho, para não ter dores de cabeça de manhã, mas para não me preocupar obsessivamente com o facto de que um dia eles vão crescer e eu sei que sentirei imensa falta da nossa rotina de ir dormir.

Conhecida actualmente como a tempestade que me atormenta noite após noite.

Por Jill Veldhouse, publicado em Scary Mommy

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