medos que transmitimos aos nossos filhos

medos que transmitimos aos nossos filhos

Os medos que transmitimos ao nossos filhos

Os medos que transmitimos ao nossos filhos

Mãe, o mundo é mesmo assim tão assustador?

Perguntando desta forma vais dizer-me que não; que não tem nada de assustador; de que é que eu tenho medo (?); que não devo preocupar-me, etc, etc… De seguida, vais a correr para a avó / meu pai / tua melhor amiga, fazer da minha simples pergunta, a tua maior preocupação e angústia.

Não te preocupes, mãe, que eu nunca ouvi essas conversas que tens com eles… pelo menos, não sempre… nem inteiras! Mas percebo quando não estás bem e sinto quando estás preocupada.

Sabes? Na verdade, a minha pergunta é só um reflexo das tuas atitudes. Imagina que tens a minha idade, e que delegas na tua mãe (naturalmente) a tua vida e, portanto, a tua segurança.

Agora, imagina, também, que a tua mãe passa grande parte do tempo a avisar-te de coisas como:

Não saltes daí, senão cais;

– Cuidado com os degraus, caso contrário tropeças;

– Veste o casaco ou vais constipar-te;

– Bebe mais água porque o corpo precisa;

– Sai do Sol, que faz mal à cabeça;

– Baixa o som. Cuidado com os ouvidos;

– Não corras, porque escorregas…

– …

E a lista podia continuar. Ah! E aquele “eu não te avisei?! Pronto! Não chores!!!” Não te parece difícil?

Querida mãe,  para mim, cair, tropeçar, escorregar, sentir o Sol, os ouvidos invadidos pelo som e, até mesmo, constipar-me, são experiências de vida. E chorar é o culminar dessa experiência – assim à laia daquele “visto” que se coloca no fim de uma tarefa concluída, sabes? Gostava de não te sentir tão aflita com tudo!

Eu percebo que queiras proteger-me mas, se a protecção fica tão revestida de preocupação, ao ponto de quereres antecipar (para evitar) tudo o que pode acontecer, passas-me a mensagem subliminar de que o mundo – que eu quero e devo explorar e descobrir –  pode ser menos interessante, e mais perturbador.

Os teus cuidados são úteis e necessários e eu preciso deles para crescer forte e saudável. Mas, preciso também, da tua tranquilidade e descontração – para que o meu crescimento forte e saudável seja, não só em termos físicos, mas também emocionalmente. Para eu sentir a força interior (auto-confiança) de explorar o mundo sem retracções, e poder enfrentar cada mudança / cada nova etapa sem ficar assustado.

Os alertas frequentes revelam a tua insegurança no mundo exterior – ou, pelo menos, assim eu interpreto – e causam-me desconforto e desconfiança face à novidade.

Combinamos uma coisa: fazemos isto juntos! Vamos acreditar que:

– quedas, tropeções e escorregadelas são marcas de felicidade na pele;

– o choro de dor, é só para ter o teu colo e sentir o teu apoio e amparo que alivia tudo (mas não vale dizeres “não chores!” Senão, volto a sentir a tua angústia! Se me dói, por que é que não posso chorar?)

– o Sol no parque, quando estou a divertir-me tanto, significa só um acréscimo de vitamina D, boa?

– e as constipações, além de não serem um mal maior, pode ser que melhorem o meu sistema imunitário (acreditemos!)

Assim, se não estiveres sempre a tentar evitar tudo, mostras-me a tua serenidade em cada novo passo meu, e eu sinto o desejo de explorar, com a auto-confiança que tu me transmites!

Do teu filho agradecido

P.S.: Tu consegues!!!

 

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