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Parem de pedir à mãe tudo e mais alguma coisa. Peçam ao pai!

Parem de pedir à mãe tudo e mais alguma coisa. Peçam ao pai!

Estava eu sentado no sofá com o meu filho de 9 anos, quando ele me mostrou que o Pikachu de peluche que recebeu no Natal estava roto. Foi o presente preferido dele e desde então tem andado com o boneco para todo o lado. Quando me ofereci para o coser, ele olhou para mim como um contrabandista olha para a autoridade quando percebe que vai ser apanhado. Os olhos ficaram gigantes. E depois abraçou o boneco, e encerrou-o entre braços para que não lho tirasse.

Os pais não costuram!” disse ele, como se fosse uma verdade universal!

Revirei os olhos. A minha mulher estava na sala a escrever no portátil e disse: “O pai sabe coser, aliás, até cose muito bem que eu já vi!”

O meu filho foi direto à mãe e enfiou-lhe o Pikachu ao colo, como se ela fosse obrigada a parar tudo o que estava a fazer para arranjar o estúpido boneco.

Todos os nossos filhos fazem isto: se querem um copo de leite, arranjar um boneco, ou calçar umas meias, vão sempre pedir a mãe. Agem como se a mãe fosse a única pessoa existente em casa, quando na verdade eu sou perfeitamente capaz de ajudar.

Só vêm ter comigo para perguntar onde está a mãe.

Eu oiço muitas vezes mães a queixarem-se de quão frustrante é estarem a cozinhar ou a terminar um orçamento, e os filhos interromperem para pedir que lhes sirva um copo de água, enquanto o pai está mesmo ao lado do frigorífico.

E vejo isso a acontecer na minha casa, em frente do meu nariz, e não me agrada.

Eu gosto de tratar dos meus filhos e sei que muitos outros pais pensam como eu.

E sinceramente não percebo porque é que tenho de forçar os meus filhos a deixarem-me ajuda-los!

Se a mãe não está, é uma coisa. Mas quando estamos os dois em casa eles agem como se tudo o que eu faço esteja contaminado. Já recusaram beber um copo de leite porque fui eu a servir e não a mãe e já tive de me debater à séria, corpo a corpo, para lhes calçar os sapatos, porque queriam que fosse a mãe, e não eu. É de loucos.

A Mel trabalha em part-time por isso está mais tempo em casa. Mas quando eu estou presente, apesar de resmungar com algumas coisas e obriga-los a realizar as tarefas que sei que conseguem fazer sozinhos, como pôr a água do banho a correr, eu gosto de sentir que faço mais alguma coisa pela minha família do que trazer parte do dinheiro para casa. Mas normalmente preciso de insistir muito para fazer alguma coisa por eles e mesmo assim ficam contrariados.

Peguei numa agulha e linha e pedi ao meu filho que me desse o Pikachu. Tive de argumentar pelo menos durante uns 5 minutos. Inventei que havia uma disciplina na escola chamada economia doméstica onde aprendi costura. Lá entregou o boneco. .

Enquanto eu cosia, ele olhava com atenção para o que estava a fazer como se tratasse de uma complicada cirurgia. Senti-me mesmo bem. Fiquei contente por o meu filho perceber que um pai também pode saber costura: coisa que obviamente ele achava ser uma tarefa da mãe.

E sinceramente eu nem sei onde é que aprendi estas coisas. Mas para mim é tão importante como ensinar ao meu filho a trabalhar com um martelo ou a fazer furo na parede.

É importante que, um dia que saiam de casa, os meus filhos sejam completamente autónomos e capazes de realizar quaisquer tarefas independentemente do género, e que não tenham vergonha quer venham a ser pais a tempo inteiro ou mães que trabalham muitas horas.

Os homens são perfeitamente capazes de acalmar uma criança a meio da noite, de gerir uma casa, de limpar rabos, e de realizar todas as outras funções que as crianças ainda consideram da responsabilidade da mãe.

No ano anterior ensinei ao meu filho a limpar uma casa de banho a fundo, a  preparar uma refeição básica, separar e dobrar roupa, a tratar do jardim,  e outras tarefas domésticas.

E cada vez que ele olha para mim com um ar suspeito eu acredito que, eventualmente, um dia há-de aprender comigo que a sua função como pai será muito mais do que simplesmente sair de casa todos os dias para ir trabalhar.

Quando acabei de coser os buracos, rematei com um nó apertado, e como era junto à costura do pescoço, nem sequer se notava. Devolvi-lhe o boneco e disse-lhe:

“Está como novo!” – Ele esboçou um daqueles sorrisos forçados dos miúdos que revelam um misto de felicidade e vergonha. – “Para a próxima, quero ver-te a coser!” – Disse-lhe, e dei-lhe um soco no braço. Ele revirou os olhos! O costume, vocês sabem como é!

Por Clint Edwards, para Scary Mommy, traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®