Qual a mensagem que personagens femininas da Disney passam aos nossos filhos?

Os filmes e desenhos animados que as nossas crianças veem têm um grande impacto no seu crescimento, sobretudo na construção da sua identidade. Estes são considerados artefactos culturais, assim como os livros e música, pois são capazes de transmitir legados de cultura e, por isso, devem ser encarados pelos adultos com seriedade, uma vez que as crianças realizam as suas próprias interpretações do mundo com base em tudo aquilo que observam ao seu redor.  É por isso comum que a maior parte das crianças se identifique com as personagens do mesmo género, muitas vezes interiorizando um determinado comportamento, modo de pensar ou valor, por exemplo.

No presente artigo, a preocupação recai sobre as personagens femininas dos filmes da Disney (as histórias mais conhecidas pelas crianças): qual a mensagem que estas estão a passar, sobretudo às meninas que se identificam como semelhantes?

Em 1937 surge Branca de Neve, uma personagem conhecida mundialmente ainda nos nossos dias.

A sua maior qualidade: a beleza.

A princesa é retratada como uma jovem bondosa, uma boa dona de casa, indefesa e frágil. À sua semelhança surgem outras personagens nas décadas seguintes como a Bela Adormecida e Cinderela. As três princesas viram o seu final feliz concretizado por um príncipe.

Cerca de cinquenta anos depois de conhecermos a primeira princesa, surge Ariel, uma jovem que apesar de aventureira, opta por trocar a sua própria voz pela oportunidade de conhecer o seu príncipe encantado, ou seja, abandona a sua liberdade de expressão para ir ao encontro das expectativas de outros.

“Um gentleman evita conversar,
Mas derrete-se se vê bem o silêncio de alguém
Convém não dizer nada para casar”

(Canção de Úrsula no filme A Pequena Sereia)

É Bela (em Bela e o Monstro, 1991) que contradiz a ideia de que a maior qualidade de uma mulher deve ser a sua beleza, priorizando, assim, a inteligência. É a partir desta personagem que se observam quebras de estereótipos, até então observados nos filmes para crianças.

Seguem-se personagens mais aventureiras e desafiadoras das regras, como Pocahontas e Jasmine.

Pouco antes de 2000 surge Mulan, a heroína da China! E é a partir desta que se seguem muitas outras personagens femininas que tomam o controlo da sua própria vida, não se submetendo à vontade de outros, como Mérida (em Brave), Tirana (Princesa e o Sapo) e Elsa (Frozen).

Facilmente conseguimos compreender que as características destas personagens procuram representar o papel da mulher na sociedade, dai a sua evolução ao longo dos anos.

Posto isto, encontramos dois grupos bastante distintos de personagens femininas neste conjunto de filmes:

  1. No primeiro encontramos um conceito de feminilidade ligado à docilidade, submissão e, principalmente, ao ideal de beleza;
  2. No segundo grupo predomina a independência, as personagens têm uma voz própria e não dependem de outros (como príncipes) para ter o seu final feliz, criando a sua própria felicidade.

Apesar de se verificar uma evolução na representação do papel da mulher nas histórias de encantar, as princesas mais conhecidas desde tenra idade são as que pertencem ao primeiro grupo, em que predomina o ideal de que a menina deve ser sossegada e portar-se bem para ser linda.

Após uma análise – que poderia ser aprofundada a um nível microscópico – levanta-se uma última questão reflexiva: quais destas características e exemplos das personagens femininas da Disney desejamos passar aos nossos filhos?

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Por Mafalda Dias

Surgiu de uma iniciativa da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa,em 2002.
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