mãe helicóptero

Querida mãe helicóptero: estás a estragar tudo!

Lá está ela, por baixo do meu filho de 3 anos, de braços abertos como se estivesse na igreja à espera que Deus lhe largue uma bomba em cima.

“Sabe quem é a mãe desta criança?” – pergunta-me quase a arfar, em pânico.

-“É minha”, respondo, “E já sobe essa escada desde os 2 anos

Ela olha para mim como um falcão para um rato. É aí que me apercebo que estou encurralada. Ela é uma controladora. E se eu não estiver sempre à volta dos meus filhos, ela vai fazê-lo por mim de uma forma pouco silenciosa enquanto me critica e julga telepaticamente.

Obrigada por me estragares o programa no parque infantil, fofa!

Porque existem dois tipos de pais no parque.

Eu vou muito com os meus filhos para o parque por duas razões: para que possam brincar com outras crianças, e para que aprendam a lidar com as situações por sim mesmos. Aprendem a testar os seus limites, a experimentar a sua capacidade física. “Será que consigo subir esta escada?” – se não conseguir, temos pena. Talvez consiga da próxima vez.. Aprendem a correr e a gritar e a fazer amigos e todas essas coisas que os miúdos aprendem nos parques enquanto eu fico sentada na conversa com outras mães. Porque isso é o que eu faço no parque. Eu converso com as minhas amigas mães, enquanto me certifico, ao longe, de que corre tudo bem.

Há vários motivos para eu levar os meus filhos ao parque. Mas eu não os levo lá para brincar com eles. E isso, aparentemente, faz de mim uma mãe negligente e merecedora de se chamar a segurança social, aos olhos do outro tipo de mães no parque. Essas são as mães helicópteros.

Estes pais nem sequer aquecem o banco de jardim. Estes pais vêm com um objetivo: brincar com os filhos. E não é à distância. Eles ensinam o Júnior a subir as escadas degrau por degrau, a descer o escorrega, empurram-no suavemente nos baloiços. Não há trepadelas pelo lado errado do escorrega. Não se sobe ao topo dos divertimentos mais altos. E muito menos se corre perto de qualquer coisa que possa andar ou rodar. Aliás, não podem fazer nada daquilo que os miúdos gostam de fazer no parque. Sei lá eu o que é. Não tenho 6 anos.

As arestas de plástico arredondados de cada brinquedo do parque não são o suficiente para essas mães, nem tampouco o chão emborrachado. Elas têm de estar ali, de braços abertos à espera de agarrar uma criança que possa cair. Elas seguem as recomendações de idades dos baloiços. E estragam tudo às outras mães.

Normalmente é assim: estou sentada a picnicar com um grupo de mães como eu. Uma até pode estar, cof cof, em pulgas para ir a correr de braços abertos para um miúdo, e a pior está de costas a mexer no telemóvel. De repente uma criança, normalmente o meu filho mais novo, tenta escalar cuidadosamente uma plataforma, talvez até grande demais para ele.

Onde é que está a tua mamã?” E ouço essa voz fofa a dizer ”Eu ajudo-te a subir”, e enquanto isso, olha à volta à minha procura para fulminar-me com os olhos.

Isto significa que tenho de levantar-me e tirar de lá o miúdo, porque se ele não conseguia subir sozinho, obviamente não vai conseguir descer.

Estas são também as mães que andam frenéticas a gesticular por baixo dos meus filhos cada vez que estão a subir umas escadas, a escalar uma parede ou a balouçar nas grades de macaco. As mães helicóptero ficam ali, de braços no ar, a olhar à volta à procura de uma mãe para culpar. “Ai, já estou cheia de nervos! – dizem alto e em tom depreciativo!

As mães helicóptero gostam de reforçar as regras do parque. Aquelas regras de bom senso, que não estão definidas em nenhum lado, e que toda a gente ignora. “Sobe-se pelas escadas e desce-se pelo escorrega!” dizem alto e em bom som e vezes infinitas. Olham para os meus filhos de lado até eu me levantar e dar a ordem “Meninos, não subam pelo escorrega!”.

Não pode haver brinquedos dentro do parque infantil. Nem pode haver lutas. Não podem atirar pinhas (mesmo que não sejam direccionadas nem acertem a ninguém). Não podem andar descalços. Não podem estar de tronco nú! (Ei, o meu filho molhou-se todo no aspersor de rega). E nada de brincar com terra ou na lama, porque dá mau exemplo. Não vão os tesouros preciosos e assépticos destas mães querer sujar-se também.

Eu não venho ao parque para fazer o meu papel de mãe. Eu venho para lhes dar liberdade, com limites razoáveis. Eu venho ao parque para deixá-los explorar. Eu venho ao parque para os meus filhos serem crianças.

E quando estas mães que me olham de lado pegam no meu filho e o colocam em sítios onde sozinho não conseguiria ir, estão a estragar tudo.

Querida mãe Helicóptero, quando te fartares de andar com o Júnior ao colo, a pô-lo e a tira-lo de cima de todas as escadas e divertimentos, podes  juntar-te a nós. É simpático estar de conversa à sombra. Nós somos divertidas.

Pode ser que o Júnior faça alguns amigos. Pode ser que corra e se suje. Pode ser que se torne no momento mais divertido de todo o seu dia.

Até lá, guarda a mania de controlar o parque todo para ti própria.

 

Por Elizabeth Broadbent, para Scary Mommy

 

Traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®
Todos os direitos reservados

 

10 thoughts on “Querida mãe helicóptero: estás a estragar tudo!
  1. Olá,

    Agradeço a sua resposta, por coincidênçia na sua resposta revejo as minhas atitudes para com o meu filho pois gosto que ele explore, que caia, que se levante, que se suje etc mas acima de tudo que o meu filho respeite as restantes crianças.

    O meu comentário vem principalmente no sentido que (na minha opinião) parece bastante deliberado que a autora do artigo “larga” no parque os seus pequenos e eles que se entendam pois a mãe/autora quer estar no seu tempo pessoal completamente alienada do comportamento dos seus rebentos… aliás como a própria menciona só quando “os pais olham os seus filhos de lado…” é que ela se lembra que o parque é dividido com mais crianças.

    É que eu tenho gosto e prazer em educar o meu filho mas pouca paciênçia para educar os filhos dos outros!

    Como já referi agradeço a sua reposta em particular o esclarecimento sobre a Upto Kids.

    1. Ora essa Bruno, os nossos leitores ajudam-nos a melhorar. Só quero ressalvar que o artigo é escrito por uma americana, e nestes conteúdos encontramos também grandes diferenças culturais. No entanto, gostamos destes exemplos, e destes pontos de vista diferentes. Ajuda-nos a ver para lá do nosso umbigo. Acredito até que algumas mães mais distraídas e descontraídas nunca se tenham apercebido que quando os filho utilizam o equipamento do parque de forma imprópria, incomodam as restantes crianças e respetivos educadores que lá estão. Às vezes é preciso revermo-nos nas palavras dos outros para percebermos os nossos erros. Eu própria já enfiei muitos “barretes” porque me serviram, mas aprendi sempre alguma coisa!

  2. Isso parece mais conversa de mãe que vai para o parque largar os bullies e os outros pais que tomem conta deles!
    Sim qual é o problema que o pequeno/a suba pelo lado errado do escorrega? Se calhar todos os outros miudos que subiram pelo correcto e têm de estar á espera de um puto que se lembrou de não seguir as regras do parque e tem uma mãe que senso comum tem pouco!

    Com pais assim percebemos por que cada vez existe menos civismo nas pessoas…

    Isto de texto humuristico tem pouco de sátira tem muito, mas para ler estes temas vou a outros websites, mas posso ser eu o enganado em relação ao Upto Kids quando pensei que era direcionado para outros temas

    1. Olá Bruno, a Up To Kids trabalha vários temas ligados à educação, cultura e parentalidade. Temos os especialistas que colaboram connosco e nos trazem textos sobre variadíssimos temas, e temos bloggers, nomeadamente estrangeiros, com quem criámos parcerias e nos sugerem artigos para publicação. O porquê da escolha deste artigo: porque a parentalidade tem muitos lados. Todas as opiniões de mães ou pais que nos façam entender o que se passa do outro lado, e que nos pareçam em alguma vertente, esclarecedores de comportamentos, atitudes e opções, nós publicamos. Nós não criamos opiniões, somos um agregador de informação. Obviamente, sempre seleccionada por nós.
      Da minha opinião pessoal posso dizer-lhe que deixo os meus filhos à solta no parque: se estiverem outras crianças, sabem que têm de respeitar as filas e a ordem dos divertimentos. Quando estamos sozinhos, deixo-os explorar livremente. Não interfiro no espaço de ninguém. Da mesma forma gostaria que ninguém interferisse no meu. Não iria tão longe como esta mãe mas revejo-me em algumas coisas: quando estou com os meus filhos em qualquer sítio, acontece muitas outras mães ou até avós sem crianças dizerem-lhes para não correrem porque podem cair, ou que se levantem do chão porque se estão a sujar. Eu estou ali ao lado. Não gosto do recado. Eu gosto que os meus filhos se sujem, que brinquem e sim, por vezes que se proponham a um desafio mais arriscado. Eu também o fiz, e acho que a desenvoltura que lhes dará de futuro não poderá ser adquirida em mais lado nenhum. Parece-me que a mensagem mais importante é respeitar o espaço de cada um e as regras de comunidade. Sabemos que a liberdade de uns acaba onde começa a de outros. Ensinemos os nossos filhos a respeitar.

  3. Não concordo com a maioria das coisas que estão escritas neste texto.
    Parece- me muito mais aceitável que uma mãe ou pai estejam perto dos filhos quando eles estão no parque do que na conversa com as outras mães.
    Os miúdos só aprendem regras e imites se o adulto as ensinar. Porque se todas as mães estiverem na conversa duvido que os miúdos brinquem, e vou dar um exemplo : quantas vezes os miúdos sentam-se no cimo do escorrega e não saem dali depois estão 3 ou 4 atrás e dá sempre mau resultado, ora se não houver um adulto a dizer para ele sair do cima do escorrega como é??? È aceitável que venha um mais velho e o empurre para resolver o assunto, sim porque assim a mãe continua descansada a conversar e o filho “desenrascado” resolveu o assunto ( se partiu a cabeça, temos pena).
    Tem de haver regras e se não estão escritas algures no parque , vale-nos o bom senso, porque se cada um fizer o que quer estávamos tramados, ou melhor, os pequenos de 3,2 anos andavam sempre a servir de tapete para os maiores.
    Claro que se a criança tiver 6anos a atenção a ter não será tão importante como se tivesse 3 anos mas por favor ninguém nasce ensinado.
    Diz no texto “Eu não venho ao parque para fazer o meu papel de mãe. Eu venho para lhes dar liberdade, com limites razoáveis. Eu venho ao parque para deixá-los explorar. Eu venho ao parque para os meus filhos serem crianças.” também não percebo , então uma mãe pode deixar de o ser? Ah agora vou deixar de ser mãe e vou ser a tua melhor amiga. ???????
    E uma vez que diz que no parque vale tudo ,desde subir pelo lado errado do escorrega (a minha filha também o faz , mas estou atenta para não prejudicar a brincadeira dos outros miúdos), até estar ali de volta de umas escadas que não vai conseguir subir mas que está a “empatar” a brincadeira dos outros, onde é que estão os limites de que fala.?????
    Bom, fico por aqui , mas o andar descalço , brincar com lama e terra não tem nada a ver com a outra parte de que fala, porque isso não me incomoda nada, mas um dia se nos encontrarmos num parque e a milha filha der um banho de lama ao seu menino (a) oopss temos pena, continuemos na conversa e eles que resolvam o assunto.

  4. Há 2 realidades….ambas legítimas. Há os pais q vão ao parque para brincar com os filhos e há os pais que vão deixar os filhos brincar.
    O q acho q o se deve reter deste texto é q independente da motivação da ida dos pais ao parque é q deveria haver respeito….e não intromissão. Se os pais vao brincar com os filhos brinquem com eles e não se incomodem tanto com as outras crianças. Isto pq as crianças q brincam sozinhas testam os limites….sabem q se conseguem subir conseguem descer….se alguém com mto boa vontade os ajudam a subir eles podem n conseguir descer sozinhos…..e magoam-se. Acreditem q os pais dessas crianças estão de olho nelas.

  5. Não concordo com a maioria das coisas escritas neste texto. A autora tem todo o direito de se comportar como descreve no texto, mas não tem o direito de jugar quem se comporta de maneira diferente da sua. Cada mãe conhece os seus filhos e sabe como eles se sentem melhor num ambiente como o parque infantil. Muitas mães podem ir ao parque não para brincar com os filhos mas sim para ter uns minutos de “descanso” enquanto os miúdos se divertem. Contudo, para outras, as idas ao parque são provavelmente as poucas oportunidades que têm para brincarem com os seus filhos. Que mal isso tem?

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