Quero lá saber se não deu a vacina à filha! Nenhuma mãe merece.

Quero lá saber se não deu a vacina à filha! Nenhuma mãe merece. Nenhuma mãe.

Foi uma mãe. Uma mãe que perdeu uma filha.

Uma mãe como eu e como tu.

Uma jovem que sem culpa nenhuma, estava no local errado à hora errada. Não lhe tinha sido administrada uma vacina o que complicou o seu estado de saúde. Mas e a mãe? Será a pior aos olhos do Mundo por ter falhado uma vacina? Não fazemos todos nós o que achamos melhor para os nossos filhos?

Quando vi a notícia saí a correr para confirmar o boletim de vacinas das minhas filhas, falhei duas na mais velha e uma na mais pequena, nenhuma é a do sarampo… mas podia ser.

Podia ser eu, podia ser uma de nós.

Uma de nós. E é só nisto que consigo pensar.

Uma mãe que perdeu uma filha.

Como é que podemos viver com este peso na consciência?

O peso de criticar uma de nós, que em consciência e de acordo com as suas crenças e ideologias educou e criou a sua filha e fez por ela o que considerou ser o melhor.

Se calhar até foi ao médico, se calhar até perguntou se devia administrar a vacina, se calhar até lhe responderam “Não vale a pena, porque o sarampo já não é uma doença comum”, se calhar….

Ou talvez não, talvez esta mãe seja a favor da homeopatia e contra as vacinas, talvez tenha sido uma opção que tomou em determinada altura da sua vida. Não tomamos todas nós opções e decisões pelos nossos filhos? Eu sou crente numa educação católica e batizei as minhas filhas. Quem me garante que elas serão católicas ou vão concordar com esta minha opção?

Não sei os motivos. Não concordo com a não vacinação mas quem sou eu para condenar?

Não posso é ficar calada, inerte quando oiço “a mãe teve o que mereceu” ou “espero que agora abra os olhos”…. Palavras de mulheres, mães como eu que me rasgam o coração. Palavras duras de mais para quem realmente não merece. Nenhuma mãe merece perder uma filha. E foi isso que aconteceu. Uma morte estúpida e lamentável, talvez pudesse ter sido evitada, talvez…

Mas não é como em tudo na vida?

Quando escolhi a escola para as minhas filhas tive alguma garantia de que ali não seriam vítimas de bulling? E quando as deixar ir naquela viagem de finalistas, saberei que não irão beber? E quando o primeiro namorado que as for buscar no carro do pai para jantar fora? Como saberei que conduz bem? Como?

Nunca sabemos quando o azar nos bate á porta, hoje foi aquela mãe e amanhã poderá ser outra. Não façam aos outros o que não gostariam que vos fizessem a vós. Não se alegrem com a tragédia dos outros. Não deixem a raiva falar mais alto. Eduquem com amor.

Eu estou com essa mãe no pensamento e no coração, tudo o que consigo pensar é no desespero e o tornado de emoções que deve estar a sentir.

Quero lá saber se não deu a vacina à filha! Nenhuma mãe merece. Nenhuma mãe.