Ser mãe é aprender a viver com medo

Depois que virei mãe, passei a conviver diariamente com medos até então desconhecidos ou nunca antes pensados.

Lembro-me como se tivesse sido ontem da primeira vez que senti medo. Foi no dia em que descobri que estava grávida. Quis comprar umas botinhas de bebê para contar para Saulo a novidade e como a loja era perto eu fui andando. Como tinha pressa decidi começar a correr, mas o corpo não obedeceu. Parei e notei que estava com medo. Medo de ir correndo tropeçar e cair no medo da estrada e ser atropelada! Vejam que exagero, mas esse exagero todo era porque eu estava com medo de perder o meu bebê. Naquele momento quase me achei louca e até ri de mim mesma, mas respeitei meu medo e fui andando calmamente. Mal sabia eu que aquele era o começo da minha relação intensa com um sem numero de “medos”.

Matheus nasceu e com ele nasceu um mundo de medos.

Um dos primeiros foi o medo de morrer… não por mim, não pela dor física da morte, mas pela dor de deixar meu filho… de não o ver crescer. Nunca até então tinha tido medo de verdade de morrer, hoje eu tenho pânico.

E o medo de perder? Esse então me aterroriza. Não consigo me imaginar perdendo meu filho  e queria que nunca ninguém tivesse que conviver com essa dor. E por causa do medo da perda, aparecem os  “mini medos”.

Quem nunca no pós-parto teve medo até de uma escada quando estava com o bebê nos braços? Eu tenho medo de descer uma escada com Matheus nos braços até hoje, e tenho mais medos desse tipo, mas com o tempo aprendemos a controla-los e a não pensar tanto neles.

Sabe outro medo que apareceu logo depois que Matheus nasceu? O medo de dirigir. Vocês não imaginam como eu tremi quando me vi pela primeira vez sozinha com Matheus dentro de um carro. Eu tremi na base, mas após alguns “passeios” eu aprendi a conviver com esse medo e hoje lido bem com ele. Ele ainda existe, eu o respeito, mas faço que não o vejo.

Matheus foi crescendo e com ele os medos continuaram aparecendo.

Qual mãe não conheceu o medo de falhar? Comigo não foi diferente. Sempre, desde o dia que ele nasceu que me cobro. Queria conseguir ser perfeita, mas descobri que nunca vou sê-lo e quando passei a saber lidar com a imperfeição, comecei a ter medo das consequências dos meus erros causados por ela.

Como educar é difícil… Você fica o tempo todo se questionando, perguntando se a educação que você está dando é a melhor, se a forma como está educando é a certa… Duvidas, e mais duvidas, e todas elas são culpa do medo de falhar.

Como é complexo viver quando se é mãe. É como se fossem dois seres vivendo num só.

Você quer voltar a ser você, mas o instinto materno fala mais alto, e voltar a ser você pode provavelmente te fazer errar mais, e com o medo de errar, você vice com medo de tudo, porque tudo na vida é feito de momentos onde tentamos acertar e frequentemente erramos.

Ser mãe é ter o curriculum cheio de medos… não tenho dúvida, mas também não podemos deixar de viver porque eles existem…

Medos nos desafiam, mas eles nos fazem chegar muita além do que a nossa mente se julga capaz.

E você? Já aprendeu a conviver com os medos?

 

imagem de capa@

3 thoughts on “Ser mãe é aprender a viver com medo
  1. Gabriela Cabral diz:

    Os anos passam e o medo não , vai para além da idade dos filhos . Será que quando morrermos se vai?…

  2. Mirela, obrigada pelo seu texto. Também gostei muito do que li porque me revi imenso em tudo. E mais medos ainda. O pior são os terrores das coisas mais loucas, as imagens que me vêm á cabeça das acontecimentos mais inusitados, inspirados por um mundo que se me apresenta cada vez menos seguro e mais cruel. Este é outro medo, de ter tido a minha filha e não a saber proteger de um mundo cada vez mais mau. Ou melhor, de não a saber educar para se proteger (como diz sabiamente o pai ausente dela) por estar tão tomada por estes terrores. é uma situação louca porque eu antigamente era uma pessoa super feliz, feliz por tudo, porque havia sol, porque chovia e agora com a coisa mais maravilhosa do mundo que devia exponenciar este sentimento tornei-me cinzenta, esgotada de entusiasmo. E mais um medo, não saber ensinar á filhota a rir tanto como gostava, a ser feliz tanto como eu queria, por eu própria estar tao cinzenta. Obrigada por partilhar para sabermos que não estamos sós nesta loucura feliz.

  3. silvana pereira diz:

    Adoreiii o que li…nos mães somos tds “iguais” mas apesar de tudo eu digo com todas as forças, AMO SER MÃE

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