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Tem um filho de dois anos? Estamos juntas!

Se o seu filho de dois anos é um anjo a quem faltam apenas as asas, se a única vez que levanta a voz são duas octavas acima do desejável quando espirra e se é tão bem comportado que a emociona, este texto não é para si. Ou talvez seja, se for daquele tipo de pessoas que gosta de passar por um desastre e ficar a olhar, pela incapacidade de fazer o contrário.

Ora bem… Sou adepta da parentalidade positiva. Sou adepta do diálogo, de respeitar os ritmos, algumas vontades, de não comprar guerras desnecessárias. Mas também tenho uma filha de dois anos, que atravessa a fase comumente apelidada de “terrible two”. Tenho de dizer mais? Então aqui vai.

A minha filha é um doce, meiga, imaginativa, tem um sentido de humor ímpar, é inteligente e atenta, mas tudo isso se dissolve de vez em quando. Começa a chorar porque sim (indo este “porque sim” desde ao “ohhhhhh, o sol está escondido”, ao “o Mickey é um rato?” ou simplesmente sem razão aparente). Não quer tomar banho e esperneia. Não quer lavar a cabeça. Não quer secar o cabelo. Não deixa pôr creme no corpo. Não quer vestir o casaco à saída da escola nem o bibe à chegada. Não quer essas bolachas, quer as outras. Não quer ir a pé, quer o colo. Não quer o livro, quer as plasticinas. Não quer a mãe, quer o papá. Não quer o papá, exige a mãe. Manda as coisas para o chão. Empurra o prato. Descalça-se. Nem pensar que vai vestir essas collants. Não quer essa camisola. As cuecas, deixa cá ser ela a escolher. Arranca o gancho da cabeça. (Mãe da criança exemplar dos dois anos, ainda está aí? Valente!). Quer carregar no botão do elevador que já está selecionado. Quer ver vídeos no telemóvel seja a que horas for. Deita-se no chão a rebolar e a chorar. Grita.

Podia continuar durante horas, mas penso que todas nós já encontrámos pelo menos duas coisas em comum.

Nenhuma destas coisas lhe foi passada como sendo aceitável. Nunca cedemos a birras. Nunca a deixámos pensar que se se comportar como um selvagem leva a melhor, nem que seja pela vergonha que nos faz passar. Às vezes custa muito. Dói. Penso onde foi que errei. O que poderia ter feito melhor. Que para a próxima tentarei uma nova estratégia.

Converso, explico, levanto a voz, desespero.

Já cheguei a ir o percurso de escola a casa todo a chorar sem ela ver.

Eu só tenho uma filha mas há quem lide com isto ao mesmo tempo que tem de fazer malabarismos com filhos mais velhos e mais novos.

E é muito complicado.

Injusto.

Ingrato.

Mas depois, como se bastasse uma brisa de ar, tudo muda e a nossa criança volta a ser alguém que reconhecemos como nossa.

Que sabe o que pode e deve fazer (dentro das limitações da sua idade), que testa os limites de forma um pouco mais racional, que não desespera face às primeiras frustrações.

E é nesse momento que tento lembrar-me que o que fazemos, o “trabalho” que temos com ela, não é em vão.

E que não estou sozinha.

Que mesmo que tivesse sido e fosse a mãe perfeita (estou longe disso), a minha filha passaria por esta fase.

Porque aqui não há culpas. Talvez haja apenas a da falta de paciência para lidar com algumas destas situações de vez em quando, mas humana me confesso. Quem lida com tudo isto com um sorriso no rosto e a tranquilidade no olhar? Poucos de nós.

Esta fase tem sido uma lição. Já consigo contornar algumas situações e até antecipar outras, de forma a evitá-las. Outras estão fora do meu controlo.

E estou a aprender a lidar melhor com isso. A aceitar.

Porque é mais uma lição, mais uma aprendizagem.

Que cansa, mas que no fim vale a pena.

Porque esta fase “terrível” vai passar e dará lugar a outras com os seus desafios.

E ser mãe é estar pronta para aceitar as fragilidades dos filhos e ter força suficiente para lhes indicar o caminho, os guiar e dar a mão para que saiam da bolha de infelicidade e frustração em que por vezes entram.

Se já passou por algo semelhante ou está a passar, estamos juntas.

Não desespere.

Se precisar, peça ajuda.

Não está sozinha (escrevo no feminino, mas vale para o masculino também).

Vai passar, vai melhorar.

Não desanime.

Agarre-se às coisas boas e, convenhamos, são tantas!

Seja feliz.

Ajude os seus filhos a serem felizes.

Por vezes basta estarmos lá e fazê-los sentir que não estão abandonados nos seus momentos de imperfeição. Que confiamos neles para encontrarem soluções adequadas à sua idade, subindo um degrau de cada vez.

Em relação aos terrible two? Lamento, mas não serás tu a transformar-me numa má mãe nem a fazer-me perder a fé na minha filha.

Somos muito maiores e melhores que tu.

 

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4 thoughts on “Tem um filho de dois anos? Estamos juntas!
  1. Mariana Lima - Coach para ti diz:

    Aqui o truque é não se preocupar tanto em cada momento… a educação vale pelo todo e não por cada parte… e acima de tudo não se deixar influenciar demasiado pelo que é politicamente incorrecto… Todas as crianças fazem birras (é uma forma de expressão com outra qualquer), todas as crianças têm dias menos bons (nós também temos só que como activamos os nossos filtros de adultos não exteriorizamos tanto…

    Ser mãe não é fácil, mas é tão bom!!!

    Aproveite cada segundo pois cada um é único… dê educação mas na medida certa e não exija demais… eles são apenas crianças… E, pelo que conta, tem uma princesa maravilhosa, meiga, inteligente, atenta, etc… Aproveite pois tudo o resto faz parte dos comportamentos normais… (só quem não tem filhos é que poderá dizer outra coisa…todas já passámos por isso).

    Beijinhos e aproveite!!! (os meus já são um pouco maiores e já tenho saudades dessas alturas)

    Mariana Lima – Coach para ti

  2. Que belo texto! Para o ano escreverá um semelhante….os terríveis três.. …e todos os anos irá renovar o texto. ? Ao fim de uma fase iniciasse outra! Cabe nos a nós ter a capacidade de os acompanhar! Quando já sabemos como é aquela fase, como devemos atuar(Leia se como conseguimos contornar a coisa) acaba a fase e começa outra! E lá vamos nós outra vez….Um turbilhão de emoções! É sempre tão boas! ?

  3. …obrigada…agora sinto-me realmente acompanhada…depois de muito dizerem: “Mas ela faz-te isso?” (com olhar reprovador) …
    Nós não somos más mães, apenas temos filhos que gostam de pensar muito fora da caixa.

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