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Ter um filho é…

Ter um filho é valorizar, como nunca, o acto de dar a mão.

É repetir baixinho as músicas que nos cantavam quando éramos crianças.

É contar histórias, dia após dia.

É desejar, mais do que nunca, o bem de outra pessoa.

É temer o futuro, a falta de controlo que temos sobre ele.

É ver numa caixa de sapatos um cenário de um mundo de fantasia.

É crescer num ápice e voltar a ser pequenino.

É ter o carinho na ponta dos dedos.

É ter o coração fora do peito.

É não saber como voltaríamos a viver sem esta dádiva.

É ouvir as perguntas mais importantes sobre a vida e pensar se estamos preparados para dar respostas.

É valorizar as coisas certas.

É querer ser melhor.

É perceber como somos falíveis.

É tentar, dia após dias, mascarar o melhor possível os nossos defeitos para que o nosso melhor seja o que vem ao de cima.

É aprender sempre.

É perceber como nos falta ainda aprender tanto.

É passar a ver o sono com outros olhos.

É aprender uma nova linguagem.

É reviver, através de outro que foi feito por nós, o que é aprender a andar, a comer, a falar, a rir.

É sentir que não voltaremos a estar sozinhos.

É ter saudades mesmo quando ainda há pouco estivemos perto.

É repetir uma graça vezes sem conta porque sabemos que vai ter um efeito positivo.

É aprender a ser alvo de julgamento dos mais próximos, dos mais distantes, inclusivamente dos seres de outras galáxias.

É viver bem com isso.

É lembrar, a cada segundo, para não fazermos o mesmo com os outros.

É partilhar experiências.

É ensinar as bases.

É dar asas.

É dar um empurrãozinho na hora certa e ficar a ver quando é preciso.

É emocionarmo-nos com as pequenas coisas.

É torcermos pelas ínfimas vitórias.

É limpar as lágrimas deles, as nossas, quantas vezes forem precisas, porque amanhã será sempre melhor.

É ter a maior sorte do mundo.

 

O M do seu nome passou a significar também M de Mariana, o nome da filha de quase três anos, e M de mãe, este sim verdadeiramente maiúsculo.
Guionista

Sonhava ser escritora mas, aos onze anos, uma professora de língua portuguesa garantiu-lhe que ninguém em Portugal jamais poderia considerá-lo uma profissão digna desse nome

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