Um dia na vida de uma mãe

O despertador toca. Sou profissional liberal, não há horários viro-me para o lado descansada. Estava a sonhar, adormeci e já estou atrasada.  Levanto-me mal disposta, com sono, remelenta e descabelada. Já estou mesmo atrasada… só há tempo para um duche rápido. Já não consigo lavar o cabelo, nada de caracóis definidos ou um cabelo impecavelmente esticado, carrapito no alto da cabeça e está óptimo. Visto-me, tento disfarçar as olheiras e sigo para a cozinha para preparar biberons, almoços e lanches e pelo meio tomo o pequeno almoço a prestações. Vou acordá-lo: também está mal disposto. Digo-lhe para despachar um que eu despacho outro, vira-se para o lado e diz que também tem que ter tempo para se arranjar. Vou tentar dar conta do recado sozinha. Acordo a mais velha. Dou-lhe o leite, mudo a fralda, visto-a e instala-se uma birra gigante porque não se quer despir, igual todos os dias.  Acordo o bebé, dou-lhe o leite e visto-o. O barulho que vem da sala é idêntico a uma martelo pneumático a partir a parede, deixo o bebé. na sala na espreguiçadeira ao lado de um sem fim de brinquedos espalhados por todo o lado. O pai,  entretanto aparece impecável, todo cheiroso, com o cabelo perfeitamente penteado, discussão matinal porque devia ter-se levantado para me ajudar, calço-me, olho-me ao espelho e nem estou assim tão mal, estes sapatos de salto alto ficam mesmo bem neste vestido, lembro-me das escadas da escola, tiro os saltos altos, calço umas sabrinas, deixo os sacos de cada um à porta, distribuo 3 beijos, ele bolsa-me o vestido, passo um Toalhete não há tempo para mais e sigo para o trabalho. Não há transito. Acordada há duas horas e já atrasada, encontro lugar para estacionar, fila para o elevador, carrego no 11º piso, fila para picar o ponto, já passa das 9h00. Finalmente sento-me à secretária, um sem fim de emails, um telefone que não pára, um devedor que é uma soda, prazos a expirar e julgamentos sem fim, almoço a correr para ter um bocadinho de tempo para mim, vou pintar as unhas, dou atenção a este meu filho, vou fazer umas compras para o jantar e algumas coisas que faltam para eles. Felizmente que trabalho por cima de um centro comercial, já vou outra vez a correr para cima, 1 hora não dá para nada, vou à casa de banho, olho para o relógio para confirmar as horas, são 14h00, a cara do espelho apresenta no mínimo umas 22h00, a tarde passa num ápice queria despachar hoje o prazo de amanhã para estar mais desafogada mas já não consigo por causa da reunião de última hora, os objectivos não estão a ser cumpridos, tenho que pressionar se não quero ser pressionada. 18h00 está na hora de sair, às 18h30 pico o ponto, a escola fecha às 19h00 vou a voar 2ª circular fora, está calor, está frio, está a chover, está a nevar, raios partam que qualquer que seja o motivo há sempre trânsito. Chego à escola faltam 5 minutos para as 19h00. Ela abraça-me feliz de me ver, ele sorri-me e estica os braços, ele de um lado dentro do sling, ela do outro porque insiste que também quer colo – benditas sabrinas para conseguir descer as escadas com dois ao colo. Chegamos a casa, tropeço nos brinquedos espalhados, ai se eu tivesse com os saltos altos, banhos, despacho-a a ela e ele fica na espreguiçadeira a ver televisão. Ela chora porque não quer sair do banho. O pai chega e vai preparando os jantares, e depois dá jantar à M.. Eu dou banho ao bebé e ela chora porque quer que seja eu a dar a sopa, trocamos as posições. O bebé também já está a jantar, tentamos dar-lhes alguma atenção antes de irem para a cama, jogar um jogo, cantar uma canção, ela não quer que ele brinque com os seus brinquedos, ele puxa-lhe os cabelos, eu encho-os de beijos e abraços, eles vão para a cama depois de chorarem porque não queriam ir. Ainda não jantamos, discutimos outra vez à hora de jantar por qualquer coisa banal e sem importância, arrumo a cozinha, ele pede-me desculpa. Já está a saltar o verniz das unhas pintadas à hora de almoço, estendo roupa, passo roupa, eu dou-lhe um beijo e um abraço também em jeito de desculpa. Preparo o dia seguinte, roupas e comidas, sopa para os miúdos, a bimby não descasca legumes, é meia noite está na hora de dormir, passo pelo sofá como quem passa na casa de partida do monopólio sem receber os 2 contos, ronda aos quartos para vê-los, beijo ao pai de noite feliz, passado duas horas a M. chora perdeu a chucha, ele encosta-se a mim e põe-me o braço na cintura, passado uma hora o bebé quer leite, agora vais lá tu, não eu fui há um bocado é a tua vez, eu afasto-me dele, passado duas horas a M. também quer leite, foi uma noite difícil a dormir mal e pouco, o despertador toca, acordo mal disposta …

Por Vanessa Muchagata, originalmente postado em Crónicas de Uma Grávida acamada,
adaptado por Up To Lisbon Kids®

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Sou advogada, sou casada, sou Mãe da Madalena e do Vicente e talvez seja essa a minha melhor definição.

Ter-vos aqui comigo a dividir momentos da minha vida e da vida dos meus filhos, a lerem esta construção cheia de amor e erros deste que é o desafio de ser mãe de alguém, é muito bom.

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