Somos fruto de uma soma, não de divisão

Somos fruto de uma soma, não de divisão

Somos fruto de uma soma, não de divisão

Acredito que todos temos um propósito, que viemos ao mundo – seja por quanto tempo for – para o transformar de alguma forma.

Há quem passe uma vida inteira sem perceber qual o sentido de andar por cá, sem por isso se aperceber que provavelmente está a ensinar a alguém lições valiosas.

Somos a soma do amor que em nós foi depositado, dos planos que foram feitos, mesmo quando não fomos planeados ou “desejados”.

Somos a soma das nossas experiências, das nossas escolhas, das pessoas que tivemos e temos à nossa volta.

Somos para os nossos filhos muitas vezes mais do que os nossos pais foram para nós e, outras tantas, menos.

Ensinamos como sabemos, às vezes sem saber ensinar.

Lamentamos coisas erradas, agarramo-nos a sentimentos e por vezes a coisas. Deixamo-nos ir abaixo, erguemo-nos e caminhamos, mancos ou com energia, conforme a vida e o destino nos deixam.

Cometemos os mesmos erros repetidamente, conseguimos inclusivamente saber antecipadamente que o vamos fazer e gostaríamos de o poder evitar. Noutras alturas evitamos esses erros e sentimos alguma glória nessa conquista, que nos enriquece.

Fraquejamos, rimos, choramos. Muitas vezes sozinhos.

O nosso caminho é solitário, mesmo quando temos uma família grande, quando estamos rodeados de amigos e temos filhos, um, dois ou cinco. Porque o nosso caminho é feito pelas nossas pernas e os “pesos” que carregamos por vezes fazem-nos demorar mais um pouco em alguns lugares, outras vezes permitem-nos ficar onde somos esperados. Mas o nosso caminho só pode ser feito por nós.

Temos a responsabilidade de deixar aos nossos filhos algumas respostas que os nossos pais não nos deram.

Temos a responsabilidade de, à nossa maneira, deixar o mundo diferente do que o encontrámos, preferencialmente melhor.

Temos a responsabilidade mas também temos as recompensas, se as soubermos identificar, se com elas conseguirmos sorrir e agradecer.

Às vezes esquecemo-nos de valorizar as pequenas conquistas do nosso dia a dia.

De agradecer o que de bom temos, mesmo que seja muito pouco. Porque por mínimo que seja, está lá e faz de nós humanos. Faz de nós pais que querem o melhor para os seus filhos e eles só serão seres humanos melhores que nós se lhes mostrarmos o caminho.

Em muitos casos isso não será suficiente.

Haverá filhos que não deixarão os seus pais orgulhosos.

Haverá filhos que terão caminhos que são um “retrocesso” em comparação com o que foi trilhado pelos pais (e não, não falo de conquistas financeiras, de trabalho, estudos, casas ou número de carros na garagem e carimbos no passaporte).

Haverá filhos que vieram fazer uma viagem diferente da nossa.

Com outro propósito, com outras lições.

Com uma vida aparentemente triste, por vezes.

Mas enquanto mãe, se for esse o meu caso, quero sentir que a vida que trouxe a este mundo tem um significado e o sabe. Que sabe que foi amada e o será para sempre, enquanto viverem as pessoas que cresceram do seu lado.

Que mesmo que o seu percurso não seja tudo aquilo que está escrito nas estrelas ela viveu e não ficou presa às expectativas, aos sonhos alheios, ao que a sociedade esperava que fizesse só para se encaixar no padrão.

No fundo, acho que todos viemos a este mundo com a missão de nos encontrarmos.

E alguns, os mais sortudos de nós, encontram-se uns aos outros no caminho.

E isso já valeu a pena.

O M do seu nome passou a significar também M de Mariana, o nome da filha de quase três anos, e M de mãe, este sim verdadeiramente maiúsculo.
Guionista

Sonhava ser escritora mas, aos onze anos, uma professora de língua portuguesa garantiu-lhe que ninguém em Portugal jamais poderia considerá-lo uma profissão digna desse nome

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