Tempo para pensar nos que mais amamos, nos que mais gostam de nós.

Um tempo para pensar

Tempo para pensar nos que mais amamos, nos que mais gostam de nós.

Tempo de parar, repor energias e calorias, mas acima de tudo de estarmos juntos, unidos e perto de quem amamos, a nossa família. Seja ela composta de amigos, de familiares que não vemos há muito tempo, ou também em alguns casos sem família. De uma forma ou de outra dá que pensar. De uma forma ou de outra fomos dissipando relações, construindo outras, amargurando algumas. Este é o tempo de reconciliação, de reconciliação de dentro para fora porque a vida é vivida em comunidade, em interação, em sociabilização. De outra forma não faz sentido.

O peso que cai sobre nós hoje em dia é acima de tudo uma nuvem negra que nos arrasta para a sombra do sem sentido, sem sentimentos, sem cor e sem felicidade. É uma nuvem carregada de egocentrismo que paira sobre nós e nos faz esquecer o que somos, de onde vimos e principalmente para onde queremos ir.

Vivemos o imediato, o medo, a ansiedade de ter.

Mas ter o quê? O novo brinquedo? O novo carro, ou mala de marca? E para quê? Para esquecer que somos só nós a usufruir dele? Ou para esquecer que existimos para viver em comunidade, em família e acima de tudo em paz.

Esta época cheira a pinheiro, a paz, a solidariedade, e a aconchego. Não há nada melhor do que estar com aqueles que nos querem bem e que nós queremos bem. Num mundo em que a dissimulação daquilo que interessa, que é verdadeiramente importante, está ao virar da esquina a espreitar e a entrar pelas nossas vidas a dentro, tentando-nos desfocar do que é realmente verdadeiro.

Precisamos manter o foco, a calma e a serenidade.

É de facto preocupante o aumento do número de casos de pessoas com problemas de saúde mental, derivados desta sociedade dissimulada e apressada. É e vai ser cada vez mais o flagelo dos próximos anos e décadas. O último relatório do conselho nacional de saúde alerta para a urgência de olharmos para estes casos como algo de grave que está a acontecer na nossa sociedade e que urge ser cuidado. Nada melhor que esta altura para respirarmos fundo, percebermos quem temos ao nosso lado, quem nos quer bem, e construir caminho assente nesta base. Assente nesta base porque o que nos une é apenas uma única palavra, aquilo que une o mundo, as sociedades, as pessoas tem apenas um nome e esse nome, essa palavra é Amor.

Não é o carro novo que vou comprar ou as camisas, os vestidos, os brinquedos.

Esses sim muitas vezes são os motivos da inveja, da discórdia e até do ódio. Pensem bem onde se sentem bem. A nossa sociedade foi cega por esta nuvem negra da dissimulação, das mensagens subliminares que apelam ao ódio, ao consumo exacerbado, à ganância. A nossa sociedade esta desprovida de valores e de educação.

Um gesto simples como dizer “Obrigado” ou “Por favor” está arrumado dentro da gaveta da esperança.

Já não se diz, já não se procura agradar o próximo, educar e ser educado. O Natal é aquela época em que podemos abrir todas as nossas gavetas dentro do coração e procurar fazer o bem. É tempo de agir e de não ficar só pelas palavras. De agir em prol de uma sociedade mais evoluída e mais civilizada.

Que cada presente aberto este Natal represente uma gaveta aberta no vosso coração. Deixo-vos o desafio.

Bom ano a todos!

40 anos, casado, pai de 2 filhas, diretor de comunicação e sustentabilidade da APSA – Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger.

Somos uma associação de afetos, como diz a presidente da APSA, uma pessoa fora de série como há poucas nesta vida.

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