Os saltos do tempo

Enquanto pai que sou, tenho muitas vezes a sensação que o tempo pode curar quase todas as nossas maleitas, sendo que o desaparecimento de um Pai, de uma Mãe ou de um Filho é certamente a mais dura de todas elas.

Em inúmeras ocasiões, desesperei com o trajecto de progressão do meu filho varão de 7anos de idade, na medida em que este tinha e tem pavor de dormir sozinho ou de livremente movimentar-se pela casa argumentando que vê um “velhinho” que não é visto por mais ninguém.

Muitas vezes pensei que estaria a fazer algo de mal, ao não perceber a sua irritação e desinteresse pelas tarefas escolares e a enfurecer-me pelo seu alheamento de tudo o que não fosse respeitante ao Spider Man, Batman, Homem de Ferro ou ainda a jogos electrónicos.

Surpreendentemente, no dia de ontem, notei que este meu filho, não só estava muito satisfeito pelo facto de a sua professora o ter elogiado, como também irradiava entusiasmo com tudo aquilo que tinha sido o seu dia e discorria assertividade sobre o que iria fazer no futuro.

Tal inesperado salto do ou no tempo, injecta felicidade no coração de qualquer pai que se preze, e eu naturalmente não fujo à regra.

Vendo bem, quando os anciãos falam sobre o tempo e os seus efeitos certamente não o fazem vão.

No dia de hoje, dei comigo a pensar que este “salto no tempo” do meu filho é indiciador de que muito em breve deixarei de ter razão de queixa com a sua progressão e só poderei vigiar a sua evolução.

Até lá, mais ou menos à hora de dormir vou-me aninhando com ele na cama à espera de ver o meu ou o nosso “velhinho” por lá a divagar.

RMPC para Up To  Kids

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1 thought on “Os saltos do tempo
  1. A verdade é que o tempo cura muita coisa, como diz o velho ditado popular. No entanto, cada idade tem “direito” a ter as suas dúvidas, os seus sonhos, as suas zangas! Claro que, quando somos crianças, não sabemos por que razão temos determinados comportamentos e, às vezes, são as pequenas/grandes coisas que fazem a diferença! E para isso é que é tão bom termos Pais atentos!

    Fui filha única e lembro-me que, até aos meus 9 anos de idade, era bastante medrosa. Vivíamos numa moradia de 3 pisos e, os meus pais, que estavam conscientes destes meus receios do imaginário, ignoravam (propositadamente) esta minha vertente e nem sequer me “passavam cartão”. O meu pai conseguiu que eu ultrapassasse estes medos de uma forma muito simples: sempre que precisava de alguma coisa que estava num outro piso (principalmente depois de escurecer) chamava-me e, muito delicada e naturalmente pedia-me que a fosse buscar. Isto passava-se nos finais dos anos ´50 em que uma ordem/pedido dos pais não era para ser discutida. Então, lá ia eu, escadas acima, acendendo as luzes, nó na garganta, coração a bater descompassadamente, esperando sempre encontrar algum “ladrão” escondido nalguma das divisões.
    Quando regressava ao piso onde os meus pais estavam parecia que tinha asas nos pés. Mas consegui e o meu pai fez sempre de conta que não sabia de nada e eu também nunca demonstrei que tinha medo…..

    Muito mais tarde, já Mãe de filhos, descobri uma coisa que tem sido fundamental ao longo da minha vida – não só como pessoa mas também como Mãe e ao longo da minha carreira profissional: o reconhecimento, a todos os níveis (e nisto refiro-me ao reconhecimento de uma boa ação, de um bom comportamento, de um bom trabalho) é fundamental para nós e para os outros.

    O RECONHECIMENTO perante os próprios e aos olhos dos outros (neste caso vertente de professores e dos pais) de que o comportamento e/ou trabalho efetuado é positivo, “faz festinhas” no ego da criança, o seu coração enche-se de alegria e ele/a sente-se como que a esvoaçar como se de um balão colorido se tratasse. Em suma e parafraseando o título de um livro chama-se a isto a “Insustentável leveza do ser” e essa a criança está feliz.

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