Não tenham filhos!

Calma, calma! Não se virem já assim de repente contra mim… O Não tenham filhos tem um contexto e têm de ler até ao fim!

O que digo tem um motivo:
Ser mãe é espectacular… é fantástico todos os dias, é sentirmo-nos especiais e ter connosco um ser especial que foi gerado por nós! É um sentimento incontrolável… Mesmo que um dia os nossos filhos venham a ser tudo o que nunca imaginámos é impossível deixar de gostar deles como só uma mãe gosta!

Sim, só uma mãe!

Não há qualquer tipo de sentimento que se possa ter igual ao amor de mãe! Não há e pronto!
Porque é que eu recomendo que não tenham filhos?! Porque parte-nos o coração… Este sentimento incontrolável, esta sensação de pertença, este apegar tão forte, dá cabo de nós!

Mesmo… Senão vejam só:

  • Vacinas
    Começam cedo e custa imenso! Sabemos que estamos a fazer o melhor para eles, mas que lhes dói e que eles vão chorar e vão ficar super tristes com o que lhes estão a fazer. Ainda assim nós mães, temos que os levar às vacinas, e segurar neles e assistir aquela picada implacável…
  • O choro deles dói
    Das piores dores que se pode ter… Não há dor de parto comparável… o que dói mesmo é ouvi-los chorar, saber que não estão bem e não saber o que fazer… São facas espetadas no coração…
  • 1º Dia de Escola/Cresce
    Mais tarde ou mais cedo vai acontecer… O 1º dia de escola… O verdadeiro corte do cordão umbilical… Aquele primeiro dia em que não estamos com eles o dia todo para dar miminhos… Aquele dia em que os confiamos a estranhos e pairamos o dia todo a pensar se estarão bem, ou a chorar, ou coisa assim…
  • Eles vão ficar doentes
    Mais uma vez, é tudo uma questão de tempo… Vai acontecer… Eles vão ficar doentes e nós vamos desesperar por não conseguir transferir os seus males para nós! Sim, qualquer mãe tomaria o lugar do seu filho… Qualquer mãe lutava contra as piores doenças do mundo se isso garantisse que o seu filho nunca teria uma mínima febre…
  • Eles vão achar-nos chatas!
    Todos passam por esta fase… Nós mães temos esta cruz. Vamos ser as mães chatas que ditam a hora de ir para a cama, que obrigam a vestir o casaco, que se zangam para eles comerem, que decidem que já chega de brincar… Sempre a pensar no bem deles, cabe-nos este papel chato e eles vão ficar chateados connosco. E só de pensar que eles ficam chateados ou tristes connosco…
  • Eles vão cair
    Cair milhões de vezes de todas as formas e feitios… Desde as primeiras quedas que acompanham os primeiros passos, passando pelas quedas mais fortes nas macacas, até às “quedas” de crescidos quando não conseguem atingir um objectivo… Eles vão cair e vão precisar do nosso colinho e beijinhos mágicos para passar a dor… Mas vê-los cair é mais uma vez doloroso…
  • Eles vão voar: Sim voar!
    Quando olhamos para estes seres pequeninos e doces a quem demos a vida, nem nos lembramos que são pequenas pessoas que um dia seguirão o percurso normal da vida… Aquele que nós fizemos… Vão crescer, viajar, sair de casa e constituir a família deles… Vão deixar o ninho! E se custa o primeiro dia de creche em que estamos umas horas sem eles, chegará o dia em que estaremos dias a fio sem eles… É o decorrer natural da vida!
    Eles vão voar e deixar de ser nossos…

Ser mãe é uma dádiva e eu não a trocaria por nada, mas a verdade é que ser mãe parte-nos o coração aos pedaços milhares de vezes… Isto porque a entrega é total!
Ele não é MEU filho… Eu é que sou SUA mãe!
Toda e completamente SUA! Para sempre.

O Castigo e a consequência. Como estamos a educar as crianças?

O Castigo e a consequência. Como estamos a educar as crianças?

“Qual é a diferença entre o castigo e a consequência ”, perguntou-me uma mãe, preocupada com a forma como está a educar os filhos. A fronteira entre o castigo e a consequência é ténue, por isso é natural a dúvida.

Castigamos com a intenção de mudar o comportamento da criança, para que passe a agir como queremos, e para a punir, para fazer com que “pague” pelo que fez, fazendo-a sentir vergonha, dor e/ou culpa.

O castigo não tem relação, um nexo de causalidade, com a ação, no fundo não é mais do que uma consequência… disfarçada. Por exemplo, quando mandamos a criança para o quarto ou lhe dizemos que já não vai à festa porque se portou “mal”, estamos simplesmente a agir de forma autoritária e punitiva, sem que haja uma relação entre o ato e o castigo.

Já as consequências estão diretamente relacionadas com o ato em si, são uma decorrência lógica dele, há um nexo de causalidade entre o ato e o resultado. Por exemplo: se a criança deixou cair a comida ao chão, a consequência lógica é limpar, (o que até pode acontecer com a ajuda dos pais, dependendo da idade); se não fez os trabalhos de casa na hora combinada, a consequência lógica poderá ser ter de os fazer na hora em que iria ver TV; se partir algo a consequência poderá ser ter de a consertar (dependendo da idade) e se bater no irmão a consequência poderá ser pedir-lhe desculpa…

Ao contrário do castigo, que apenas funciona a curto prazo (porque põe fim ao “mau” comportamento no imediato) mas tem consequências negativas no longo prazo, as consequências lógicas (que não devem nunca pôr em causa a segurança dos mais pequenos!) permitem ensinar às crianças a lidarem com o resultado do seu comportamento, de forma a que desenvolvam responsabilidade (algo que não acontece com o castigo, que apenas cria medo e rebeldia). Às vezes a diferença está, também, no mero tom de voz…

Curiosamente, a Disciplina Positiva apenas sugere a aplicação de consequências lógicas como um dos últimos recursos. Procurar a razão por detrás do comportamento, para depois atuar de forma positiva (com firmeza e carinho ao mesmo tempo), apelar à cooperação envolvendo-as em atividades úteis, passar tempo de qualidade com elas, estimular a responsabilidade, a autonomia e a auto-estima, por exemplo, são “ferramentas” mais úteis e efetivas

Hoje é o 1º dia do Advento

Antes do Natal os Cristãos têm um tempo de preparação: o Advento.

Um tempo para encontrar o Cristo que vem. O Advento começa no Domingo, quatro semanas antes do Natal. Este ano, o Advento começa no dia 3 de Dezembro 2017 e termina com o nascimento de Cristo, a 25 Dezembro 2017.

São quatro semanas para deixar crescer a esperança e reencontrar as razões da alegria. O Deus verdadeiro que se mostrou em Jesus de Nazaré quer-nos felizes. Ele vem ao nosso encontro. A sua presença ajuda-nos a superar as dificuldades. A sua companhia permite-nos ultrapassar os fracassos. Ele é como uma Luz que nos aponta um caminho seguro para uma vida de qualidade.

Advento é o tempo de colocar o coração em sintonia com o Deus-menino. É o tempo para aprendermos de novo o que é a beleza e a ternura.

A Liturgia da Igreja oferece-nos um caminho seguro para a esperança. Ao longo do Advento a Liturgia escolhe um conjunto de textos que ajudam o nosso coração a converter-se à esperança e ao optimismo.

A Up To Kids criou um calendário do Advento com atividades para realizar em família ao longo destas quatro semanas. Cada dia, uma proposta diferente. Um jogo, uma brincadeira, um pensamento, ou até uma receita para fazerem e saborearem em conjunto. Diariamente, sairá no Instagram a actividade do dia do advento.

Procuramos criar momentos em família, onde se abre espaço para o diálogo, reforçando a união familiar e a paz.

Para iniciar esta data sugerimos que imprima e recorte o presépio da imagem, e montem em família.

Este é o momento de preparação e alegria para o nascimento de Jesus Cristo.

 

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Ainda as praxes

Estamos em novembro e num dos jardins mais conhecidos de Lisboa há ainda jovens universitários de capa e mão em riste a ordenar que outros, de penicos na cabeça, mergulhem no lago.

Estamos em 2017 e não consigo que a frase que acabei de escrever faça sentido.

Percebo que para muitos as praxes sejam um ritual de passagem, uma passagem de testemunho, a iniciação num percurso, uma bênção que garante que todos se conhecem, todos passaram pelo mesmo.

Percebo isso, mas acho que não é o único caminho.

A minha faculdade era anti-praxes e levava esta máxima muito a sério.

No primeiro dia foi-nos dito que havia actividades de recepção ao caloiro mas ninguém era obrigado a ir e não haveria “represálias” para quem não fossem. E isso fez com quem muitos participassem, como eu, para ver de que se tratava.

Fomos até à redacção de um conhecido jornal e, da rua, cantámos a pedir que nos dessem emprego (porque éramos do curso de ciências da comunicação). Dali seguimos para um jardim onde fomos emparelhados com os nossos padrinhos para os próximos 4 anos. Foram dois dias em que os laços foram estabelecidos, os contactos feitos. Depois daí quem queria sair saía, quem não queria sair com os padrinhos não saía, mas não andámos meio ano a passar vergonhas na rua.

A minha filha já viu jovens aos latos, farinha e ovos na cabeça, a fazer o pino numa corrida que obviamente nunca mais vai terminar e perguntou-me do que se tratava. E como explicar uma coisa que para mim não faz qualquer sentido? Que aqueles enfermeiros tenham de andar a tresandar a ovos podres para se sentirem integrados não fará deles melhores profissionais eu sei, mas como explicar a uma criança de três anos? Fui pela resposta simples: estão a fazer o que acham que têm de fazer para se sentirem integrados. Quando me arregalou os olhos e perguntou “o quê, mãe?”, reformulei e disse que estavam a brincar. Deixei a conversa das praxes para outras núpcias.

Porque na realidade me custa que os miúdos de dezoito anos, que acabaram de entrar na maioridade, a quem dizemos que são capazes de fazer as suas escolhas, que são responsáveis pelo caminho que escolhem sejam acolhidos e tratados como se bebés grandes se tratassem. Muitos deles começam a sua viagem universitária nas praxes, fazem coisas com as quais não se sentem confortáveis, bebem mais do que seria desejável e só começam a focar-se no curso nos rimeiros exames, tarde demais.

Sim, eu sei que para muitas pessoas as praxes são memórias de tempos divertidos, importantes no estabelecimento de laços. Sim, eu sei que muitos que praxaram nunca puseram ninguém em situações desconfortáveis. Sim, eu sei que muitos praxados não beberam mais por isso, nem se desleixaram das aulas como consequência. Estou a generalizar porque sei que, no geral, em 2017 não faz sentido que as praxes existam como as vejo na rua.

Trata-se de humilhar, de rebaixar.

“Caloiro não tem fome” é uma frase que ouvi demasiadas vezes.

Nem sequer vou falar da tragédia que aconteceu há alguns anos, acho que não vale a pena – porque aí havia um extremismo para o qual não encontro ainda palavras.

O que acho essencial é dar as ferramentas para que os nosso filhos saibam que não têm de, aos dezoito anos, quando a sua personalidade já está num pico de formação, fazer o que os outros lhes dizem com medo de não ser aceites.

E temos de dar as ferramentas aos nossos filhos para que se se encontrarem do outro lado sejam capazes de ser razoáveis, gentis.

Aceito as praxes inclusivas, se quem delas fizer parte estiver lá voluntariamente (em consciência e sem medo!).

Porque o percurso universitário devia ter muito pouco a ver com quem consegue humilhar mais e quem consegue manter o sorriso depois de uma grande humilhação.

 

imagem@arquivo da TVI24

Estou sim, bom dia, daqui fala a mãe, em que posso ajudar?

Estou sim, bom dia, daqui fala a mãe, em que posso ajudar?

Os filhos são muito parecidos com os clientes. Pensam que têm sempre razão e, quando os argumentos falham, fazem birras. Em desespero, usei com os meus filhos as técnicas de atendimento ao cliente que aprendi em tempos ao trabalhar num call-center. Continuou sem resultar, mas eu diverti-me. Deixo-vos alguns exemplos:

Autoridade

  • Lamentamos que as regras de adesão ao serviço Os Pais É Que Mandam não lhe tenham sido devidamente explicadas, mas podemos garantir que os benefícios associados ser-lhe-ão úteis a longo prazo.
  • Compreendemos o seu desagrado, mas o contrato que mantém com a empresa Pai & Mãe, Lda. tem a vigência mínima de 18 anos, durante os quais as condições do mesmo poderão ser alteradas sem aviso prévio. Caso pretenda, poderá encaminhar o seu pedido de esclarecimentos para o endereço de e-mail: naoqueremossaber@quemmandaaquisomosnos.pt.

Refeições

  • O que me está a indicar é que não vai comer os brócolos até que eu a obrigue, entendi bem?
  • Peço-lhe que não fale com a boca cheia, não consigo entender o que me está a indicar.

Hora do Banho

  • Infelizmente a campanha “Não tomar banho” encontra-se descontinuada, no entanto temos em vigor a campanha de última hora “Vai tomar banho já antes que eu te arraste por um braço”.
  • Compreendemos a sua insatisfação por ter de deixar de ver televisão para ir tomar banho, mas o nosso serviço não disponibiliza o jantar enquanto o banho não for tomado.

Dormir

  • Neste momento são 21 horas e não é possível aderir ao pacote “Não dormir e dar cabo da cabeça aos meus pais”. Pode, no entanto, escolher a opção “Adormecer com o pai em 5 minutos” ou, em alternativa, “Adormecer com a mãe em 3 horas e 15 minutos”.
  • Lamento informar que já esgotou o plafond de histórias, a partir deste momento as luzes serão apagadas e agradeço que durma uma noite descansada.

Birras

  • A Senhora M. é uma cliente muito importante da nossa empresa e temos como objetivo manter a sua satisfação. Garantimos que faremos o que estiver ao nosso alcance para ultrapassar os constrangimentos relacionados com o processo negocial em curso.
  • Compreendo que esteja insatisfeito, mas os seus gritos impedem-me de perceber a totalidade dos seus argumentos.

Vestir

  • Peço-lhe que aguarde um momento, voltaremos a esta discussão sobre que sandálias vai levar para a escola dentro de 5 minutos.
  • Agradecemos desde já que tenha sujado pela terceira vez a camisola que tinha vestida, nada nos deixa mais satisfeitos que ter de lhe mudar a roupa quando estamos com pressa para sair de casa.

Os porquês

  • Trabalhamos constantemente para dar resposta aos seus porquês e procuramos melhorar os tempos de espera. Contamos desenvolver a capacidade de resposta a trinta porquês por minuto dentro de duas a três semanas.
  • Terei de encaminhar a sua questão para o departamento técnico e dar-lhe-ei uma resposta ao seu porquê o mais breve possível.

 Doenças

  • Eu também preferia não ter de aspirar os macacos do seu nariz, mas se o deixar ir para a escola com o nariz cheio de ranho corro o risco de chamarem a Segurança Social.
  • Agradecemos o seu empenho em vomitar na sanita e não no chão, para mostrar o nosso apreço, vamos oferecer-lhe uma Barbie. Esteja atenta à caixa do correio.

 Irmãos

  • Solicitamos que não puxe os cabelos do seu irmão, as penalidades por incumprimento desta cláusula incluem não ver televisão durante dois dias.
  • O período de garantia do boneco da sua irmã já foi ultrapassado, se lhe arrancar a cabeça o mesmo não será substituído.

As possibilidades são infinitas, tal como as birras. Os resultados, esses, são quase sempre os mesmos: uma enorme dor de cabeça.