Quando os nossos animais “partem”

Porque gerem os miúdos tão bem as emoções? Ou de como o coração de mãe dramatiza!

Hoje deixo uma recente história familiar.

A nossa família não é a mais dada a animais. Admito. Mas tínhamos um canário magnífico que, sobretudo eu e o meu filho adorávamos. Cantava lindamente e fazia parte das nossas preocupações diárias, especialmente do M., que tanto zelava pelo bicho.
Bom, a gaiola caiu, o pássaro voou… enfim, ficámos sem canário. Pânico.
Sabendo a elevada estima que M. tinha pelo pássaro, procurei por todo o lado e encontrei o que não queria ver. O que fazer agora?
Finalmente reunida a família, decidimos que teríamos que comunicar o seu desaparecimento à criança. E assim, à saída da escola lá estava eu, preparada para o meu melhor discurso sobre a perda e certa de que a sua reação seria radical pois nunca passara nada de semelhante.

Assim fiz.

Preparei o M., provavelmente da pior forma, engendrei um conjunto de frases às quais ele me respondeu: “É assim tão grave”? Percebi que estava a assustá-lo ainda mais e contei de uma vez … Silêncio. Ainda acrescentei: “podes ficar triste” ao que me responde “mas eu estou triste”. Ponto.

Queres ir escolher outro canário?”  – “Claro que sim! Vamos!”

Rei morto rei posto ou gestão das emoções, sem dramas.
Hoje temos outro canário maravilhoso a cantar de satisfação.
O mundo voltou ao normal e o coração de mãe sobreviveu.

Por Patrícia Ervilha,
para Up To Lisbon Kids®

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imagem capa@ultimosegundo

1 thought on “Quando os nossos animais “partem”
  1. Não concordo com o que escreveu. Os animais são são objectos em que basta substitui-los para resolver o problema. E é o que este artigo parece querer transmitir. Pelo menos foi isso que depreendi do mesmo. Os animais de estimação são família, de 4 patas é verdade, mas família. Quem os tem e estima sabe que é muito difícil quando partem. Na família existem vários animais de estimação. Tenho um filho que gosta muito deles e que chorou bastante quando perdeu 2 deles. Quando aconteceu (previsível para mim pela doença que tinham e velhice mas não para ele) fiquei aflita pois não sabia como abordar a questão e não sabia como iria reagir. No entanto reconheço que neste campo como em outros, as crianças têm uma forma de ver as coisas bastante melhor que nós adultos. Ele chorou mas depois arranjou uma bonita explicação para o facto e foi reconfortante. As crianças são mais inteligentes do que as julgamos por vezes e é necessário fazê-las perceber (com os devidos cuidados, claro) que a vida é isto mesmo: vida e morte, alegria e tristeza. Se levarmos as coisas de forma natural, as crianças surpreendem-nos pela positiva e a vida segue o seu caminho normal.

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