Células estaminais e doença de crohn

Células estaminais do cordão umbilical atenuam sintomas da doença de Crohn

Resultados recentes de um ensaio clínico em pacientes com Doença de Crohn, revelaram que a infusão de células estaminais mesenquimais do cordão umbilical (UC-MSC) permitiu uma diminuição significativa nos índices de atividade da doença. Neste ensaio, foram incluídos 82 adultos com Doença de Crohn moderada a severa, divididos em dois grupos: o grupo de tratamento, que recebeu medicação de manutenção com corticosteroides e quatro infusões de UC-MSC (uma por semana); e o grupo controlo, que recebeu apenas tratamento de manutenção. Todos os doentes foram submetidos a colonoscopia antes do tratamento e um ano após o mesmo. Os doentes foram avaliados 3, 6, 9 e 12 meses após o tratamento.

Os resultados mostraram, logo a partir dos três meses pós-infusão, uma diminuição significativa nos índices de atividade da doença no grupo UC-MSC, em comparação com o grupo controlo. Estas melhorias mantiveram-se durante todo o período de acompanhamento. Doze meses após o tratamento, o grupo UC-MSC demonstrou também uma redução significativa na dose de corticosteroides utilizada, comparado com o grupo controlo. Os resultados das colonoscopias efetuadas no final do período de acompanhamento mostraram uma recuperação notável da mucosa intestinal nos doentes tratados com UC-MSC. Adicionalmente, seis doentes com fístulas anais evidenciaram marcadas melhorias. O tratamento com UC-MSC foi considerado seguro, sem ocorrência de efeitos adversos graves. Os autores denotam que, apesar das evidentes melhorias, nenhum dos doentes atingiu a remissão completa e, aos 12 meses, a maior parte dos doentes estava ainda sob corticoterapia.

Estes resultados indicam que a terapia com UC-MSC é capaz de atenuar a disfunção imune em doentes com Doença de Crohn, embora com eficácia moderada. Estudos com maior dimensão e um tempo de acompanhamento mais longo são indispensáveis para uma melhor compreensão do impacto da terapia com UC-MSC no tratamento desta doença.

“Vários ensaios clínicos com células estaminais mesenquimais têm obtido resultados promissores no tratamento da Doença de Crohn e Colite Ulcerosa, tirando partido da sua capacidade para modular a resposta imune e suprimir a inflamação. As células estaminais mesenquimais podem ser isoladas a partir de medula óssea, tecido adiposo e tecido do cordão umbilical, entre outros. A acessibilidade e facilidade de isolamento de quantidades apreciáveis de células estaminais mesenquimais a partir de tecido do cordão umbilical torna-o uma fonte muito atrativa para o desenvolvimento de terapias celulares”, explica Bruna Moreira, Investigadora no Departamento de I&D da Crioestaminal.

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória crónica, que pode afetar qualquer parte do tubo digestivo e causar sintomas como dor abdominal, diarreia e oclusão intestinal. Não existe cura para esta doença e o seu tratamento passa pela indução de remissão (períodos em que a doença não está ativa) e minimização dos sintomas. Neste sentido, estão a ser investigadas novas abordagens terapêuticas para o tratamento da Doença de Crohn. Embora não se conheçam ainda as suas causas, pensa-se que possa estar associada a processos inflamatórios e autoimunidade.

Sobre as Células Estaminais

As Células Estaminais Mesenquimais encontradas no tecido do cordão umbilical podem diferenciar-se em cartilagem, osso e músculo, entre outros tecidos. A par disso, estas células são consideradas valiosas por terem a capacidade de atenuar a resposta imune, estando a ser testadas no tratamento de doenças autoimunes e de complicações dos transplantes hematopoiéticos alogénicos, ou seja, aqueles em que o dador e o recetor não são a mesma pessoa.

Por Crioestaminal

Fundada em 2003, foi o primeiro banco de criopreservação em Portugal, sendo o maior da Península Ibérica e o quarto a nível europeu. Sediada no Biocant – o maior parque de Biotecnologia português, emprega mais de 80 colaboradores e tem presença em quatro países da Europa (Portugal, Espanha, Itália e Suíça). É o único banco ibérico acreditado pela AABB (American Association of Blood Banks), sendo um dos mais influentes e inovadores bancos de células estaminais do cordão umbilical do mundo. Tem mais de 100 mil amostras recolhidas e criopreservadas desde a sua fundação, sendo o player em Portugal com o maior número de amostras resgatadas e transplantes realizados, com 15 utilizações em 10 crianças. Promove um trabalho de referência na terapêutica com células estaminais, com quatro patentes internacionais registadas e vários projetos de investigação em curso. Investe, anualmente, cerca de 10% do seu volume de negócios em Investigação & Desenvolvimento.

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