Dentes tortos. Defeito ou feitio?

A formação dentária inicia-se no 1º trimestre de gestação. Durante a gravidez o cuidado com a alimentação da Mãe é fundamental tal como os cuidados com a medicação tomada. As carências vitaminicas (ex: vitamina D) podem provocar lesões nos dentes de leite.
Quando o bebé nasce, além das características genéticas herdadas dos Pais vem com os maxilares numa forma adequada para passar no canal do parto e também para a amamentação. Assim, os lábios formam um triângulo e a mandibula (maxilar inferior) está recuada.
Nesta fase já se prevê, com os hábitos do bebé uma predisposição para certos tipos de boca e como podemos guiar essa evolução.
Idealmente temos as técnicas e ‘ferramentas’ para uma ‘boca perfeita’!!!
A estimulação dos maxilares para o crescimento equilibrado da boca é feito através da alimentação. Os músculos activos na amamentação (língua, lábios, bochechas) pressionam o céu da boca para que cresça enquanto provocam o avanço da mandibula.

Nos bebés alimentados através de biberão esses estímulos não estão presentes na totalidade, pois a tetina verte leite sem sucção, a velocidade é cerca de 1/5 da velocidade de amamentação e a restante necessidade fisiológica é colmatada pela chucha.

Além da boca o nariz é fundamental para o crescimento da face. Devido a componentes alérgicos ou funcionais o bebé perde a capacidade respiratória nasal e consequentemente o selamento completo dos lábios em repouso.Mais uma vez, existem diferenças nas crianças amamentadas que terão de ter o selamento completo para que a amamentação seja eficaz.
Ao respirar pela boca o nariz ficará ‘mais pequeno’ e a boca tomará formas mais eficazes para a respiração. Essa alteração óssea é uma das causas mais frequentes de dentes tortos.
Aos 6 meses, a alimentação complementar deve ser introduzida e a mastigação inicia uma nova fase é um novo estímulo para o crescimento da boca. O comprometimento respiratório altera as condições e pode provocar uma certa atrapalhação. Quando o bebé só consegue respirar pela boca o risco de se engasgar aumenta.
Quando os dentes já têm um contacto eficaz a alimentação deve ser feita através de copos (com ou sem palhinhas) e talher. Os biberãos e chuchas são um obstáculo físico ao desenvolvimento.
Após os 3 anos de idade as más-oclusões já podem e devem ser diagnosticadas e tratadas. Existem estudos que referem os tratamentos até aos 6 anos de idade eficazes e efectivos.
Em Portugal, poucos são os médicos que aceitam abordar tão cedo o problema mas na realidade torna-se bem mais fácil. Requer o apoio e colaboração dos Pais e economicamente será muito mais barato.
Justificando a abordagem precoce está a questão esquelética. Se os dentes de leite estão sobre os dentes definitivos que por sua vez estão dentro do osso, ‘basta’ endireitar os ossos e os músculos e recuperar as funções respiratória e mastigatória.
Nesta abordagem muitas vezes trabalha uma equipa multidisciplinar de Odontopediatra, Otorrinolaringologista e terapeuta da fala. Coordenando evitam-se cirurgias e aparelhos ortodônticos.Esta abordagem precoce assusta os Pais ou nem sequer foi notado qualquer problema pela equipa médica que segue a criança. Então a abordagem muitas vezes só é feita na fase inicial da troca de dentes. Por volta dos 6 anos de idade é possível reverter com tratamentos ‘não invasivos’ problemas esqueléticos mas a capacidade respiratória será mais difícil.Quando o problema esquelético está instalado, após os 6 anos de idade, já se notam alterações posturais da coluna, dos ossos do nariz, do palato (‘céu da boca’), língua entre outros.

Aguardando o nascimento de todos os dentes definitivos teremos uma abordagem invasiva com a expansão rápida do palato através de aparelhos fixos, por exemplo, ou extracções selectivas de dentes saudáveis justificada por técnicas mais antigas que referem falta de espaço.Resumindo, todas as idades são favoráveis para a correcção dentária mas a melhor é antes dos problemas instalados. Numa 1ª fase denomina-se Prevenção Nobre e se já se notam alterações a nomenclatura internacional refere Prevenção Primária.Dentes tortos são defeito. Feitio é o crescimento equilibrado e as chaves para este problema já considerado na Saúde Pública são:

– Amamentação (aleitamento estimulando a sucção)

– Respiração Nasal (lavar o nariz do bebé antes das refeições)
– Mastigação eficaz e vigorosa após o 1º ano (alimentos secos, duros e fibrosos)
– Mastigação com lábios selados (boca fechada)
– Alimentação complementar em copos e/ou com talher
– Atenção aos sibilos/roncos nasais
– Boa higiene – a perda de dentes de leite por cárie prejudica o nascimento dos dentes definitivosA amamentação é realmente complicada devido à falta de apoio e informação que as Mães têm. É opção das Mães o aleitamento artificial e o uso de chuchas como tal os cuidados devem ser redobrados na Respiração, na alimentação e nos hábitos orais.
– Se o bebé/criança estiver de boca aberta dê um toque no queixo para que feche a boca.
– Se quer comer rápido faça-o ter mais calma. Neurologicamente não tem noção da saciedade, irá comer mais do que necessita, terá problemas de digestão e maior predisposição para a obesidade.
– Se precisa de chucha restringir à hora da cama ou qd se magoa para consolo, mais horas irá prejudicar.
– Se quer biberão fora das refeições ofereça água, podem confundir sede com fome.
– A mastigação é fundamental, vá gradualmente introduzindo os alimentos para que não estranhe tanto (sabores, texturas)Quantos as especialidades médicas temos o otorrino que cuidará do nariz e da respiração, o Odontopediatra tratará a saúde e posição dentária e o Terapeuta da fala, que ao contrário do que se pensa tem um trabalho extenso, além da fala propriamente dita também cuida de todos os músculos da face para que em conjunto consigamos mastigar, falar, respirar, sorrir…Um teste fácil de fazer em casa, pode experimentar, passa por analisar uma fotografia do rosto da criança, de frente. É simétrico?

 

Por Rita Sousa Tavares, para Up To Kids®
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