Dificuldades de Aprendizagem – A sua ligação com Linguagem e a Audição

Combater o insucesso escolar constitui uma tarefa complexa e desafiadora para Pais/Cuidadores, Educadores e Professores. É emergente compreender o porquê destas dificuldades e procurar alternativas que possam minimizar e adequar todo o processo de aprendizagem de cada aluno.

Uma das grandes lacunas no êxito na aprendizagem deve-se a alterações linguísticas significativas – alterações no processo de desenvolvimento da compreensão e expressão oral e/ou escrita. Por isso, a necessidade de prevenção/vigilância do desenvolvimento linguístico da criança/adolescente evita posteriores sequelas educacionais, comportamentais e até sociais.

No entanto, a origem destas dificuldades é diversa e pode envolver outros fatores, como: orgânicos, intelectuais/cognitivos, emocionais e sensóriomotores, ocorrendo na maioria das vezes uma inter-relação entre todos eles. Além destes, deve-se ter em conta influências externas, como: diferenças culturais, ensino insuficiente ou inapropriado.

Atualmente os estudos apontam que as dificuldades de aprendizagem estão estreitamente relacionadas com um historial de défice na aquisição da linguagem, mas ainda, e não menos importante, em alguns casos, um possível défice na discriminação auditiva.

Salienta-se que défice na discriminação auditiva é distinto de défice auditivo. É comum que os despistes auditivos estejam adequados mas o aluno não discrimine sons muito idênticos (ex: /f/ e /v/) e que estas trocas também possam ocorrer na escrita. Quanto ao processo de aquisição da linguagem, e bastante aglomerante, este inclui quatro sistemas interdependentes: o pragmático (uso comunicativo da linguagem num contexto social); o fonológico (perceção/produção de sons das silabas e palavras); o semântico (respeito pelo significado das palavras) e o morfossintático (respeito pelas regras sintáticas e morfológicas que vão designar se a palavra e a frase está organizada e coerente).

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Dentro de uma análise contextual, há necessidade de compreender que, mesmo na presença de uma pedagogia eficaz, as dificuldades de aprendizagem podem ocorrer e por vezes não chegam a desaparecer ao longo do processo de aprendizagem. Na prática, geralmente apresentam uma ampla variedade de queixas académicas e comunicativas, onde se inclui:

  • Dificuldades em cumprir ordens orais
  • Pobre desempenho em testes cognitivos verbais (orais), quando comparados com testes cognitivos não-verbais (escritos)
  • Dificuldades na leitura e no ditado
  • Dificuldades na interpretação da leitura
  • Dificuldades na expressão de sentimentos e acontecimentos (orais/escritos)
  • Erros de escrita significativos após a finalização do 2º ano
  • Dificuldades na manutenção de um diálogo
  • Dificuldades na produção, discriminação e segmentação de sons, sílabas e palavras
  • Dificuldades em manter a atenção, com e sem ruído

De forma sucinta são crianças/adolescentes que, frequentemente, solicitam repetição de informação, apresentam-se distraídas e consequentemente uma panóplia de prejuízos académicos.

Para finalizar e deixar claro uma reflexão atual da aprendizagem, devemos, acima de tudo, saber que não só de aquisições intelectuais caracteriza o bom aluno. Torna-se essencial entender que cada dificuldade de aprendizagem que o aluno apresente, deverá ser analisada minuciosamente. Cada caso merece uma intervenção, por vezes, distinta, e elaborado por uma equipa multidisciplinar. Porque também, e não menos importante, desenvolver as suas aquisições motoras em simultâneo com as restantes aquisições são o meio mais eficaz para atingir as funções mentais de atenção e memória, tão importantes no processo de aprendizagem.

Por Patrícia de Sousa Teixeira, Terapeuta da Fala colaboradora How To…
para Up To Lisbon Kids®

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