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Fui mãe, devia estar feliz… então porque me sinto assim?

Fui mãe, devia estar feliz… então porque me sinto assim?

Acabou de ser mãe!

Vê todos felizes à sua volta, o bebé está bem, mas você não consegue sentir-se satisfeita e pensa que o seu estado não é normal? A família não entende e o marido ou companheiro não sabe o que fazer?

O nascimento de um bebé pode ser um desafio para a mãe, tanto física como emocionalmente, mesmo nos melhores momentos. A perfeição é um mito, pelo que o que se pode chegar a verificar é: a melhor gravidez possível, o melhor nascimento possível, o melhor bebé possível, os melhores pais possíveis. E tanto melhor quanto o suporte familiar for efectivo, pois também pode ajudar a mãe recente na recuperação e a desfrutar do tempo com a família.

É comum e poder-se-á admitir mesmo como natural, que tanto a mãe como o pai experienciem alterações de humor com a chegada de um filho. Quem já não sentiu ou testemunhou, nesta fase, um momento de alegria enorme logo seguido de uma angústia capaz de colocar tudo em causa?

Estes sentimentos de angústia e de tristeza sentidos nos primeiros dias após o parto são geralmente designados como “Baby Blues”. Trata-se de uma fase passageira, comum, causada apenas pelas alterações hormonais bruscas que a mulher sofre no pós-parto. Em regra, nem necessita de tratamento e os sinais costumam desaparecer, naturalmente, ao fim de 15 a 20 dias depois do parto.

Todavia, algumas mães recentes podem vivenciar uma fase mais duradoura do que o Baby Blues, com sintomas que podem ter iniciado ainda na gravidez, ou decorrem há vários meses desde que o bebé nasceu ou então surgiram até um ano após o nascimento da criança. Aí, estaremos perante “Depressão Pós Parto”.

Neste caso sente-se ansiedade, choro fácil, tristeza e irritação, exaustão, maior dificuldade em concentrar-se e em motivar-se, culpa por não estar a conseguir usufruir do bebé, alterações no apetite e no sono, inadequada para tomar conta do filho recém-nascido, falta de interesse no bebé, chega a pensar em agredi-lo ou em agredir-se a si própria, ou pensa recorrentemente em morte ou suicídio…

Embora a Depressão Pós Parto afecte mais as mães, pode também incidir sobre os pais recentes, biológicos ou adoptantes. Não é causada pela gravidez ou pelo nascimento do bebé (embora possa surgir nestas fases), nem se baseia num único antecedente mas num conjunto de factores anteriores: históricos, biológicos, de personalidade, de experiências de vida, contextuais. Contudo, contam-se como factores de risco, já se ter passado por uma Depressão antes da gravidez ou por uma Depressão Pós Parto anterior, por existir história familiar de Depressão, por se verificar suporte familiar ou social frágil, por dificuldades financeiras, stress, antecedentes traumáticos, estrutura emocional fragilizada.

Alguns designam este estado como mais uma doença da civilização moderna e do estilo de vida. Por exemplo, numa cultura onde se exige à nova mãe um regresso, o mais imediato possível ao trabalho, a pressão também tende a aumentar. Ou quando a mulher percepciona a expectativa social relativamente à felicidade da mãe perante o seu bebé.

A Depressão Pós Parto requer tratamento. Não fique sozinha nesta luta! Com ajuda profissional poderá normalizar o seu estado emocional.

No âmbito do acompanhamento psicológico, a terapia cognitivo-comportamental é indicada em sintomatologia leve a moderada. Através desta psicoterapia, consegue-se alterar pensamentos disfuncionais e, consequentemente, trabalham-se sentimentos e comportamentos, além de com ela se poder praticar alguns exercícios de relaxamento.

Simultaneamente, o investimento nas relações sociais é importante para a partilha de experiências, para aprendizagem sobre a forma mais adequada, para si, de se ajustar à nova situação, para se perceber que não é caso único e que outros já passaram ou estão a passar pelo mesmo, ainda que cada progenitor ou cada criança sejam únicos e incomparáveis.

A introdução de medicação antidepressiva servirá para os estados mais severos da doença (tendo em atenção eventual influência na amamentação), a par da psicoterapia para efeito duradouro, pois uma terapia unicamente baseada em psicofarmacos não chega para travar o “alimento” da Depressão, que são as nossas cognições e crenças disfuncionais.

O apoio e cuidado por parte de quem está próximo são também relevantes.  Para isso, ajuda que as expectativas dos cuidadores sobre a evolução do estado depressivo da mãe / parturiente sejam realistas, que demonstrem disponibilidade para ajudar a cuidar do bebé (inclusivamente, promovendo os períodos necessários de descanso para a mãe), que a sua ajuda permita a concretização de objectivos diários por parte da mãe / dos pais do recém-nascido.

Com suporte e com tratamento a Depressão Pós Parto da mãe não acompanhará o crescimento da nova criança.

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imagem@verywell

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