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Parentalidade na PHDA

Por motivos de investigação, foi-me pedido que realizasse um levantamento da literatura científica que existia sobre a parentalidade na PHDA (perturbação da hiperatividade e défice de atenção). Muito obediente, lá fui aos motores de busca académicos mais conhecidos e comecei a ler o que já existia sobre este tema. Aos poucos fui ficando cada vez mais decepcionada: apenas informações sobre como os pais e mães não lidavam com a hiperatividade. Erros, erros e mais erros. Tudo sobre como a parentalidade era mal exercida. Tudo como estes pais colocavam ainda mais em risco crianças, que por si só, apresentam já um desafio. Procurei em diversas línguas e encontrei apenas mais do mesmo: autores de renome, de faculdades conhecidas, a apontar problemas que todos sabemos que são conhecidos. De positivo, nada.

Nada sobre como estes pais são guerreiros ao enfrentarem uma escola estandardizada não preparada para comportamentos desviantes, sobretudo quando aparentemente tudo está bem. Nada sobre como estes pais são fortes ao enfrentarem uma sociedade que ainda encara esta dificuldade como um problema menor e de educação, sem apresentar soluções viáveis. Nada sobre como estes pais são faróis, para crianças que procuram respostas, onde os pais ainda encontram dúvidas. Nada sobre como estes pais são mudança, quando discutem com médicos e questionam os caminhos que são mostrados.

Vivemos numa sociedade onde a palavra hiperatividade tem vindo a ser de mais em mais banalizada, como corrente no nosso quotidiano, mas onde ainda poucos sentem o seu peso. Vivemos numa sociedade em que a educação ainda está assente no passado, mas acontece na velocidade de um futuro. Vivemos numa sociedade em mudança, com novos desafios, mas onde ninguém guia estes pais num caminho claro e longe da culpa.

Desta forma, mesmo quem estuda estas famílias e quem deveria aproximar-se para dar a mão, aponta antes o dedo para os erros, mas sem apresentar soluções.

Porque se é verdade que quando entramos na perturbação da hiperatividade e défice de atenção, entramos também em terreno pantanoso onde ainda temos muito que cimentar, é também verdade que não é apontando dedos entre adultos que se chega a quem mais precisa: a criança.

imagem@smallville

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Com uma vontade de saber interminável e uma vontade de partilhar ainda maior sobre a temática infantil, educação e saúde mental.

Da necessidade de comunicar com os pais, educadores e restantes intervenientes nasceu a plataforma Terapeuta Ana Fonseca que não é nada mais do que uma forma de comunicação sobre a temática mais fascinante do mundo: as crianças.