Os filhos não são uma segunda edição dos pais

Os filhos não são uma segunda edição dos pais. Deixe-os viver os seus próprios sonhos.

Os filhos não são uma segunda edição dos pais. Deixe-os viver os seus próprios sonhos.

Algumas mães – por terem o coração cheio de amor – têm a sensação que a partir do momento em que se tornam mães, tudo vai girar em torno dos seus filhos e, assim, de passo em passo,  as mães parecem perder a sua individualidade e o seu direito a sonhar por si, para sonhar pelos filhos, para crescer pelos filhos.

Sim, os filhos devem estar na linha da frente do coração dos Pais!

Sim, os Pais devem dar o seu melhor pelos filhos, devem questionar-se, devem lutar por eles! Mas nunca os pais devem desistir de si em prol dos filhos!

Quando assim é temos pais mais controladores e ansiosos do que tranquilos. Temos pais que projectam em massa os seus sonhos nos filhos, contaminando a individualidade e autonomia da criança. E se mais tarde a criança não se torna exatamente no adulto que os pais sonharam, acaba-se tudo o que é flexibilidade e abre-se espaço a conflitos abertos. Porque os pais, nessas circunstâncias têm dificuldade em aceitar que deram tudo àquele filho, para ele ser exactamente aquilo que eles sonharam e, esse filho, teve a ousadia de ser aquilo que ele próprio sonha.

Os filhos não são uma segunda edição dos pais. Deixe-os viver os seus próprios sonhos.

Não raras vezes, temos mães e pais que retardam o crescimento dos filhos tentando mantê-los no ninho para sempre, evitando que se tornem independentes e autónomos. Continuam a escolher a roupa que os filhos vestem mesmo aos 14 anos. Evitam que eles pensem por si, pois quando começam a pensar por si, esses filhos que amam profundamente os pais, começam a magoa-los sem querer, só porque sentem ou agem fora daquilo que os pais consideravam expectável.

Quando os filhos saem de casa

Mais tarde, esses filhos, saem de casa e vão atrás dos seus sonhos e os pais ficam de ‘ninho vazio’. Ficam com a ideia que aquele filho não está grato e a retribuir tudo aquilo que os pais lhe deram. Isto porque, no limite, aquele filho está a seguir os seus sonhos e não os sonhos dos seus pais.

E aí, um filho que sempre teve amor sente-se só pela primeira vez. Sente-se incompreendido, e entre a ingratidão que os pais sentem e a solidão deste filho tão amado, pais e filhos afastam-se de coração e soltam as mãos, ficando ambos os lados contaminados, enfraquecidos e tristes.

Em suma, os pais devem sempre investir em si em primeiro lugar. Pais realizados, melhores pais serão. Aprenderão a dar espaço à sua individualidade e aos seus próprios sonhos.

Os Pais são assim, como uma espécie de super heróis, com uma força inigualável e que, por muito que o caminho seja difícil não desistem, são guerreiros! Mas, o grande desafio na viagem da parentalidade é saber amar e proteger, ao mesmo tempo que se dá asas para a criança voar e ser aquilo que ela própria é na sua essência.

Assim, quando cresce, temos uma pessoa que voa sozinha, sempre com o coração ligado aos pais, em plenitude.

Por Cátia Lopo e Sara Almeida Psicólogas Clínicas

 

A Escola do Sentir, promove o desenvolvimento emocional e social do indivíduo.

No mundo infantil, a Escola do Sentir prima e anseia por uma educação holística, focada na criança/adolescente, alicerçada numa intervenção com pais e numa forte vertente de intervenção social e comunitária.

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