Ora aqui vai um recado: O uso da chupeta é um assunto privado e privativo de cada família.

A minha filha Frederica de dois anos e meio adora a “mimi” dela.
E temos várias lá em casa: a maioria são cor-de-rosa [todas de borracha, as mais básicas da Chicco, que são as únicas aprovadas pela bebé lá de casa], mas a preferida da minha filha continua a ser a chupeta verde herdada do irmão.
Mas, na verdade, o que me traz aqui hoje não são as chupetas.  Mas sim a intromissão de pessoas estranhas ao uso ou não uso das mesmas.

Na chupeta da minha filha manda ela [e eu, na medida em que regulo a sua utilização].

Não é a primeira vez que ao final da tarde, porque está muito cansada, ou numa situação em que se magoa a Frederica me pede a chupeta durante o dia. Eu, quando vejo que o assunto é sério para ela, dou.
E também já não é a primeira vez que, as senhoras do supermercado ou a velhinha que passa pela rua diz coisas como:
que feia… uma menina tão bonita de chupeta” ou “dá-me a tua chupeta para eu entregar aos bebés“.

Ora aqui vai um recado: O uso da chupeta é um assunto privado e privativo de cada família.

Depois de vos contar a minha experiência pessoal, vale a pena irmos mais a fundo no que toca às recomendações. Lembrando sempre que, lá está, cada criança é uma criança e cada situação familiar ditará os timings. Tudo pronto?

1 – É recomendável abandonar o uso da chupeta entre os 18 meses e os 3 anos.

[com grandes benefícios sobretudo nos primeiros anos de vida- mas disso falamos noutra altura]

A recomendação reúne um largo consenso entre pediatras e terapeutas da fala. Isto porque o uso de chupeta pode comprometer, a longo prazo, a saúde oral [má oculsão e dificuldades de mastigação são os problemas mais comuns] e também o desenvolvimento adequado da linguagem, à custa de problemas de dicção.

2- Devemos começar por retirar [ou reduzir] o uso da chupeta de dia e só depois de noite.

Ou seja, a regra anterior deve ser aplicada de forma gradual. A chupeta é uma ferramenta de autocontrole da criança.  

Nesta medida, é importante que a criança vá aprendo a fazer essa autoregulação sem precisar da chupeta. Este movimento deve ser comunicado à criança, conversado e debatido. A chupeta é da criança e ela deve, portanto, ser tida e achada neste processo.

3- A chupeta não é uma moeda de troca.

E esta é uma opinião muito pessoal. O Vicente não deu a chupeta ao Pai Natal, não a entregou aos bebés e MUITO MENOS recebeu um brinquedo em troca. O abandonar a chupeta é um processo natural de crescimento, conversado [e às vezes demorado] entre pais e filhos e onde não cabem chantagens nem toma lá-dá-cá.

Isto não quer dizer que eu estou de acordo com o uso de chupeta aos 4, 5, 6 anos. Não estou, de todo. Quer apenas dizer que num processo de crescimento – seja ele qual for – não há contrapartidas nem verdades absolutas.

A alínea anterior não deita por terra a ideia, proposta por alguns autores, de encontrar outra ferramenta de auto controle como seja um peluche, uma fralda de pano ou outro objeto com que a criança estabeleça ligação afetiva.

4- Se a chupeta é importante para os nossos filhos e…

Se até nós, pais, achamos que o uso/não uso da mesma é importante, nada de misturar este processo com outras mudanças na vida da criança. E aqui cabe tudo o que possa interferir com a estabilidade emocional dos nosso filhos. Mudança de casa, a vinda de um irmão, uma nova escola, o desfralde, etc. Combinado?

5- Ninguém é feio por usar chupeta.

[Quanta dureza!].

Não são os nossos filhos, nem são os primos, nem o amigo da escola que com 5 anos usa chupeta. Se dentro do nosso seio familiar, gostamos que respeitem as nossas opções e os nossos timings, não deveríamos fazer o mesmo com os outros? Não devíamos ensinar isso aos nossos filhos?

Nestas pequenas coisas mostramos aos nossos filhos valores maiores como o Respeito, a Diferença e a Compreensão.

 

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