Ser uma boa mãe está a tornar-me numa má mulher

Estou a ficar louca! Estou a tentar fazer o jantar, eles não param de me chamar para pedir coisas e eles são três e eu sou só uma, e nem sequer consegui trocar a porcaria da lâmpada naquele candeeiro ridículo da casa de banho!

Foi assim que eu cumprimentei o meu marido, ontem, quando entrou em casa. Sem um sorriso. Obviamente sem um beijo, mas de qualquer forma eu nem sequer tinha tomado banho, por isso ele até aproveitou para fugir com o rabo à seringa.

Era eu no meu pior. E foi assim que ele foi recebido em casa. Com uns disparates sobre lâmpadas estúpidas e difíceis de colocar, e alguns palavrões.

Ele já me viu a ceder em diversas situações, mas mal entra em casa… isto foi uma situação nova.

As coisas acalmaram depois de toda a gente ter jantado. Eu estava a arrumar, a cozinha o meu marido entrou, deu-me um abraço e disse : ”Lamento que tenhas tido um dia tão complicado”.

Nesse momento senti-me mesmo mal. O dia não tinha sido assim tão mau. Foi um dia perfeitamente normal. Houve uns momentos óptimos e outros difíceis. Mas na maior parte do dia não estivemos assim em tanto stress. As miúdas fizeram desenhos para forrar o túnel de papelão que tínhamos feito. Adoraram o almoço porque tinha queijo e ketchup. E apesar das gémeas não terem dormido, o bebé dormiu quase três horas. No geral, podia ter corrido muito pior.

Foi só que aconteceu tudo ao mesmo tempo. Estava a saltear cogumelos, a mexer o feijão e a fazer arroz no micro-ondas. As gémeas não se calavam, porque estavam na casa de banho e diziam que não tinha luz suficiente para fazerem xixi.

O bebé andava a rasgar os desenhos que as miúdas fizeram com tanta dedicação para forrar o túnel, e que eu andei metade do dia a colar aquilo. E começou a gritar, e elas também gritavam!

O cão vomitou no chão e o cheiro começava a misturar-se com o cheiro do feijão e das especiarias que já começavam a agarrar no fundo da panela!

Claro que tudo isto estava a acontecer no preciso momento que o meu marido entrou em casa. Mal entrou e apanhou-me toda irritada, a gritar e a transpirar em bica que fez com que imaginasse que tinha tido um dia terrível. Assim que caí em mim, senti-me pessimamente porque me apercebi de uma coisa: no meu melhor eu sou divertida, criativa e entusiasta. No meu pior sou uma cabra rezingona e fria. Normalmente sou equilibrada, e apesar dos meus filhos normalmente lidarem com o melhor de mim, o meu marido simplesmente não tem essa sorte.

Tenho medo que isto seja o principio da queda de um casamento.

Tenho medo que ele comece a achar que eu estou sempre aos gritos com os miúdos quando estou sozinha com os miúdos em casa. Porque, na verdade, eu não estou.

Ele não me vê a partir das dez da manhã, quando já está tudo calmo e eu já bebi o meu café. Às vezes consigo arrumar a cozinha, lavar os dentes, e às vezes até consigo escapulir-me e tomar um banho relaxada.
A essa hora é quando nos aconchegamos no sofá e fazemos uma maratona das histórias favoritas deles.  Ou dançámos. Ou fazemos manualidades com coisas que temos em casa. A essa hora é quando eu me divirto com os meus filhos, e eles recebem toda a minha atenção.

Mas e o meu marido? Ele vê-me de manhã toda destrambelhada, com os olhos meios fechados e sem paciência para nada. Depois só me vê no fim do dia quando estou completamente de rastos.

Claro que há fins-de-semana. Mas com crianças nunca tempos tempo para nós.. Saímos os dois muito de vez em quando, mas obviamente não é o necessário.

Adoro poder ser eu própria com o meu marido. Ele não quer saber se estou maquilhada ou não. Eu sei que ele me ama. Eu sei que ele ama a forma como criamos uma família juntos. Somos uma equipa e estamos nisto junto.

Mas eu quero ser divertida, e interessante e sexy quando estou com ele pelo menos algumas das vezes. Eu quero que ele veja para lá da mãe sempre em stress, aos gritos e cheia de nódoas. E eu sei que ele não me vê assim, mas por quanto tempo vai conseguir ver para lá dessa imagem, se não tiver de vez em quando, um avivamento de memória?  Como é que posso fazer para lhe mostrar o meu eu divertido e sexy? Como é que as outras stay-at-home-moms fazem? E será que ele também se preocupa com algumas destas coisas?

Talvez seja só uma fase. Talvez seja só o resultado dos primeiros anos dos filhos. Talvez um dia que consiga ler um livro, escrever, pensar, ir ao ginásio eu consiga ter energia suficiente para estar sempre bem-disposta quando o meu marido está em casa. Talvez eu consiga parar de andar aos gritos por causa da luz da casa de banho e consiga vestir uma roupa gira e sem nódoas, pelo menos de vez em quando.

Nós merecemos os dois isso. Merecemos à séria.

Kate Parlin para Scary Mommy
Traduzido e adaptado por Up To  Kids®

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10 thoughts on “Ser uma boa mãe está a tornar-me numa má mulher
  1. A realidade é que mulheres inteligentes gostas de homens inteligentes e vice versa.
    Homens inteligentes não ficam à espera que uma mulher lhes “agrade” depois de estar o dia inteiro com crianças, enquanto eles conseguem socializar e até mesmo desabafar todos os dias com seres humanos com idade superior a 30 anos. Minha querida, o homem inteligente sabe que tu é que precisas de atenção !!!! Resta saber o teu grau de inteligência…

    Estamos muito longe de educar homens inteligentes quando se lançam textos deste, escritos por mulheres…

    Estou tão desiludida : (

  2. beijinho grande a quem escreveu… sei como é, difícil. Simplesmente não podemos ser perfeitas, eu já aceitei, e é bom que me aceitem assim também. <3 os nossos filhos fazem valer a pena os stresses 🙂

  3. Me desculpem ,mãe, mas eu também fui e sou uma, agora exercendo também as funções de pai….
    Cada vez tenho mais a certeza que as mulheres vivem pelos filhos e em função dos homens dos seus homens… elas é que Tem que fazer tudo inclusive fazer com que a chama esteja sempre acesa…
    Pois, e eles não fazem nada, não lhes é exigido nada?
    Homens encontram sempre mais uma, que esteja mais sexy, quanto mais não seja na cabeça deles…

    Pela Noite

    “saí pela noite
    em busca de alguma diversão
    O que vejo só são pessoas
    Em busca de “relação”…
    Mormente até convencem
    Todas as que querem ser convencidas
    As originais estão em casa
    Levando a tal vida danada…
    Escrevendo cartas preocupadas
    Tentado arranjar uma forma
    De agradar a gregos e troianos
    Depois lá vem o dia
    Em que é substituída…
    A seguir vem culpa
    porque esteve sempre ocupada
    O marido fica feliz
    Porque sai com o seu nariz
    Mais empinado do que entrou
    Porque ate a própria Mulher
    Acaba dando a razão para ele assim ser”

    (…)

    Albertina Correia

  4. Se a senhora do tal site inglês é mãe a tempo inteiro e se tem determinado número de filhos é porque assim escolheu. Está-se a queixar daquilo por que tantas outras passam. Se há coisa que me irrita são mulheres que decidem ter filhos e depois se comportam como mártires e pseudo-super-mulheres. As outras tb são esposas, mães e na generalidade até trabalham fora. Se largasse os blogs ia ver quanto tempo sobraria para ler e até para namorar o marido. 🙂

  5. Eu já fui mãe stay-at-home e já fui mãe com 2 empregos. Conseguia nos dois casos ler e ter outros hobbies. É uma questão de fazer uma determinada ginástica para que as coisas possam encaixar na nossa agenda. Conheço mães (e outras pessoas que nem são mães) que dizem que ler é para quem tem muito tempo (=não faz nada). Querem rotular uma atividade cultural como se fosse a atividade do ócio. Mas elas que têm sempre tempo para a bela da novela já são muito ocupadas… No caso de algumas delas, não digo que é o seu, apenas querem ter uma desculpa pois não gostam de ler, ou têm preguiça, mas têm medo que lhes chamem incultas e por isso viram o bico ao prego. Eu podia dizer que quem está em casa tb não faz nada e sei bem que isso não é verdade.

  6. “Foi só que aconteceu tudo ao mesmo tempo. Estava a saltear cogumelos, a mexer o feijão e a fazer arroz no micro-ondas.
    O cão vomitou no chão e o cheiro começava a misturar-se com o cheiro do feijão e das especiarias que já começavam a agarrar no fundo da panela!”

    Minha querida, uma bimby resolveria metade dos seus problemas…

  7. Acho que já aconteceram a todas as mães situações análogas em que nos sentimos péssimas e nada sexy. No entanto, tenho a dizer que, à medida que os miúdos crescem e ficam mais independentes, ainda há muito tempo para o casal se “reencontrar” e recomeçar a namorar. Agora, o importante é não deixar esfriar a relação. Uma relação sólida, baseada na cumplicidade, na compreensão, na graça que achamos às piadas um do outro, à admiração que temos pela maneira como cada um resolve assuntos e problemas, são mais valias que vão ficar para uma vida. Os valores intelectuais perduram toda vida enquanto os atributos físicos sabemos que não. Por isso, nada de desânimos e devemos ter o propósito de levar o “barco do amor” a bom rumo!

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