Sigo as tuas pegadas, pai

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Há crianças que cresceram numa época em que um pai era apenas uma figura de respeito, autoritária e distante, a quem o afecto não estava associado. Não imagino o que é crescer sem o abraço do meu pai, sem passar a rua de mão dada na dele. A mãe que sou e serei é um reflexo do que aprendi com os meus pais. Sou um bocadinho de ambos, “bebi” algumas características e não podia deixar de lembrar algumas coisas muito importantes que o meu pai me passou:

  • Trata os teus filhos como pessoas

Não como seres de cristal que se partem à primeira desilusão. Os miúdos são fortes mas essa força trabalha-se e precisa de incentivo, caso contrário a insegurança acabará por se apoderar deles – quem nunca lidou com contrariedades terá muita dificuldade em crescer na vida.

  • Deixa-os cair, mas ajuda-os a levantar

Estar sempre lá (mesmo que seja depois de me ver ir contra um poste, coisa que aconteceu bastante quando era miúda, desastrada, e de ficar uns segundos a rir agarrado à barriga – desvalorizar os dramas ajuda bastante e a gargalhada é contagiante).

  • Mantém os miúdos perto

Na vida de adulto, depois de ter filhos, acho que o meu pai foi de férias sem nós talvez duas vezes. “Sacrificou” (ele não acha que o fez, naturalmente) paz e descanso para nos mostrar Portugal de norte a sul e vários países da Europa, parques temáticos, museus, paisagens inesquecíveis, praias e barragens. De carro e avião. Só fazia sentido se estivéssemos todos juntos. Hoje compreendo isso.

  • Confia

Dá-lhes as bases, os conhecimentos e depois a liberdade. Vê-os crescer com ela. Vi amigas mentir repetidamente aos pais para saírem à noite, para estarem em casas de amigos e depois com os namorados. Nunca tive de o fazer.

  • Sê um deles

O meu pai, ainda hoje, é mais jovem que qualquer um dos seus filhos – e somos três: de trinta e dois, vinte e oito e quinze anos. Faz piadas mais atrevidas, dança mais divertido, ri com mais vontade.

  • Protege-os

Não mascarando a realidade, mas estando por perto, sempre. A verdade é essencial, falar é essencial, ouvir ainda mais essencial é. Respeitar os “dramas” associados ao crescimento não é fácil quando essa vivência já vai longe, mas o meu pai sempre o fez. Mais ou menos impaciente, a puxar por nós, a querer que víssemos as coisas como elas são.

  • Está mais disponível do que um médico de serviço

Há quem diga que ser pai é um emprego não remunerado. E eu tenho a sorte de saber que posso pegar no telemóvel e encontrar o meu pai de imediato, seja a que horas for.

  • Ama

Ser um filho amado faz com que não faça sentido dissociar maternidade de amor. Amor nas escolhas, amor nos conselhos, amor nos gestos, amor nas reprimendas e chamadas de atenção, amor nas distâncias e na proximidade. Amor. Obrigada por isso.

Cresci a ouvir que sou a cara da minha mãe e, quando for grande, ainda quero ser como ela (não fisicamente, bem entendido). A ela devo o facto de ter escolhido o meu pai, meu amigo e companheiro de todas as horas. Seguindo-lhe o exemplo escolhi a melhor pessoa do mundo para ser o pai dos meus filhos (tenho um imenso orgulho no paizão que é).

Feliz dia do Pai aos três homens da minha vida: ao meu pai, ao pai da minha filha, ao meu mano mais velho, também ele um filho amado e, desde há dois anos e meio, um pai “amante”.

Marta Coelho
Para Up To Lisbon Kids®

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MÃE DE UMA MENINA, É PARA E POR ELA QUE ESCREVE SEMANALMENTE, PASSANDO PARA PALAVRAS OS MAIORES SEGREDOS DO VERBO AMAR.

Autora orgulhosa dos livros Não Tenhas Medo e Conta Comigo, uma parceria Up To Kids com a editora Máquina de Voar, ilustrados por aRita, e de tantas outras palavras escritas carregadas de amor!

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