alterações climáticas

A menina do casaco amarelo e as alterações climáticas

A menina do casaco amarelo e as alterações climáticas

Greta Thunberg é um nome que a maior parte das pessoas terá ouvido numa ou outra situação neste momento. Cá por casa, a minha filha refere-se a ela como a “menina do casaco amarelo” que é amiga do planeta.

Decorria a greve estudantil (a mais recente) mundial como protesto contra as alterações climáticas e a inércia da maior parte dos países.

Eu trabalhei mas fui acompanhando via media o que estava a acontecer em várias capitais do mundo e, mais pertinho de nós, em Lisboa. Quando fui buscar a Mariana à escola passou por nós o que restava da concentração, que se dirigia a passos lentos para o Banco de Portugal, para um último protesto sentado.

Esta situação, a de uma manifestação, a de presença reforçada das forças policiais, abriu caminho a um diálogo muito importante. A minha filha, com apenas 5 anos, fez-me perguntas muito pertinentes e algumas para as quais, infelizmente, não tenho resposta.

Impressionou-a a polícia, de intervenção, quando era um protesto de pessoas “boas”.

Gostou de ver crianças com os seus pais.

Adorou os cartazes pintados à mão.

Gostou da sensação de protesto pacífico.

Queria saber, principalmente, por que motivo não estavam todas as pessoas do mundo do mesmo lado.

Por que razão havia pessoas contra as que lutavam pelo futuro do planeta. Falei-lhe na importância da divergência de opiniões para se chegar mais longe, mas também lhe falei sobre algo com que irá deparar-se para o resto da vida: apesar de haver dados muito concretos que provam uma situação (no caso o aquecimento global), haverá sempre quem simplesmente não acredite ou não queira reconhecer esses mesmo factos. E mesmo havendo já informação sobre o que se pode fazer para ir lutando pela Terra, é preciso querer. E é aí que ela entra. É aí que a geração dela, que vai herdar um planeta com recursos tantas vezes não respeitados, esgotado e a precisar de remediar aquilo que as gerações antes dela não foram capazes de impedir, de mudar, entra.

É isto que a corajosa menina do casaco amarelo quer: que se aja.

Que deixemos de sacudir a poeira, como se o problema não fosse nosso.

É.

Aos poucos, e mesmo fazendo pouco, todos podemos fazer a diferença.

Deixo uma lista do que podemos incorporar no nosso dia a dia, que custa muito pouco levar a cabo e que é um óptimo exemplo para os nossos miúdos. Como podem ser eles a mudança se não a virem um pouco em nós?

Mudemos.

Mudemos com eles. Por eles.

Por nós. Pelo nosso futuro.

Dicas:

– Reduzir o tempo dos duches;

– Fechar a torneira na lavagem dos dentes;

– Deixar os banhos de imersão para dias especiais, fazê-los numa base esporádica;

– Separar o lixo;

– Reduzir a compra de produtos embalados com plásticos de utilização única,

– Reutilizar até à exaustão os sacos plásticos que temos em casa.

O mesmo serve para os tupperwares, não faz sentido de repente livrarmo-nos de tudo o que é plástico que temos nos nossos armários. Em tendo, é reutilizar, dar-lhe utilidade e uma vida longa;

– Usar sacos de pano para as compras/para a pesagem dos legumes e frutas.

Também aqui acho importante reutilizar o que já se tenha. No nosso caso juntámos uma série de sacos de algodão com a finalidade de guardar sapatos em caixas, que passaram a ter como utilidade guardar as frutas e legumes no supermercado; também se pode reutilizar camisas antigas e que já não se usem e fazer sacos a partir delas, etc;

– Diminuir o nosso impulso consumista, nomeadamente no que diz respeito à roupa.

Sabiam que para a produção de um simples par de calças de ganga são gastos em média entre 7 e 11 mil litros de água? Por UM par. Se conseguirmos cumprir e reduzir a roupa que mal vestimos e que os nossos filhos acabam por não conseguir vestir (pelo excesso que têm no roupeiro) poupamos recursos e dinheiro. Há quem tenha a prática, que também levamos a cabo aqui em casa, de usar roupa em segunda mão, venha de irmãos mais velhos, filhos de amigos, primos. Claro que todos gostamos de uma roupa nova, mas se existe em quantidade e está em óptimas condições, não há por que ir gastar uma fortuna todas as mudanças de estação só para ter o último modelo.

– Comprar legumes e frutas da época, em produtores locais;

-Reduzir o consumo de carne.

Este é dos mais difíceis de implementar nas casas portuguesas, tenho-me vindo a aperceber pela partilha com mães de colegas da Mariana. Nós cá em casa fazemos 0 mínimo de refeições de carne e, por isso, não há complicação nenhuma, mas entendo que para quem não tem o hábito seja um ajuste. O essencial é ser criativo, ir variando, pedir receitas, partilhar experiências. Se se reduzir o consumo de carne para metade é o suficiente para aliviar as emissões de CO2 (um quilo de bifes corresponde à emissão de CO2 equivalente a andar 150 km de carro….

– Andar menos de carro, usar mais os transportes públicos e as alternativas.

E para quem diz que com muitos filhos não é possível partilho que na turma da Mariana há um pai de três que os levava de bicicleta todos os dias (faça chuva ou faça sol, com os equipamentos adequados), fazendo cerca de 4 km por dia, por viagem. Com o passar do tempo passou a levar apenas as duas filhas mais novas nas cadeirinhas e a ser acompanhado pelo filho mais velho na sua própria bicicleta. Querendo, é possível. Desdramatizar é possível.

– Usar garrafas de água reutilizáveis, enchê-las em vez de comprar e deitar fora.

A lista podia continuar, mas acho que se nos esforçarmos por fazer nem que seja metade desta lista o nosso contributo já será inestimável.

A cor do casaco da minha filha é azul escuro. Mas sei que a sementinha plantada pela outra menina, que fala com os adultos como gente grande e lhes aponta o dedo, vai ter efeitos.

Espero que sejam suficientes…

 

image@ Instagram da própria Greta Thunberg.

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