Protetores solares

Protetores solares com Quimicos Vs Protetores Solares Minerais Biológicos

Que não se tape o sol (só) com a peneira

“É possível desfrutar do sol mas protegendo a minha família e respeitando a natureza?”

Eis a questão colocada por muita gente, nomeadamente quando pensamos nas nossas crianças – sabemos que a  sensibilidade da pele infantil aos raios solares é maior do que a da pele de um adulto.

As crianças muitas vezes podem já ter recebido uma dose excessiva de sol mesmo sem apresentar queimadura, o que se pode verificar por sintomas como calafrios, febre até 40ºC, vómitos e dor de cabeça.

Além dessa, há cada vez mais questões que se levantam: qual o melhor protetor solar? O que significa SPF 30 ou 50? Os protetores solares, mesmo os que são para crianças, contêm químicos? Qual é a diferença de um protetor mineral e como atua? Os protetores serão inócuos para a nossa saúde? E para o ecossistema?

Pois é. Escolher um bom protetor solar para a família afinal requer alguma reflexão. Assim, mais vale ir por partes.

O que significa SPF?
Para poder tomar uma decisão consciente, importa compreender primeiramente o significado desta sigla inglesa. “SPF” significa Sun Protection Factor (fator de proteção solar) e é o indicador que faz a relação entre o tempo de exposição solar e a percentagem de proteção que o protetor concede.

Por exemplo: se no verão estiver ao sol às 9h, a sua pele leva 20 minutos a desenvolver eritema. Nas mesmas condições, se aplicar um protetor solar SPF 15, poderá contar teoricamente com uma proteção  durante 300 minutos (20min x 15= 300min).

A nível de efetividade é importante perceber as diferentes percentagens de atuação de cada fator. Uma proteção solar SPF15 bloqueia 93% dos raios UVB enquanto que uma proteção SPF 30 bloqueia 97% e uma proteção SPF 50 bloqueia 98%. Os Raios Ultavioleta (UV) apresentam diferentes comprimentos de onda. Os Raios UVA penetram profundamente na pele, na derme. Os Raios UVB, mais presentes no verão, atingem um comprimento menor penetrando na epiderme da pele, provocando efeitos mais imediatos do sol sobre a pele: queimaduras, inflamações e vermelhidão.

Os protetores solares, mesmo os que são para crianças, contêm químicos?
A maioria, sim.

Como é que os protetores que contêm químicos funcionam?
Os filtros químicos são absorvidos pela pele e só atuam 30 minutos após aplicação. Os raios solares UV que penetram na pele são transformados por estes químicos, resultando em substâncias potencialmente alergénicas e fototóxicas. Alguns estudos indicam que a atuação destes agentes químicos têm um efeito semelhante ao das feronomas femininas. A longo prazo, conduzem a distúrbios endócrinos, prejudiciais à nossa saúde. Além dos perigos para a nossa saúde, os protetores solares que contêm químicos representam uma ameaça para os recifes de corais.

Como é que um protetor solar mineral funciona?

Os protetores minerais são uma barreira física, funcionando os minerais como micro espelhos que refletem os raios solares. A sua ação é instantânea e o seu efeito é duradouro.

No entanto, é importante ter em mente que a maioria dos protetores solares minerais disponíveis no mercado também contêm químicos, que vão sendo gradualmente absorvidos pelo organismo. E, novamente, pelo meio ambiente.

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Qual é o impacto dos protetores solares com químicos (incluindo a maioria dos minerais) no ecossistema?

Há estudos que demonstram que as substâncias químicas presentes nos protetores solares UV (tais como parabenos, derivados de cânfora, cinamatos, benzofenonas, entre outros) têm um efeito prejudicial não só na nossa saúde como nos ecossistemas*.

Os resíduos dos protetores libertados no mar destroem bactérias do plâncton, o que altera a sua simbiose com os corais e  consequentemente provoca o branqueamento de recifes de corais, levando à sua morte. Mais, os protetores solares com químicos potenciam a proliferação de vírus no mar por induzirem o ciclo lítico de procariontes que tenham infeções lisogénicas.

De facto, estes filtros exponenciam a propagação de vírus que causam a morte dos corais, ao ponto de terem sido proibidos em praias de certas regiões, especialmente zonas turísticas.

Atendendo a que somos parte do todo, sabemos que mais cedo ou mais tarde o que afeta o meio ambiente afeta-nos, e vice-versa.

Por todos estes fatores, a opção mais sensata será um protetor solar mineral biológico, cuja formulação esteja em conformidade com todas as normas europeias de proteção solar – incluindo serem livres de nano partículas. Ao mesmo tempo, é possível encontrar protetores solares biológicos que para além de protegerem dos raios UVB sejam  hidratantes. Por exemplo, à base de aloé vera, óleo argan, jojoba e calêndula, são ideais para nutrir até a pele sensível dos mais pequenos.

E nunca é demais relembrar as demais “regras” básicas de proteção solar para as crianças: roupa clara, um chapéu com abas e evitar exposição ao sol entre as 11h30 e as  16h30.

Em jeito de conclusão e respondendo à questão inicial: sim, é possível sim proteger-se, e à família, de forma segura tanto para a sua saúde como a do ecossistema, optando por um protetor solar mineral biológico.

*R. Danovaro, L. Bongiorni Sunscreens Cause Coral Bleaching by Promoting Viral Infections. Publ. Environmental/Health Perspectives – Vol 116/Nr  | http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2291018/

 

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