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Psicologia

Quanto mais nova a criança maior a sua neuroplasticidade

Quanto mais nova a criança maior a sua neuroplasticidade

Quem nunca ouviu que os primeiros anos de vida do bebé são super importantes? Quem já deu por si a dizer ‘eles nesta idade aprendem tão depressa’? Com certeza já ouviu expressões que colocam o cérebro como algo ‘plástico’ na fase inicial da vida.

O que será que estas expressões significam?

Quando falamos de neuroplasticidade nos primeiros anos de vida da criança, falamos do quanto o seu cérebro é plástico, moldável, adaptável fisicamente e a nível funcional também. Ou seja, nestes primeiros anos de vida, o cérebro da criança tem uma enorme capacidade de se moldar fisicamente. O cérebro funciona como uma esponja absorvendo informação e criando ligações entre as células que se traduzem nas aprendizagens da criança, no seu  conhecimento. A forma como gere emoções, como usa a sua linguagem, a atenção, a memória e a capacidade de planeamento e decisão, e a forma como se relaciona com as outras crianças e adultos, são exemplos desta aprendizagem.

Termos esta consciência ajuda-nos a perceber a importância de estimular as crianças através de interações positivas com as pessoas que as rodeiam. Devemos proporcionar experiências onde possam adquirir novos conceitos. Onde tenham a oportunidade de relacionar os conhecimentos anteriormente adquiridos com os mais recentes. Tudo porque nestes primeiros anos, o seu cérebro está ‘fresco que nem uma alface’ e muito desperto!

É por este conceito mágico da Neuroplasticidade que é importante que os adultos conheçam o que é esperado ao longo do desenvolvimento dos seus filhos. Só assim poderão também reconhecer os respetivos sinais de alerta. Assim, caso seja necessário, poder-se-á dar início a todo um trabalho de estimulação ou intervenção psicomotora precoce.

Não podia terminar sem ainda realçar outro ponto importante: quando falamos em estímulos, interações ou experiências, não falamos em quantidade mas sim na sua Qualidade!

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Desenvolvimento infantil

Competências para o 1º Ciclo – O que o seu filho precisa de saber

Competências para o 1º Ciclo – O que o seu filho precisa de saber

Diversas famílias preparam-se para deixar o pré-escolar e rumar a uma nova fase, em setembro, com a ida para a escola dos seus pequeninos.

Acontece que é frequente  serem observadas algumas dificuldades ou competências essenciais para este momento a partir de setembro. Competências estas que precisavam de ter sido um pouco mais trabalhadas!

Hoje partilho aqui algumas Competências cognitivas, psicomotoras e socioemocionais importantes que devem estar adquiridas (ou em aquisição) nesta” fase do campeonato”. Pretendo, assim, ajudar todas as famílias que tenham dúvidas quanto a esta transição na vida da sua criança e da sua família. Isto porque quanto mais cedo tiverem este conhecimento, mais tempo têm para preparar a vossa próxima fase em família – uma transição que é da criança e, sem dúvida, da família também!

Competências para o 1º Ciclo

Competências Cognitivas:

– Noção de número

– Usa e relaciona o conhecimento

– Procura soluções

– Expressa ideias com sequência

– Segue instruções

– Discurso claro

– Capacidade de escuta

– Interpreta histórias simples

– Relaciona sons com algumas letras

– Canta e faz rimas

Competências psicomotoras

– Boa postura

– Equilíbrio em andamento e sentado

– Coordenação motora

– Motricidade fina

Competências Socioemocionais

– Relações positivas com colegas

– Assertividade nas suas brincadeiras

– Partilha com colegas

– Brinca sozinho/a e/ou com colegas

– Expressa e reconhece como se sente

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Opinião

Desenvolvimento da criança: a mania da comparação

Desenvolvimento da criança: A mania da comparação

Há dias, numa comunidade de mães de gémeos, falava-se da idade com que as nossas doses duplas (ou mais) começaram a andar.

Senhores! Foi a loucura total e aposto um dedinho em como houve gente a mentir com os dentes todos (postiços ou naturais). Deu-me logo vontade de responder que, de facto, como belos exemplos de mamíferos que somos, se as nossas crias não começarem a andar até 6h depois de nascerem, é para abate. Por isso, sim, nesta ótica, as minhas gémeas começaram a andar às 5h de vida (vá, para não ser ali no limite).

Outra maravilha da natureza infantil é o começar a falar.

Senhores! Mais uma vez, isto é algo extraordinário! Já havia primeiras palavras quase 24h depois de nascerem! Inédito e digno de estudo! Mais uma vez se vê aqui, que, se de facto, não acontecer até x tempo depois do parto, há de vir um animal selvagem qualquer comer-nos as crias.

As mães são os seus piores inimigos.

Devíamos ser fonte de experiências REAIS e dignas de entreajuda umas para com as outras, em caso de necessidade. Se não fosse o meu conhecimento prévio de desenvolvimento de gémeos – porque os meus vizinhos da frente passavam quase tanto tempo em nossa casa como em casa deles e eu vi-os crescer – eu não iria saber aplicar esse desenvolvimento às minhas gémeas. O desenvolvimento gemelar, em especial de gémeos prematuros com necessidade de incubadora – como era o caso deles -, não é igual ao desenvolvimento de um bebé singleton (um bebé que não partilha o ventre com outro). E desse desenvolvimento tinha eu conhecimento que sobejava; eu precisava era de comparação de desenvolvimento de gémeos.

Muitas mães recorrem a outras nesta esperança: encontrar nas parceiras mais experientes algo que as ajude. Mas, na realidade, encontram é uma competição feroz, exagerada e pouco realista, como se o desejo humano maior fosse a sobredotação da criança – que, aviso desde já, é também uma neurodivergência: ser sobredotado não é algo típico do desenvolvimento da criança e nem sempre é algo maravilhoso.

Eu, sinceramente, lamento que assim seja.

Na altura em que me virei para outras mães, falando das minhas gémeas, poucas me davam crédito ou ajudavam. Sim, havia coisas extraordinárias que elas faziam (como distinguir cores aos 3 meses e encaixar peças geométricas aos 7 meses) mas foram não verbais quase até aos 4 anos e tal, começaram a andar tarde (pelos 14 meses), tinham hiperatividade, e um desfasamento de desenvolvimento muito atípico. Ninguém viu isto, apenas de focaram no que era superior. E, pouco ajudada e sem paciência nenhuma para competições parvas entre mães de crianças neurotípicas, saí de todos os grupos de mães, afastei-me das redes sociais por alguns anos e votei-me ao isolamento.

Não há pachorra para isto.

O desenvolvimento, o crescimento, a maturidade não são uma corrida desenfreada para ver quem chega ao final da grelha do pediatra com os certinhos todos no sítio certo. E, seguramente, não há nenhuma taça ou medalha para quem lá chega em primeiro ou em último. Não façamos disso uma coisa tola, sem nexo e irrealista. Ninguém acredita que uma criança possa falar aos 3 meses de idade – a menos que tenha alguma perturbação neurológica – ou que comece a andar aos 6 meses. Isto não é uma corrida, não tem de ser uma competição.

Ah, e para quem gosta tanto de grelhas de desenvolvimento, deixo só esta informação, vinda de quem já levou com bastantes ao longo destes 13 anos: todas elas se regem pelo que é padrão, comum, típico, standard. A menos que a vossa criança precise de uma grelha de avaliação específica para determinada condição. E isso, senhores, acredito que ninguém quer.

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Bebés e Crianças Psicologia

Será que o meu filho deve ir ao Psicólogo?

Ir ao psicólogo…

Será que o meu filho deve ir ao Psicólogo?

Por vezes cai-se no erro de achar que as crianças não compreendem o que se está a passar à sua volta. Que não percebem algumas situações como separações, discussões, ou outros comportamentos e eventos negativos. Engane-se quem o pensa, uma vez que situações como estas podem afetar significativamente a criança, podendo até originar repercussões negativas no futuro. É na infância e adolescência que a personalidade é formada e estas fases irão impactar diretamente o desenvolvimento da fase adulta.

A Psicologia Infantil é importante para identificar possíveis conflitos, inseguranças e medos que estejam a ocorrer nas crianças. A nossa visão do mundo é influenciada, primeiramente, pelo meio circundante na nossa infância e pelos modelos que observamos nesta fase, assim como também é fruto das experiências significativas que surgem.

É importante clarificar que quando os pais recorrem a ajuda psicoterapêutica não significa, de todo, que não são competentes o suficiente para lidar com estas questões, mas sim que precisam do apoio de um técnico especializado para que o seu filho enfrente as adversidades da forma mais saudável e adaptativa possível.

Como funciona?

Inicialmente será necessário haver um primeiro encontro com os pais para perceber a razão pela qual decidiram iniciar o processo terapêutico, sendo necessário recolher informações importantes sobre a história da criança, assim como para perceber a dinâmica familiar. Deste modo, os pais ou cuidadores primários participam ativamente no processo terapêutico, uma vez que desempenham um papel importantíssimo na exploração de conflitos que possam existir na criança, havendo uma comunicação frequente entre a família direta e o psicólogo.

Nas sessões em que o psicólogo estiver só com a criança, são utilizados vários recursos para intervir de forma lúdica, uma vez que as crianças têm tendência a ter dificuldades na expressão emocional, sendo por isso importante recorrer a brincadeiras, jogos e desenhos com o intuito de compreender o comportamento e intervir nas questões e conflitos necessários.

Em que casos específicos é que se deve recorrer à Psicologia Infantil?

– Bullying e dificuldades de adaptação;

– Ansiedade excessiva e sintomas depressivos;

– Situações familiares impactantes, lutos, perdas significativas e separações;

– Dificuldades na fala;

– Medos excessivos e fobias;

– Medo excessivo de ficar sozinho ou sem o cuidador primário;

– Enurese (perda involuntária de urina durante o sono) e encoprese (incontinência fecal);

– Mudança no comportamento;

– Agressividade, isolamento, birras ou timidez excessiva;

– Dificuldades de concentração e escolares;

– Recusa em ir à escola;

– Perturbações do comportamento alimentar.

Em suma, gostava de utilizar uma metáfora para que possa reter a seguinte ideia: quanto mais cedo começarmos a curar uma ferida, mais rápido ela vai sarar – o mesmo acontece com questões do foro psicológico. Quando a ferida começa a infectar, vai levar mais tempo a sarar. Esta é uma excelente comparação para utilizarmos com as “feridas psicológicas”, que não “saradas” poderão despoletar perturbações psicológicas, que são muito mais difíceis de sarar e tratar. Por esse motivo é que a intervenção precoce é muito importante.

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Crónicas Desenvolvimento infantil Opinião

Saudades do que nunca tive. Valorizar as pequenas coisas

Saudades do que nunca tive. Valorizar as pequenas coisas

No outro dia precisei de uma fotografia que sabia ter sido tirada na primeira infância das piolhas. Ao vasculhar no disco externo todas aquelas fotos, é impossível não ser invadida de milhares de memórias e sentimentos tão diferentes como uma saudade, uma melancolia e até uma mágoa… A infância das piolhas não foi como as dos seus pares, por muito que tenhamos tentado que fosse. Não podia ser de outra forma porque as terapias e consultas ocupavam uma grande parte do seu horário semanal. Fora as chamadas horas de brincadeira, camufladas de aprendizagem. Quando olho para trás creio que, apesar de tudo, é a parte que mais me dói. As etapas de desenvolvimento todas desorganizadas, fora dos timings comuns, algumas que nem apareceram.

Sou professora de inglês precoce, o que significa que, algumas vezes por semana, trabalho em instituições como creches e jardins de infância.

Lido com bebés e crianças muito pequenas. E vejo o falar subtil que surge no momento certo, as questões motoras normais para a idade cronológica, o apontar com intenção para o que se quer, a birrinha típica da idade. E as piolhas não tiveram, nada disto. Não é por mal, mas é-me quase impossível não viajar ao nosso passado e aperceber-me que o apontar só surgiu anos depois com anos de terapia. Que a fala usando a terceira pessoa do singular era o comum cá em casa. Que a linguagem infantilizada nunca apareceu (nunca ouvimos um “popó”, “chicha” da boca das piolhas. E quando entraram para o 1º ciclo e tinham de escrever coisas como “É o popó do papá” ficavam doidas porque se dizia “carro” e não “popó” e teimavam “eu vou escrever carro”).

Saber dar valor às pequenas coisas

É claro que não se pode olhar só para trás e ver o que não houve ou o que se perdeu quando o percurso delas, o presente delas é tão cheio de etapas alcançadas e de sucesso. Mas custa um bocadinho terem-nos sido tiradas aquelas pequenas coisas tão preciosas e que a maioria dos pais nem tem a noção do quão preciosas são mesmo. Porque são etapas cruciais no desenvolvimento infantil são aquelas frases que estão numa checklist no pediatra e que ele vai marcando com um certinho porque surgiram na altura certa, na idade cronológica certa e nem precisa de avaliar mais nada. Até o perímetro cefálico deixa de ser medido aos 4 anos e aqui continuámos medidas até aos 10.

Talvez aquilo que eu sinto sejam só saudades do que nunca tive.

Não é uma coisa má, magoa um bocadinho mas já não dói terrivelmente como antes. Mas é algo que faz parte do nosso caminho e que, quando calha em contexto, explicamos aos outros e até às próprias piolhas. Afinal, nesta fase, estão tão dentro do normal, do típico e do habitual quanto possível. Não serão nunca as adolescentes típicas – e isto foi-nos referido várias vezes pelo nosso terapeuta da fala – mas terão os seus laivos, as suas questões, as suas quezílias, os seus momentos de contestação. E, ainda que não seja o ideal, para nós é quanto basta.

Um dia de cada vez, como sempre foi até aqui.

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Desenvolvimento infantil Ensino

Competências base para ingressar no primeiro ano

Competências base para ingressar no primeiro ano

A pré-primária acabou. A entrada no primeiro ciclo costuma ser um choque com a realidade. É o inicio de uma nova fase na vida das crianças e é fundamental que essa transição seja feita de forma segura. Para além da brincadeira que é normal nestas idades – e que deve, sempre, ser estimulada – agora pede-se responsabilidade e autonomia, palavras até então quase inexistentes no vocabulário infantil.

Aos 5 ou 6 anos as crianças apresentam diferentes níveis de desenvolvimento global.

Algumas são mais maduras do que outras, mais robustas ao nível do desenvolvimento sócio-emocional e cognitivo e, assim, estas, em princípio, estarão mais bem preparadas para os novos desafios escolares.

Por exemplo, nesta fase deverão saber entender os números e o que eles representam, só assim conseguirão dar os primeiros passos na aprendizagem da matemática. Quanto mais cedo conseguirem relacionar, por exemplo, o número “5” com uma foto de cinco laranjas melhor. É o primeiro passo para conseguirem dominar conceitos básicos de aritmética como a adição e a subtração.

Precisam igualmente de saber comunicar, de se revezar, de aceitar e seguir regras de convivência. As primeiras competências de literacia – que incluem a leitura e a escrita – são adquiridas logo no pré-escolar onde aprendem a descodificar os sons produzidos por cada letra. O objetivo é que, antes mesmo de entrar para o primeiro ciclo, já conheçam o alfabeto e os recursos básicos das letras e palavras.

Espera-se que nesta fase os alunos sejam capazes de partilhar informações de várias maneiras, por exemplo, falar em voz alta e ouvir os outros, desenhar, escrever letras e palavras. É importante que já tenham também as competências necessárias para distinguir as letras maiúsculas das minúsculas, de combinar as letras com sons e de fazer rimar palavras.

Ingressar no 1º ciclo sem ter as competências base

Não obstante apresentarem maior ou menor capacidade em determinadas áreas, há crianças que manifestamente não estão preparadas para as exigências do primeiro ciclo em termos emocionais e sociais, na medida em que ainda não desenvolveram competências para uma aprendizagem mais formal. São, regra geral, ainda muito dependentes dos pais e apenas focadas, por enquanto, nas atividades lúdicas. Sentem grandes dificuldades para, por exemplo, permanecerem sentadas durante longos períodos, concentradas nos conteúdos programáticos.

As crianças desenvolvem competências a ritmos diferentes e o  sucesso académico dependerá da confluência das capacidades cognitivas, sociais e emocionais.  Se necessário, procure a ajuda de um especialista que avalie as capacidades da criança, as áreas mais fortes e aquelas onde denota maiores dificuldades. Se o fizer, estará sem dúvida a contribuir para que esta nova fase de aprendizagem seja mais segura e bem sucedida.

Ingressar no 1º ciclo sem ter as competências base, poderá potenciar sentimentos de incapacidade e inferioridade em relação aos outros alunos refletindo-se,  não raras vezes, ao nível da autoestima.

Não se esqueça, as competências de também podem e devem ser estimuladas em casa! É fundamental que o desenvolvimento global da criança seja promovido através dessas competências consideradas chave para a idade adulta e para a entrada no ensino formal.

Não faltam estratégias para ajudar as crianças a relacionar letras e sons. Nem para desenvolver bons hábitos de leitura e a despertar o interesse para a matemática. Há livros didáticos divertidos e jogos de tabuleiro que podem representar um forte estimulo para a construção de novas competências.

Eis alguns conhecimentos matemáticos que costumam ser apreendidos ainda antes da entrada no primeiro ciclo:

1- Contar quantos objetos estão num grupo (um por um) e comparar com outro grupo para descobrir qual é maior ou menor.

2- Reconhecer que adição significa colocar dois grupos juntos e que subtração significa tirar de um grupo.

3- Adicionar e subtrair números de 1 a 10.

4- Usar objetos para mostrar como dividir números menores ou iguais a 10. Por exemplo, 8 borrachas = 2 grupos de 4 borrachas e 8 borrachas = um grupo de 2 e um grupo de 6.

5- Encontrar o número de objetos para transformar qualquer grupo de 1 a 9 em um grupo de 10.

6- Usar objetos ou desenhar figuras para representar e resolver problemas simples de adição e subtração.

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Bebés e Crianças Saúde Oral

Como escolher a melhor chupeta para o meu filho?

Como escolher a melhor chupeta para o meu filho?

“De um modo geral, as chupetas de silicone acabam por ser mais higiénicas, pois prendem menos impurezas à superfície, o que deve também ser tido em conta.”

Não é muito fácil responder a essa questão, porque as opções são bastante variadas, mas há 2 aspectos importantes a ter em conta:

1.  Forma

O ideal é tentar que os bebés usem as chamadas chupetas anatómicas ou ortodônticas. Têm um formato mais achatado, o que acarreta a vantagem de deformar menos a arcada dentária.

2. Material

Existem dois tipos de chupetas, as de látex e as de silicone. As primeiras são mais moles e resistentes às “trincas”, mas menos resistentes à sucção.
As segundas são mais duras e têm um padrão de resistência inverso, aguentando melhor a sucção, mas sendo mais sensíveis ao efeito dos dentes. De um modo geral, as chupetas de silicone acabam por ser mais higiénicas, pois prendem menos impurezas à superfície, o que deve também ser tido em conta.

A adaptação do bebé à chupeta

Sabendo da diversidade existente, pode dizer-se que estes são os princípios gerais. Mas no fundo a melhor chupeta acaba por ser mesmo a que o bebé gostar mais, porque essa adaptação é que vai ditar qual a chupeta a escolher.

No entanto, independentemente do que escolher, é importante reforçar a ideia de que as chupetas devem se substituídas a cada 3-4 meses para evitar a sua degradação.

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Desenvolvimento infantil

A grande importância dos três primeiros anos de vida

A grande importância dos três primeiros anos de vida

A ideia de que os bebés não ouvem, não veem e não sentem está ultrapassada.

Hoje sabemos que, logo na barriga da mãe, o feto ouve, vê e sente. E sabemos também que, os bebés são seres com inúmeras capacidades relacionais, motoras e cognitivas.

Hoje, sabemos ainda que, que os três primeiros anos de vida são fundamentais na formação da personalidade, nomeadamente que a qualidade das relações que é vivenciada nesta fase, será a base de todas as relações futuras.

O primeiro ano de vida (0-12 meses)

O primeiro ano de vida não é fácil, ao contrário do que vulgarmente se poderá pensar, as transformações que um bebé vivência neste período são árduas.

  • O bebé faz a transição de estar deitado para, a difícil tarefa que é caminhar sobre os seus próprios pés e ganhar autonomia.
  • Passa da ingestão de líquidos, para o complexo acto de mastigação de alimentos sólidos.
  • No sono, abandona progressivamente os curtos períodos de sono que tinha na barriga da mãe. Isto é, o seu ritmo de sono, para ter períodos de sono cada vez mais prolongados e mais aproximados ao ritmo de sono dos adultos.
  • Na comunicação, dão-se também grandes alterações. Antes de aprender a falar, o choro é a forma natural do bebé se expressar. Mais tarde, começa a dizer as primeiras palavras, o que por vezes acarreta uma enorme frustração até as conseguir verbalizar. A nível social, o bebé passa do seu mundo (eu e a minha mãe), para a noção de que existem outras pessoas em seu redor, que a amam igualmente.

O segundo ano de vida (12-24 meses)

No segundo ano de vida começam a surgir as birras, que se poderão intensificar mais tarde. A criança começa a brincar ao faz-de-conta (como por exemplo, brincar às papinhas), uma aquisição extremamente importante, visto que é através do brincar que a criança vai futuramente representar situações que vivenciou no seu dia-a-dia e reorganizá-las no seu pensamento.

O terceiro ano de vida (24-36 meses)

No terceiro ano de vida, a fase das birras atinge o seu auge – a “adolescência” da primeira infância. Esta é uma fase que pode levar os pais ao limite da sua paciência. Contudo, nada que não se ultrapasse com limites, amor e uma boa dose de paciência

É sobretudo importante olhar para este período com compreensão. A criança passa por uma fase de conflito interior em que, por um lado, já se sente autónoma para explorar o mundo, pois já caminha, mas por outro lado, ainda sente que precisa muito dos pais/cuidadores. A criança vivencia alterações bruscas de humor, uma vez que experiência um turbilhão de emoções contraditórias ao mesmo tempo (Brazelton, 2013).

É também nesta fase que a criança começa a deixar as fraldas, o que é um enorme contributo para que se sinta cada vez mais segura de si e independente. O seu brincar ao faz-de-conta, torna-se cada vez mais elaborado, sendo que a promoção da imaginação e a fantasia são fundamentais para um desenvolvimento saudável.

Importa ressalvar que no desenvolvimento dito normativo, não existem apenas evoluções.

Por vezes, também existem regressões em algumas áreas, para que as outras possam avançar. Por exemplo, quando a criança começa a andar e a ter a capacidade de explorar o meio, esta aquisição torna-se demasiado interessante e a criança poderá começar a dormir pior, pois tem vontade de experimentar constantemente essa nova aquisição (Brazelton, 2013).

Apesar de estas serem competências que usualmente são adquiridas durante estas fases, cada criança é única e tem o seu próprio ritmo. Cada criança tem as suas potencialidades e fragilidades… como todos nós adultos!

Ser bebé não é fácil! E, apesar de não termos memória, é durante estes primeiros três anos de vida que são construídas memórias sensoriais que perduram em nós para toda a vida.

 

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Desenvolvimento infantil

4 bons motivos para optar por brinquedos de madeira

Com frequência, os brinquedos de madeira são associados a alguma nostalgia por despertarem recordações de infância. E também é frequente encontramos quem pense que é esse regresso ao passado que a pretendemos com a actividade que desenvolvemos.

Na verdade, não é assim. Embora consideremos que, de uma forma geral, todos os brinquedos têm o seu papel e importância, consideramos que aqueles que são os fabricados em madeira apresentam enormes vantagens para as crianças.

1. Os brinquedos de madeira são de maior duração

O nosso filho de 6 anos (é o nosso director de qualidade) brinca com um comboio que tem quase 40 anos de existência! Ao longo do tempo algumas peças foram substituídas (o que faz dele, de resto, um excelente objecto de colecção), é certo, mas por se perderem e não por se danificarem. Os brinquedos de madeira são, efectivamente, menos susceptíveis de se partirem do que os seus equivalentes em plástico, sendo mais resistentes a quedas, pisadelas ou “testes de resistência”. Mesmo quando se partem, são normalmente mais fáceis de reparar. Além disso, não são tão susceptíveis à “obsolescência programada”, ou seja, não são fabricados de forma a rapidamente se tornarem tecnologicamente obsoletos.

É por isso que muitos se tornam objectos de brincadeira que passam de geração em geração, agregando valor sentimental mesmo junto dos adultos.

2. Os brinquedos de madeira são mais seguros

Sendo mais duráveis, o risco de ferimento com pequenas peças partidas é muito mais reduzido do que os equivalentes em plástico. E também não existe risco de engolir baterias, uma vez que, normalmente, não as têm.

3. Os brinquedos de madeira são mais ecológicos

Como os brinquedos de madeira tendem a durar mais do que os de plástico, o lixo que com eles é produzido é muito menor. Acresce o facto de que o plástico demora muito mais tempo a degradar-se.

Por outro lado, os brinquedos de madeira têm uma menor toxicidade química, uma vez que são produzidos com recurso a materiais essencialmente naturais. É claro que teremos de fazer uma análise crítica quando os escolhemos: há outros factores envolvidos que deverão ser tidos conta, como as tintas e vernizes, por exemplo. Esse aspecto é especialmente importante quando sabemos que o plástico é derivado do petróleo, recurso ambientalmente nocivo e não renovável. Se tivermos o cuidado de procurar brinquedos cuja madeira provenha de plantações sustentáveis, a vantagem é evidente.

Já referimos a vantagem de não funcionarem com baterias (nós costumamos dizer que funcionam a energia humana). Para além da questão da segurança, a sua não utilização reduz o impacto ambiental do fabrico e utilização.

4. Os brinquedos de madeira potenciam mais o desenvolvimento infantil

Normalmente, os brinquedos de madeira não têm um botão onde a criança carrega e se limita a ver o que o brinquedo faz. Ela tem de se envolver com ele, criando cenários e diferentes formas de interacção, desenvolvendo a imaginação e criatividade. Além disso, o único sítio onde uma criança deveria ouvir “amo-te” ou “gosto muito de ti” deveria ser no seio da sua família e não de um objecto de plástico.

São também brinquedos que têm, por norma, associado o desenvolvimento de diversas capacidades. Por exemplo, um puzzle ou um jogo de construção contribui para o reforço das competências lógicas, de percepção de espaço ou agilidade motora.

Os brinquedos de madeira tendem ainda a criar um ambiente mais calmo do que que os seus barulhentos e automáticos brinquedos de plástico.

Por tudo isto, não temos dúvidas: os brinquedos de madeira são melhores!

*imagem fornecida pelo autor

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Desenvolvimento infantil

Desenvolvimento infantil: consultar ou esperar?

Quando falamos de desenvolvimento infantil, já deu por si a pensar no desenvolvimento dos seus filhos?

Será que o meu filho já devia…? Ou será que ele está atrasado? Será que está tudo bem?

Pois, é frequente o surgimento de dúvidas acerca do desenvolvimento infantil… A questão que se coloca é então: consultar ou esperar? Consultar para apaziguar as incertezas ou fundamentar a espera no ritmo incerto do desenvolvimento infantil?

De facto, o desenvolvimento infantil é pautado de alguma variabilidade tendo em conta características ambientais, genéticas e até da própria criança. Mesmo dois irmãos expostos aos mesmos estímulos podem ter ritmos desenvolvimentais diferentes. Mas, até que ponto uma alteração pode ser considerada normal ou anormal? Quando é que as famílias devem procurar ajuda junto dos especialistas ou esperar mais um pouco para ver se as crianças evoluem sozinhas?

É a estas perguntas que vamos tentar dar resposta.

O desenvolvimento harmonioso e sem perturbações é um dos grandes objetivos de uma família assim que uma criança nasce. Mesmo durante a gravidez, os seus pais já se questionam se o seu filho será saudável ou não e se terá acesso a todas as oportunidades na sua vida que lhe permitam crescer e tornar-se num adulto de sucesso.

Após o nascimento e, não havendo à partida alterações genéticas, neurológicas e/ou motoras que acionem desde logo encaminhamentos para as várias áreas especializadas, a criança irá desenvolver-se fora do radar dos especialistas e conta apenas com o conhecimento da sua família e outras pessoas que interajam com esta no seu dia-a-dia (ex.: amigos dos pais, funcionários da creche/escola, etc).

Nesta situação e, caso surja algum sinal de alerta, é frequente ouvir várias versões sobre a necessidade ou não de se procurar ajuda. Em última instância cabe à família filtrar essas opiniões e, junto com as suas próprias dúvidas/certezas, decidir se pede ou não ajuda.

Intervenção precoce

Vários estudos científicos atestam a importância de intervir precocemente. Isto significa promover e potenciar o desenvolvimento psicomotor das crianças que já possuam algum tipo de perturbação e/ou que se encontrem em situações de risco. Desta forma pode evitar-se o estabelecimento de uma perturbação ou impedir que a mesma ganhe contornos mais graves.

Sabe-se que o desenvolvimento das crianças pode ser modificado por influências ambientais, quer sejam positivas quer sejam negativas e que estas influências podem potenciá-lo ou dificulta-lo. Assim, quando surgem dúvidas no seio das famílias acerca de algum aspeto dos desenvolvimento do seu filho, quanto mais cedo se modificar o ambiente para um estímulo mais positivo melhores resultados se conseguirão obter.

Plasticidade de sistema nervoso

Aliado a esta questão surge a chamada “plasticidade do sistema nervoso” que nos diz que o cérebro é mais “maleável” e suscetível à aprendizagem quando a criança é mais nova. Esta plasticidade diminuí com o crescimento da criança, por isso, quanto mais cedo se atuar numa dificuldade, maior é a probabilidade de uma criança corresponder positivamente a essa estimulação.

Além disso, diversas alterações no desenvolvimento que não são intervencionadas a tempo poderão, mais tarde, agravar ou potenciar o aparecimento de perturbações secundárias. Uma surdez não corrigida, por exemplo, pode dar origem a um atraso na fala e na linguagem que se pode tornar irreversível mesmo que a surdez seja corrigida mais tarde.

Sinais de alerta no desenvolvimento infantil

O desenvolvimento infantil é um tema que a maioria das famílias não dominam e é neste aspeto que se pretende dar apoio de forma a ajudá-las na sua decisão, dando a conhecer alguns sinais de alerta que facilmente podem analisar nos seus filhos.

Muitos destes aspetos surgem, por vezes, por comparação com crianças da mesma idade e é este um dos aspetos principais que os pais devem levar em conta quando analisam os seus filhos. “O meu filho não é capaz de fazer algo, e os seus pares já conseguem?”.

Terapia da fala

Um dos grandes marcos do desenvolvimento é sem dúvida o aparecimento da linguagem e da fala que surge entre o primeiro e o segundo ano de vida e geralmente aos dois anos, uma criança deverá tentar juntar duas palavras numa frase, mesmo que as palavras ainda não sejam ditas corretamente.

Depois começam-se a observar bastantes omissões ou substituições de fonemas na fala. Estas alterações são normais e fazem parte do desenvolvimento das crianças mas devem ir desaparecendo com o crescimento. Com a complexificação da linguagem e do raciocínio às vezes as crianças tendem a apresentar sintomas típicos de uma gaguez. Se, por exemplo, após os quatro anos a criança ainda apresentar várias alterações quer na percetibilidade da fala quer na fluência da mesma, estas devem de ser um dos grandes alertas para os pais procurarem ajuda.

Terapia Ocupacional

Durante as aprendizagens pré-escolares as crianças são expostas a inúmeros estímulos. É aqui que quer os pais quer os educadores conseguem detetar algumas dificuldades que podem ser sugestivas da presença de uma alteração/perturbação.

Aspetos como:

  • a dificuldade em correr;
  • saltar, ou desempenhar alguns jogos típicos;
  • a dificuldade em usar alguns dos utensílios na sala de aula (ex.: tesoura, lápis, puzzles, brinquedos);
  • dificuldades na concentração;
  • realização dos trabalhos mais estruturados;
  • memorização do conhecimento que lhe é transmitido.

Situações como a dificuldade em realizar tarefas do dia-a-dia como:

  • o vestir/despir;
  • o apertar os botões do casaco;
  • atar os atacadores devem ser tidos em conta e alertar os pais.

Com a exposição à escola ou outros ambientes diferentes do contexto familiar as crianças podem demonstrar alguma dificuldade em cumprir ou a desafiar constantemente o adulto fazendo birras excessivas. Aqui os pais devem ponderar se estas são ou não fundamentadas e se as conseguem controlar, caso contrário será benéfico que consultem um especialista no sentido de aprofundar as razões da mesma e dar estratégias aos pais para ultrapassarem estas questões.

Psicologia: Sinais de alerta

Mais tarde surge outro grande marco do desenvolvimento com a entrada para o primeiro ciclo e com a aprendizagem da leitura e da escrita. Aqui, as crianças experienciam métodos de ensino diferentes do que estavam habituados e o ambiente mais formal pode ser um obstáculo à sua aprendizagem.

Crianças que devem de ser observadas por um especialista para detetar possíveis alterações atempadamente e impedir que as mesmas se instalem e sejam irreversíveis:

  • quando não se conseguem concentrar,
  • que apresentem dificuldades na leitura e na escrita quer sejam observadas através de erros constantes ou na caligrafia quer através de sentimentos negativos.

Uma vez que nesta fase é suposto que as crianças já tenham um nível avançado de consciência das suas dificuldades/capacidades, alterações a este nível poderão afetar a criança no domínio emocional, levando por vezes a um isolamento, sentimentos de tristeza, frustração e/ou agressividade graves que podem pôr em risco todas as suas aprendizagens escolares e a relação que a criança tem com a escola e seus professores.

Conclusão

É normal que as famílias tenham dúvidas acerca do desenvolvimento das crianças e que estas sigam ritmos diferentes. É preciso saber ponderar quais as implicações que as dificuldades podem trazer para o desenvolvimento e procurar a ajuda dos especialistas quando surgem incertezas pois só assim poderemos promover um desenvolvimento harmonioso das nossas crianças e saber como estimular da melhor forma em cada momento.

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PENÂ-CASANOVA, J. Manual de Fonoaudiologia – 2ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997
VITTO, Márcia M. P., FÉRES, Maria C. L. C. Oral communication disturbances in children. Ribeirão Preto: Medicina, 2005; 38 (3/4): 229-234
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