Tanto aprendemos com o erro como com o sucesso

Tanto Aprendemos Com O Erro Como Com O Sucesso

Tanto Aprendemos Com O Erro Como Com O Sucesso

A investigação é consistente: crianças cujos pais não permitem que falhem tendem a ser crianças menos envolvidas e menos motivadas e entusiasmadas pela aprendizagem, mais receosas nas relações, menos confiantes nas suas capacidades. A incapacidade de lidar com (a hipótese de) errar é uma enorme desvantagem na capacidade de adaptação e no sucesso na vida.

Um cenário de aprendizagem onde não há margem para o erro, é um contexto de aprendizagem onde se é agente passivo, onde não se experimenta, onde não se aplica.

Um verdadeiro processo de aprendizagem – formal ou informal – implica a possibilidade de o erro existir.

E através do erro aprendemos efetivamente, porque os erros são extremamente informativos. O erro ajuda-nos a identificar forças e fraquezas. A perceber o que pode ser feito de diferente numa próxima oportunidade. Ajuda a descobrir caminhos que funcionam e caminhos que não servem para alcançar objetivos estabelecidos. Quando falhamos até acertarmos tivemos a oportunidade de testar e conhecer opções que não funcionaram. Além disso, tivemos oportunidade de reforçar a perseverança.

Isso é aprender.

Na realidade, tanto aprendemos com o erro, como com o sucesso.

Se o foco mudar do resultado final, para o processo, há sempre conhecimento que se gera. Conhecimento sobre o mundo e sobre o próprio.

É urgente mudar-se o foco do resultado final, para o(s) caminho(s) que podem ser percorridos até um suposto resultado final. Lidar com o erro, a falha, o perder e entrar em contato com diferentes emoções – a zanga, a frustração, a tristeza, a desilusão, o desanimo, etc – é ter a oportunidade de aprender a gerir essas emoções desafiantes e de desenvolver recursos favoráveis a uma maior capacidade de adaptação. O inverso, ou seja, a exigência exagerada, o perfecionismo e a crítica associada ao erro é uma porta aberta à desesperança e à ansiedade.

O número de crianças e adolescentes, com quem me cruzo e que sacrificam a sua natural curiosidade e gosto por aprender, divinizando as notas, é elevado.

E de onde é que isto vem?

Ensinamos às nossas crianças que o seu valor é medido por uma nota.

Ensinamos-lhe que a inteligência vale tudo e que a atitude vale, mas menos. Ensinamo-las a sentir orgulho pelas medalhas e pelos Muito Bom (e ainda bem que ensinamos) mas esquecemo-nos inadvertidamente de valorizar a forma como alcançaram esses resultados.

Ensinamos-lhe que errar é muito mau e que assim não vão longe.

Ensinamos-lhe a terem medo de falhar. Esquecemo-nos de valorizar a responsabilidade, a curiosidade, a perseverança, o foco, a dedicação, a capacidade de vencer obstáculos. Esquecemo-nos demasiadas vezes que ninguém é perfeito e que errar é (mesmo) humano. E esquecemo-nos que uma falha esconde uma oportunidade de aprender mais.

Até as aprendizagens precoces se processam através da integração de pequenos insucessos.

Nenhuma criança aprende a andar sem dar umas quantas quedas e isso é perfeitamente aceitável. Na realidade, as crianças pequenas começam a descobrir o mundo, a interagir com ele, a perceber como funcionam as coisas, por tentativa e erro. A forma como o adulto vai agindo ditará a forma como a criança abordará os seus sucessos e insucessos. É fundamental ajudar as crianças a aprenderem que um erro é apenas uma tentativa que não funcionou. É essencial ajudar as crianças, desde cedo, a compreenderem que o erro não é sinónimo de “defeito”.

Se houver uma carga muito negativa associada às tentativas falhadas, alimenta-se o medo.

O que tendemos a fazer quando temos medo? Fugimos ou paralisamos. Não experimentamos, não arriscamos, a noção de ineficácia cresce. O medo de falhar, destrói a curiosidade, o gosto pela descoberta e pela aprendizagem. O medo de falhar aumenta o risco de ansiedade.

No meu último livro “Crianças Confiantes, Crianças Capazes” partilho algumas histórias que ilustram a diferença que pode fazer, na vida de alguém que está a crescer, a atitude e as palavras dos adultos de referência. Partilho, ainda, exercícios, estratégias e reflexões que o ajudarão a fomentar a confiança do seu filho. No que a erros diz respeito a palavra-chave é mesmo: aceitação.

Porque o erro é inevitável.

Se eu aceitar o erro como algo que faz parte de um processo de aprendizagem, vou lidar com ele de forma muito mais construtiva, do que se o encarasse como algo verdadeiramente grave, reprovável e inaceitável.

Acredito que cada criança tem dentro de si um potencial imenso.

Cada flor, com as suas características próprias, constitui um desafio especial e único em terapia.

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