Uma criança com deficiência será um adulto com deficiência.

Uma criança com deficiência será um adulto com deficiência.

Uma criança com deficiência será um adulto com deficiência.

Uma criança neurodiversa crescerá e transformar-se-à num adulto neurodiverso, o que, trocado por miúdos, quer dizer que uma criança com autismo crescerá e transformar-se-à num adulto com autismo (ou autista – outros quinhentos. Nem eu nem as piolhas ainda nos decidimos quanto à terminologia mais adequada a usar, depende da forma como ELAS encaram o mundo e se sentem em relação a isso).

O que poderemos retirar daqui?

As preocupações do cuidador passarão a ser outras. Se a linguagem era a questão mais impactante na infância, provavelmente, na adolescência serão as questões sociais a suscitar mais cuidados e, com a entrada na idade adulta, a sexualidade pesará mais.

O que se pode fazer, então?

Possivelmente – e sem receitas mágicas ou livros de instruções – crescer com eles – eles, os autistas, os neurodiversos. E irmo-nos adaptando a essas realidades, cedendo quando devemos ceder, lutando quando devemos lutar, impondo quando devemos impor, estar quando devemos estar, ser quando devemos ser. Como já referi antes, não somos nós os tais, os autistas, não somos a sua comunidade; somos espetadores com privilégios e cuidadores, mas, sendo possível, a certa altura, teremos de os deixar voar, aventurar-se, serem autónomos, testarem a independência.

A noção – errada, demasiado errada – de que a vida da pessoa com deficiência vale menos deve ser refutada sempre.

Há vida. Há sentimentos. Sexo. Há luta. Há tudo isso e mais, coisas que nem sequer nos ocorram. E, com o passar da idade, com o crescimento dos nossos filhos, os nossos receios, medos, anseios, desejos, questões passam a ser outras.

Claro que estaremos sempre atentos ao desenvolvimento comunicativo e comportamental, à adaptabilidade individual e social, mas surgirão outras questões que povoarão as nossas mentes.

A literatura científica mostra-nos que é possível viver com deficiência e viver com neurodivergência (algumas teorias diferenciam uma e outra) e eu acredito que as piolhas fá-lo-ão, à sua maneira, sempre com uma ou outra estranheza a nível comunicativo ou social (ou até comportamental, sim), mas serão autónomas. E terão sempre uma rede de apoio com que contar, pois já o fazemos desde os seus 3 anos de idade. E essa rede será flexível a ponto de aumentar ou diminuir consoante as suas necessidades e aprendizagens.

Porque há vida para além de.

E eu quero mesmo muito que elas tenham a vida que desejam e merecem.

Um T2. Uma família que passa de 2 para 4. Um duplo diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo.

O esforço de manter uma vida normal em tempos difíceis, a vários níveis… Em suma, uma aventura vivida a 4.

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