Aparelhos Ortodônticos

Será possível evitar Aparelhos Ortodônticos?

Evitar ou minimizar Aparelhos Ortodônticos é sempre possível mas requer cuidados diários e bons hábitos.

Antigamente raras eram as pessoas que necessitavam de aparelhos“, há sempre alguém a comentar.

Seria por falta de conhecimento ou hábitos diferentes?

Na minha opinião, a realidade impõe-se, não havia tantos obesos nem tantos dentes tortos.

A sociedade evolui para um consumismo desmesurado com influências em todos os níveis. Aqui falarei da saúde oral e respiratória, se assim for possível de classificar.

Como melhorar a face do seu bebé? Parece estranho? Sim, é. Além da carga genética que não poderá recusar, existem os factores ambientais.

Desde os primeiros dias poderá “manipular” ou se quiser guiar o crescimento do seu bebé, pode e deverá fazê-lo. Todas as opções que tomar em relação aos hábitos serão notórios no crescimento do seu filho.

Quando o bebé nasce é aconselhada a amamentação, ninguém fala de outra coisa além dos nutrientes e imunidade mas como médica dentista foco o crescimento esquelético da face.

 Este processo físico é fundamental para o crescimento da boca da criança, sendo o 1º factor a considerar na Prevenção Nobre da Ortodontia. Ao mamar o bebé pressiona com a língua o céu da boca provocando o crescimento transversal adequado, com o biberão o leite pinga e a língua não tem de fazer força e o céu da boca (palato) ficará estreito, o nariz comprimido e a face mais comprida.

Uma criança amamentada em livre demanda não tem necessidade de utilizar chucha e assim a mandíbula (maxilar inferior) tem uma relação ideal com a maxila (maxilar superior). Na sociedade ocidental existe grande prevalência de mandíbulas recuadas e alguns autores associam ao uso de chuchas.

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Outros dos factores fundamentais é a manutenção da respiração nasal. Lavar e aspirar o nariz, são as palavras de ordem. Na saída da maternidade algumas enfermeiras referem a lavagem do nariz antes de mamar. Este é dos pontos mais cruciais. Antes das refeições e antes de dormir todos os narizes devem ser assoados. Na amamentação o bebé faz o selamento labial completo como tal não entra ar pela boca e força o nariz a respirar. Com o biberão o nariz não será o único a permitir a entrada de ar. Nunca esquecer que nariz limpo é o ideal até à idade adulta!

 

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Um bebé alimentado a biberão deve cumprir algumas premissas, tetina de baixo fluxo para o bebé exercitar os músculos da boca e da face, bom posicionamento do biberão e tetina bem dentro da boca e não na ponta, não permanecer por tempo indeterminado com o biberão na boca, chucha apenas para dormir e sem artefactos pendurados que devido ao peso provocam forças altíssimas na boca.

 É essencial motivar e guiar para o bebé/criança, ter a boca fechada (lábios selados) na posição de descanso, enquanto dorme e assiste televisão, por exemplo.

 

As alterações respiratórias desenvolvem problemas posturais do esqueleto e não apenas da boca e também provocam roncopatias. Desde sempre deve estar alertado para o ressonar nocturno, sendo um problema pode e deve ser tratado. Aumenta o risco de cáries dentárias, altera os padrões de crescimento da face, aumenta o desgaste e cansaço da criança (associado ao défice de atenção, obesidade, hiperactividade, etc.).

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A introdução de alimentos adequados à idade é difícil mas eficaz. A criança deve mastigar para o crescimento equilibrado da boca. Com um ano de idade a mastigação estará, com ou sem dentes, implementada mas de uma forma rudimentar. Como tal devemos oferecer alimentos duros, secos e fibrosos.

Crianças que têm a oportunidade de mastigar terão menor tendência a ranger os dentes durante a noite. O ranger dos dentes na infância deve-se à adaptação do sistema mastigatório e os motivos, segundo alguns autores, são necessidades de desgastes selectivos e fisiológicos de alguns dentes, cáries e desequilíbrios na oclusão (forma como os dentes inferiores contactam os superiores).

Os outros factores da Prevenção Nobre da Ortodontia são a higiene e tratamentos dentários necessários.

Quando a prevenção primária não foi possível faz-se a prevenção secundária. Poderá ter aparelhos que guiem e influenciem o crescimento dos ossos e como tal criem espaço ideal para o nascimento dos dentes definitivos. O ideal é em dentes de leite para que o crescimento esquelético da boca e nariz seja equilibrado e não haja alterações de posição prematuras dos dentes definitivos.

Nesta fase são utilizadas técnicas de mastigação e educação muscular (com o apoio de Terapeutas da Fala), pistas directas (tratamentos dentários que guiam para o equilíbrio) e correção de hábitos diários.

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Se os pais optarem por uma abordagem mais tardia podem sempre corrigir na dentição mista (fase de troca dos primeiros dentes) com educação muscular e alguns aparelhos ortopédicos.

Segundo a minha opinião os Aparelhos Ortopédicos Removíveis são muito mais eficazes pois não transmitem cargas aos dentes e como tal não haverá lesões (as raízes ainda não estão completamente formadas).

Estes tipo de reabilitação pouco utilizado em Portugal é de baixo custo, requer a colaboração dos pacientes e é de resposta rápida. 

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Mais tarde com a dentição definitiva completa ou quase, é oferecido um plano de tratamento ortodôntico, fundamental na maioria dos casos onde não houve prevenção é por vezes prolongado excessivamente com prejuízo económico para os pais e para a saúde oral do adolescente. Na realidade, todos os planos ortodônticos deveriam ser coordenados com reabilitação muscular e esquelética. Se somos feitos de dentes, ossos e músculos de que nos vale endireitar os dentes se não equilibramos os ossos nem educamos os músculos? Quantas pessoas conhecemos que usaram aparelho e agora se queixam de que os dentes estão novamente a entortar?

Se a abordagem for precoce os tratamentos serão sempre menos invasivos, mais fáceis e rápidos.

Alguns autores referem que a cirurgia mandibular é evitada em 90% dos casos de prognatismo quando corrigido precocemente.

Assim, o ideal passa pela prevenção:

  • Função respiratória
  • Alimentação adequada
  • Hábitos (chucha, dedo)
  • Mastigação
  • Cáries

Nos tratamentos deve eleger abordagens precoces e não invasivas antes que o problema se instale de forma irreversível e então exija procedimentos mais dolorosos e complicados.

A avaliação deve ser feita por uma equipa multidisciplinar composta por Médico Dentista Odontopediatra, Terapeuta da Fala e Otorrinolaringologista. Mais tarde com a erupção de todos os dentes definitivos deve ser feita a avaliação também pela Ortodontia e por vezes enviado à Cirurgia Maxilo-Facial.

Somos um todo e o nariz e a boca estão estritamente relacionados, as alterações de qualquer um implicam sempre uma avaliação cuidadosa do sistema como um todo.

“Estas imagens foram recolhidas na internet ou cedidas pela Dra. Carina Pereira Leite Esperancinha e Dra Cristina Pimenta Póvoas a quem muito agradeço por todo o apoio em Ortopedia Funcional dos Maxilares.”

4 thoughts on “Será possível evitar Aparelhos Ortodônticos?
  1. Rita Sousa Tavares diz:

    Muito Obrigada pela sua participação.
    Este tipo de situação – Agenesia – é muito frequente sem associação a outros problemas maiores, acontece com maior incidência em sisos, pre-molares e incisivos laterais superiores, com simetria na mesma arcada. Nos sisos é uma mais valia, nos pré-molares causa alguns transtornos principalmente se perder o dente de leite e nos incisivos laterais o peso é maior tanto estético como funcional.
    Nesses casos a complexidade do plano de tratamento depende também da idade da criança e das possibilidades dos Pais. Sendo o ideal a manutenção dos espaços e a colocação dos dentes, o tipo de protese (implantes ou removível) está directamente relacionado com a idade e crescimento ósseo.
    Espero ter ajudado.
    Bom Ano e muitos Sorrisos.

  2. Bom dia, gostei do seu post, principalmente porque me deparo com uma situação até agora, para mim, impensável. Tenho uma filha com 7 anos a quem foi diagnosticada/identificada a inexistência de dois incisivos laterais definitivos. Como era totalmente inesperado pois nunca tinha ouvido falar te tal situação, fiquei a flutuar, entretanto já ouvi duas opiniões diferentes na mesma clínica…o que me pode informar sobre este assunto, ainda que seja sem conhecer realmente a boca da minha filha?Grata

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